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16 de maio de 2011

A Igreja Evangélica nas campinas do Jordão

João Cruzué


Cada ato de omissão produz dois resultados. Enquanto de um lado aumenta a passividade e mina os ânimos, do lado adversário é um estímulo para continuar avançando e falando mais alto até calar a voz dos fracos e medrosos. O mal se agiganta ocupando os espaços deixados com o silêncio dos omissos, o descaso dos negligentes e a avareza dos religiosos.

Resumindo; quando alguém aceita o cabresto, depois vai aceitar os arreios, os freios de boca e por último as esporas. O mal ocupa os espaços deixados pelo recuo do bem.

Vivemos em uma sociedade que está relativizando todos os conceitos. Aceitando todas as mudanças e racionalizando sua indiferença. Exemplos: "Alguém se corrompe, mas alega que todo mundo também se corrompe. Abandona a esposa, casa-se com outra, porque todos os ministros da Igreja também estão se divorciando. Eu votei em uma senadora, assumidamente defensora do casamento gay, porque ela concedeu dois cargos de gabinete para meus parentes. Eu não vou me envolver em assuntos de PLC 122, porque a Igreja não tem nada a ver com isso. A política é do diabo mesmo, por isso minha Igreja não se preocupa com eleição de políticos." E muitos outros (maus) exemplos.

Cristãos precisam ter uma consciência viva. Alerta. Olhos espirituais abertos para ver o avanço do inimigo, por atrás do movimento humano. O que acontece no plano físico, pode ser consequência de ações desenhadas e travadas no plano espiritual.

O que está por trás do movimento gay? Sabemos que ele não é circunscrito ao Brasil nem à América. Ele é um fenômeno mundial. Há uma força espiritual agindo na penumbra, poderosa o bastante para agitar demônios nos quatro cantos da terra. É um movimento admiravelmente organizado e bem sucedido que avança por todas nações, sem que encontre resistência à altura. Sua força e seus exércitos se movimento no plano espiritual. Nossa luta não é contra o que é aparente e vemos. Vai além de protestos e manifestos; vai ser preciso dias de jejum e muita oração.

Como cristãos temos três responsabilidades básicas para agradar a Deus. Cristo já definiu isto muito bem quando disse: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. O Espírito desta norma vai além do dinheiro. A primeira responsabilidade é com nossa família. Sem família não há Igreja nem Estado. Para destruir tanto a Igreja quanto o Estado, o mal ataca com ímpeto a instituição da família por todos os lados.

Cristãos precisam estar atentos aos torpedos e mísseis que miram a família. De onde tem vindo os ataques que tem minado a família nos últimos 20 anos?

1. Da aceitação de programas de TV que despejam esgoto continuamente dentro dos lares cristãos. Não faz mal! Todo mundo assiste! É só de faz de contas! É de mentirinha. Resultado, uma sensualidade e hedonismo desenfreados tem açoitado e feito soçobrar muitos lares cristãos.

2. O evangelho da "prosperidade" pregado pelos falsos profetas tem produzido o entristecimento do Espírito Santo. Sofismaticamente este "evangelho" antropocêntrico está substituindo o Cristocêntrico, da mesma forma que o coelhinho da páscoa substitui o cordeiro e o papai noel o Natal de Cristo.

3. Como consequência ao abandono da santidade e o humanismo balaônico, os cananeus bateram à porta da Igreja cristã, que à semelhança da família de Ló, armou suas tendas às portas de Sodoma e Gomorra. O desfecho disso pode ser fatal para a família cristã, que de tanto ver novela tem enfraquecido sua consciência diante dos maus costumes, a tal ponto que aceita como normal o que para Deus é repugnante.

Há algo que possa ser feito, para reverter o curso desta situação?

Sim! há.

Quando uma mudança é produzida em uma família, também acontece uma mudança no todo, no Estado e na Igreja. O pecado que Deus não perdoou ao Sacerdote Eli, foi a brandura com que ele tratava os pecados de prostituição dos filhos. Eli não confrontava os erros dos filhos com a veemência necessária. O sagrado aos olhos de Eli, não era tão sagrado assim. Ele se acostumou e depois ficou indiferente à quantidade de prostituições dos dois filhos.

É preciso repreender, sem agredir. É preciso confrontar o pecado, para mostrar os limites. Quando nenhuma voz se levanta para contradizer, qualquer coisa se parece lícita. O tempo dos profetas já se foi, mas a verdade continua. A palavra de Deus escrita, está aí ao alcance de Todos.

É preciso ter uma consciência viva e um entendimento renovado para saber que o significado de AMOR é muito diferente de relações sexuais ou abraçar alguém para dizer "Eu te amo". O amor verdadeiro abraça, mas no tempo de repreender, confronta. Amar, às vezes é dizer NÃO! quando todo mundo diz sim. Quem ama diz a verdade, quando todos preferem manter silêncio. Quem ama de verdade, fala palavras certas no tempo que é preciso falar.

homossexualismo já levantou sua bandeira e pretende hasteá-la em toda sociedade brasileira, a partir das escolas. Até agora, poucas pessoas tiveram a coragem de confrontar este movimento cara a cara. Nos programas de TV aberta aos sábados, não vi o Pr. José Wellington, nem o Pr. Samuel Câmara, nem qualquer outro, a Não ser o Pr. Silas Malafaia e os Bispos da Igreja Católica a confrontar as mudanças pretendidas pelos movimentos gays, que no momento tem mais simpatia da sociedade que a Igreja.

Se há um caminho para decidir isto é por uma ampla consulta popular. A sociedade brasileira deve decidir no voto se a família, casamento e adoção de filhos devem ser formados por homem e mulher ou por par de homossexuais.

Todo cuidado é pouco, porque a Igreja evangélica brasileira escolheu ficar nas campinhas do Jordão, quando devia ter ficado nos montes.

12 de maio de 2011

UTI - O Fim de Uma Vida

Recebi uma ligação do Vinicius. Havia uma pessoa internada na UTI de um hospital e o estado dela era crítico. Inicialmente conversei com a filha, que havia pedido a visita de um religioso, por se tratar de um paciente em estado terminal. Orei e fui. A Unidade de Terapia Intensiva é um setor que se destaca pela "porta fechada", o acesso é restrito. O uniforme dos profissionais é diferente do restante, eles usam luvas, toucas e as vezes máscaras. O silêncio da UTI é mórbido, marcado pelos aparelhos que acusam os batimentos cardíacos e alguma irregularidade, caso ocorra.  Após entrar, me dirigi até o leito 8, a paciente estava entubada e ligada em algumas máquinas. É muito triste ver o ser humano em estado terminal quando não se tem certeza da salvação.
Na UTI não há vaidade, não há orgulho, nem diferença social, nem racial... somos todos iguais perante Deus: seres mortais carentes da misericórdia do nosso Criador.
Na beira do leito 8 eu orei para que Deus desse a ela a oportunidade de conhecê-lO e a salvasse da condenação eterna. Pedi um milagre porque pelo meu julgamento humano seria impossível para ela conhecê-lO ali naquele leito de morte. A vida é muito curta e frágil, pensei.
Orei pelos profissionais que ali estavam totalmente insensíveis perante uma vida, criada por Deus, que estava partindo.
E nós? Será que também estamos insensíveis com o destino eterno das pessoas? Sai chorando da UTI. Na semana seguinte eu liguei para filha daquela paciente para saber notícias. Infelizmente ela havia falecido. A pessoa me agradeceu e começou a chorar.
A morte é uma das maiores dores que aflige o ser humano nesta terra. É inaceitável! O ser humano não foi criado para morrer. Por isso arde em seu coração um anseio pela eternidade: "Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim ele não consegue compreender inteiramente o que Deus fez." (Ec 3.11) As pessoas não conseguem entender o plano de Deus por causa da separação dEle. "Digo-lhes que agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação!”(2Co 6.2)
Não devemos esperar estarmos próximos daquela hora para refletirmos sobre nossas vidas. Devemos nos retratar com Deus imediatamente. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta nesta terra. A vida é frágil.
Mais uma vez eu chorei pelos perdidos!
Precisamos Orar por Salvação e Proclamar o Evangelho do Reino!

Pierre Ribeiro

8 de maio de 2011

O FEITICEIRO (testemunho missionário de Uganda)

O FEITICEIRO

George Purkweri, nosso amigo de longa data, que vive em Lira, no norte da Uganda, nos conta essa história, “há alguns domingos, uns homens maus vieram e colocaram grandes espinheiros bloqueando a porta de nossa Igreja para os Pobres, construída com tijolos de barro e palha em Pader, em um terreno que adquirimos legalmente. O líder deles disse que queria £150 para deixar o povo entrar na igreja. Fomos até os anciãos da aldeia os quais temeram nos ajudar. Como não dispúnhamos do dinheiro conosco, colocamos o assunto nas mãos de Deus. Na quarta-feira que se seguiu, dois cães pertencentes aos homens maus morreram simultânea e instantaneamente e aquilo produziu temor neles, então saíram para ver o feiticeiro com uma oferenda. A orientação do feiticeiro foi para espalharem sangue ao redor do terreno de nossa igreja para aplacar a ira de Deus, coisa que eles fizeram. Porém, em seguida, um enxame de abelhas africanas saiu do nada e matou todas as suas galinhas, feriu suas cabras e por último atacou três pessoas de seu grupo que, de tão seriamente feridas, tiveram que ser socorridas em um hospital. O feiticeiro disse para espalharem mais sangue porque Deus não tinha sido apaziguado, e quando fizeram isso, a mulher do homem, que tinha exigido o dinheiro, ficou amarela da cabeça aos pés e teve que ser levada urgentemente ao hospital, em Lira, distando quilômetros. Os médicos não acharam qualquer evidência de enfermidade e por isso a dispensaram com alguns comprimidos de paracetamol. Nesse ponto, o feiticeiro revelou que tudo aquilo estava acontecendo por causa do que fizeram contra a igreja. Com medo, a família inteira se voltou a Deus em arrependimento e levou a mulher para que os crentes orassem por ela, após o que ela rapidamente voltou ao normal. Fomos convidados a ocupar novamente a nossa igreja onde recebemos nossos novos irmãos, não como inimigos, mas como amigos perdoados. Enquanto tudo isso estava acontecendo os crentes se reuniam debaixo de uma árvore onde vinte e oito novas pessoas e crianças decidiram seguir a Jesus e embora tenhamos voltado à nossa igreja, elas permanecerão ali e iniciarão uma segunda igreja.”  

DCI é um grupo pequeno e internacional que não tem paredes, não tem fronteiras, não cobra taxas, é aberto a todos, e nele todos se ajudam.

Clique para ver O Jornal Missionário DCI desta semana, com informações missionárias de todo o mundo.

6 de maio de 2011

Apesar dos espinhos: mãe de 50 filhos, Flordelis dá lição de vida



O ditado-clichê que reza que no coração de mãe sempre cabe mais um não pode ser mais preciso e perfeito quando se trata da vida de Flordelis dos Santos, de 48 anos, ex-professora pública e mãe de 50 filhos, com idades entre dois e 34 anos. Dos 50, quatro são biológicos. Ela morava na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, e, nas madrugadas de sexta-feira, andava sozinha pela comunidade com um propósito que, para muitos, pode parecer causa perdida: tirar jovens envolvidos no mundo do crime organizado. 

Tudo começou no início da década de 1990, quando acolheu cinco jovens em sua casa. “Primeiro recebi cinco adolescentes que vieram de uma vez para morar comigo e sair das drogas. Um mês depois, houve um tiroteio na Central do Brasil e vieram 37 crianças. Quatorze eram bebês”, conta. O tiroteio a que ela se refere foi uma chacina em 1994 comandada por um grupo de extermínio contratado para assassinar meninos de rua. Houve mortos. Os sobreviventes bateram à sua porta em busca de ajuda. 

A rotina de uma família tão numerosa é, segundo a matriarca, normal: “Há alguns desentendimentos como em qualquer outra casa, mas eles conseguem se entender bem, os irmãos se amam. Vamos ao Maracanã, à praia, jogamos boliche. Nos divertimos muito juntos”. 

“No começo foi um pouco doloroso, porque eu queria a atenção pra mim, mas a gente vem passando pelas coisas juntos e todo mundo se respeita, todo mundo tem seu espaço. Ela sabe o nome de todos. É mãe pra cá, mãe pra lá”, afirma Luan, de 33 anos, que chegou à casa de Flor aos 15. Alex Macedo, pastor e acadêmico em direito, foi tirado do crime por Flordelis quando tinha 19 anos. Hoje ele é casado e tem quatro filhos. “A maior importância de ela ter aparecido na minha vida foi me devolver a razão de viver. Ela realmente se apresenta como mãe, como alguém que está ali pronta para nos ajudar, para o que der e vier”, completa o pastor.

A história de Flordelis é tão carregada de desafios e beleza que foi levada ao cinema no filme ‘Flordelis – basta uma palavra para mudar’, que estreou em outubro deste ano e contou com a participação de atores como Reynaldo Gianecchini, Letícia Sabatella, Déborah Secco e Cauã Reymond, entre outros. 




Flordelis, Ânderson e os dois filhos estão nos Estados Unidos, de onde deram entrevista para a Ragga, divulgando o filme.
Problemas com a Justiça e com a polícia fizeram parte da vida da família. Flordelis foi acusada de sequestro e teve que se esconder para não entregar os filhos. Os obstáculos não impediram seu sonho: “Nunca pensei em desistir. Dormimos na rua em uma das nossas fugas. Não tínhamos para onde ir e as crianças ficaram com o Ânderson brincando de pique-bandeira e futebol até as três horas da madrugada para que pudessem se cansar e fossem dormir. Foi uma coisa marcante na nossa vida.”

Hoje, Flordelis mora com o marido e 44 filhos. A família vive em uma casa em Niterói alugada e mantida por meio de doações. Ela também mantém o Instituto Flordelis de Apoio ao Menor, onde ajuda filhos de pessoas viciadas em drogas e crianças vítimas de abuso sexual por membros de suas próprias famílias. Além da casa própria, que será comprada com o lucro da bilheteria do filme, ela caminha incansável em busca de seu sonho. “O meu maior sonho, além da casa própria, é ter um centro de excelência para adolescentes, menores dependentes químicos. Vou lutar para conseguir isso.” Pela brava história de Flordelis, não há como duvidar.

1 de maio de 2011

Salvo Pela Incrível Graça

Salvo Pela "Incrível Graça" — A História de John Newton

John Newton era pastor de uma igreja crescente em Olney, na Inglaterra, quando compôs a letra daquele que talvez seja o hino mais conhecido até hoje – Amazing Grace (i.e., “Incrível Graça”). Newton estava satisfeito naquele contexto de vida campestre. Ele tinha uma esposa carinhosa ao seu lado, desenvolvia um bom ministério pastoral e estava cercado de pessoas amáveis. Naquele momento, Newton desfrutava de uma ótima vida. Mas, 25 anos antes, sua vida estava em ruínas.
Newton nasceu em Londres no dia 24 de julho de 1725. Seu pai, um capitão de navio mercante, o amava, porém era um homem severo e reservado. Por outro lado, a mãe de John era uma mulher atenciosa e cuidadosa. Ela lhe ensinou as Escrituras – capítulos inteiros da Bíblia de uma vez – bem como hinos e poemas. Infelizmente, a mãe de John Newton morreu, duas semanas antes que ele completasse sete anos de idade, e, pouco tempo depois, seu pai casou-se novamente.
Quando o novo casal teve seu próprio filho, ambos deram mais atenção e carinho a este do que a John Newton, de modo que John deixou-se levar pela companhia influente de garotos pervertidos, aprendendo a andar nos sórdidos caminhos que eles trilhavam. Com a idade de 11 anos, ele fez a primeira das cinco viagens marítimas na companhia de seu pai, durante a qual rapidamente aprendeu a xingar e amaldiçoar com os melhores marujos.
Entretanto, durante os cinco anos que se seguiram, John se viu forçado a refletir seriamente sobre a condição de sua alma. Certa feita faltou pouco para que John Newton embarcasse num navio de guerra que levava a bordo um amigo dele. Mais tarde, todavia, ele soube que aquele navio naufragara e que seu amigo, junto com vários outros tripulantes, tinha morrido afogado.
Também foi nessa época que Newton teve um sonho perturbador no qual ele jogava fora um anel que representava toda a misericórdia que Deus lhe reservara. Essas experiências pesaram de forma tremendamente condenatória na consciência de Newton e, por algum tempo, impeliram-no a tratar as questões espirituais com mais seriedade. Contudo, passados alguns dias, ele logo se esquecia daquilo que o levara à sobriedade e continuava sua queda vertiginosa na espiral da perversidade. Newton afirmou: “Eu geralmente considerava a religião como um meio necessário para se escapar do inferno; mas eu amava o pecado e não estava disposto a abandoná-lo”.[1]
Aos 19 anos de idade, Newton foi obrigado a se alistar como aspirante da Marinha para servir no navio HMS Harwich. Passado algum tempo, ele desertou, foi capturado, encarcerado, açoitado a bordo do navio, fustigado com chicote de nove tiras, e rebaixado. Então Newton entrou em terrível depressão e desespero, que o levaram, por vezes, a querer se lançar ao mar e a planejar maneiras de assassinar o capitão que o humilhara. Entretanto, não demorou muito para que a situação dele mudasse, quando o capitão de seu navio fez uma permuta entre ele e marinheiros de um navio que estava preste a zarpar para a África Ocidental à procura de escravos.

A Época no Tráfico de Escravos

Em meados de 1700, o tráfico de escravos era um negócio lucrativo. Mais de 100 mil escravos foram trazidos para o Novo Mundo em navios ingleses.[2] William E. Phipps escreveu: “No século XVIII, a média de mortalidade dos escravos durante o trajeto [da África para algum porto no Caribe ou nos Estados Unidos, onde eram vendidos] em navios ingleses era de aproximadamente quinze por cento”.[3] Cerca de 15 mil escravos africanos morreram a bordo de navios ingleses nessa época.
Em meados de 1700, o tráfico de escravos era um negócio lucrativo. Mais de 100 mil escravos foram trazidos para o Novo Mundo em navios ingleses.
Em seu novo ambiente, Newton não fez absolutamente nada para ser benquisto pelos oficiais do navio. Ele compôs uma cantiga de escárnio para ridicularizar o capitão do navio e a ensinou para a tripulação inteira. Após capturar uma lucrativa quantidade de escravos, Newton ganhou a permissão de ficar na África, ao longo da costa da Guiné, onde trabalhava para um traficante de escravos inglês que vivia com uma amante africana. Essa mulher não gostava de Newton. Quando Newton contraiu malária, ela o tratou cruelmente, com insultos e subnutrição para que morresse de fome.
Tempos depois, Newton foi injustamente acusado de roubar o traficante inglês. Ele ficou acorrentado com cadeias no convés do navio daquele homem e foi mantido com pouca comida, água e roupa. Na verdade, ele se tornou escravo daquele homem e, por ironia do destino, recebeu o mesmo tratamento com o qual eram tratadas as pessoas que tinham sido escravizadas com a ajuda dele.
Esse tormento durou um ano, até que Newton convencesse seu dono a cedê-lo para um outro traficante de escravos. Seu novo senhor tratou-o com bondade e o colocou na supervisão das “feitorias” (prisões para escravos localizadas nos portos).
Apesar dos olhos vigilantes de seu antigo senhor traficante de escravos, Newton conseguiu enviar algumas cartas para seu pai, nas quais pedia socorro. Certo dia, um navio mercante denominado Greyhound [i.e., “cão pernalta e veloz”] chegou onde Newton estava. Ele fora enviado àquele lugar por ordem do pai de John Newton. A princípio, Newton hesitou em deixar seu negócio que a essa altura já era lucrativo, mas, por fim, concordou em voltar à Inglaterra. Newton foi mantido cativo na África por 15 meses ao todo.
A bordo do Greyhound em sua viagem de volta, Newton demonstrou ser o homem mais profano e devasso do navio. Certa noite, ele estava tão bêbado, que quando seu chapéu caiu no mar pela força do vento, se outro marujo não o agarrasse pela roupa, ele teria se lançado nas águas em busca do chapéu.
Mais tarde naquela viagem, Newton folheou um dos poucos livros que havia a bordo –Imitation of Christ [i.e., “Imitação de Cristo”]. Newton começou a ler esse livro como um mero passatempo, mas, depois, passou a se perguntar o que lhe aconteceria se aquilo que nele estava escrito fosse verdade. Ele ficou com medo e fechou o livro.

Atingido Pela Tempestade

Naquela noite de 21 de março de 1748, uma violenta tempestade se abateu sobre o navio, que por pouco não afundou. Homens, animais e provisões foram arrastados pela força das águas e caíram no mar. Newton orou a Deus pela primeira vez depois de anos. Ele temia estar à beira da morte e, se a fé cristã fosse verdadeira, estava certo de que não seria perdoado. John refletiu em tudo o que fizera naqueles últimos anos, inclusive a atitude de zombar dos fatos históricos do Evangelho, e ficou abalado.
Passados quatro dias, a tempestade diminuiu. Pela providência de Deus, a cera de abelha, que se encontrava no porão de carga, ajudou que o navio continuasse a flutuar. Newton atribuiu a Deus aquele livramento que tiveram. Ele começou a ler o Novo Testamento com mais interesse. Quando chegou à passagem de Lucas 15, John percebeu os impressionantes paralelos entre a sua vida e a vida do filho pródigo.
O navio ficou à deriva por um mês. Os suprimentos se esgotaram. O capitão culpou a blasfêmia de Newton como a causa dos problemas que enfrentavam e cogitou a hipótese de jogá-lo ao mar, à semelhança de Jonas. O navio avariado finalmente conseguiu seguir seu rumo para a Irlanda do Norte, a tempo de não ser apanhado por um vendaval que começava a ocorrer. Newton reconheceu que Deus respondera sua oração.
Ao chegarem em terra firme, Newton tomou a decisão de não mais xingar e blasfemar. Ele chegou a voltar para a igreja. Entretanto, ainda não era um crente em Jesus. Mais tarde ele declarou: “Penso que aquele foi o início de meu retorno para Deus, ou antes, o retorno dElepara mim; contudo, só considero que vim a ser crente em Cristo (no sentido pleno da palavracrente) muito tempo depois daquele momento”.[4]

Regenerado Pela Fé

Naquela noite de 21 de março de 1748, uma violenta tempestade se abateu sobre o navio, que por pouco não afundou. Newton orou a Deus pela primeira vez depois de anos.
Em 1749 Newton zarpou como primeiro piloto de um navio negreiro. A essa altura, ele já tinha se esquecido do compromisso que assumira e recaiu nas antigas práticas pecaminosas. Enquanto buscava escravos ao longo da costa ocidental da África, John Newton foi novamente acometido de malária, situação que o levou a refletir mais uma vez sobre a sua vida. Diante das misericórdias de Deus para com sua vida, ele estava absolutamente convicto da culpa pelos erros que recentemente cometera. Meio delirante e enfraquecido, Newton se levantou da cama e caminhou com dificuldade até um lugar afastado da ilha. Naquele local, percebendo a futilidade de tomar decisões autoconfiantes, “ele se entregou ao Senhor”, escreve Richard Cecil, “para que Deus fizesse com ele aquilo que fosse do Seu agrado. Ao que parece, nada de novo acontecia em sua mente, exceto o fato de que ele estava apto para confiar e crer num Salvador crucificado”.[5] A incrível graça de Deus preciosamente se manifestou no exato momento em que John Newton creu pela primeira vez.
Daquele momento em diante, a vida de Newton mudou gradativamente. No começo, como acontece com a maioria dos crentes, ele não percebia todas as áreas de sua vida que precisavam ser transformadas pela graça de Deus.
Por exemplo, por cinco anos, ele enfrentou lutas quanto à certeza de sua salvação. Todavia, através do encorajamento dado por outro capitão de navio, que também era crente em Cristo, as dúvidas foram vencidas, conforme Newton declarou: “Eu comecei a entender [...] e a ter esperança de ser preservado e salvo, não por meu próprio poder e santidade, mas pelo imenso poder e promessa de Deus, através da fé num Salvador imutável”.[6]
A mudança mais evidente na vida de Newton se deu na área do tráfico de escravos. Um ano antes de crer em Jesus Cristo, John Newton se tornou capitão de um navio negreiro. Nos quatro anos seguintes à sua salvação, Newton realizou três viagens com o intuito de buscar escravos na África e levá-los para serem vendidos no Caribe. Durante essas viagens, Newton liderou sua tripulação em cultos de adoração e em momentos de oração. Contudo, ele também foi forçado a sufocar rebeliões de escravos, chegando a ponto de utilizar instrumentos de tortura para apertar polegares a fim de arrancar confissões.
Mais tarde, Newton se conscientizou de que o tráfico de escravos e sua participação nele eram algo moralmente ultrajante e repulsivo. Ele afirmou: “a força do hábito, o exemplo e o interesse [comercial] cegaram meus olhos”.[7]
A partir do momento em que o Espírito Santo convenceu John Newton dos males e pecados envolvidos no tráfico de escravos, ele passou a trabalhar incansavelmente para extingui-lo num esforço de décadas. Ele foi orientador e conselheiro de um crente em Cristo mais novo do que ele, chamado William Wilberforce, o qual atuou no Parlamento Britânico. Wilberforce se tornou o mais notável e eficaz abolicionista da história da Inglaterra. Alguns meses antes da morte de Newton, ocorrida em 21 de dezembro de 1807, o Parlamento Britânico aprovou o Decreto da Abolição do Tráfico de Escravos, o que muito alegrou Newton.

A Ternura da Graça

Antes de experimentar a graça salvadora de Deus, John Newton não tinha o menor receio de xingar e proferir palavrões quando relampejava, de blasfemar contra o Deus do céu, de zombar da Bíblia, de ridicularizar a consagração a Deus, de se envolver em atos depravados, nem o mínimo escrúpulo de comprar e vender seres humanos como se fossem objetos ou mercadorias.
Entretanto, John Newton mudou completamente após a sua conversão. Mais tarde, ele se tornou pastor e exerceu o ministério pastoral por 23 anos, sempre salientando em seus sermões o tema da graça de Deus. Ele compôs e publicou centenas de hinos, inclusive o hino intitulado How Sweet the Name of Jesus Sounds [que traduzido quer dizer: “Quão doce soa o nome de Jesus”] (um nítido contraste com a época blasfema de sua vida pregressa), bem como demonstrou incessante hospitalidade em sua casa.
Ele manteve comunhão com alguns dos mais notáveis nomes do avivamento evangélico na Inglaterra, tais como George Whitefield e John Wesley; ensinou e encorajou pessoas influentes como o grande missionário William Carey, o poeta William Cowper, e o abolicionista William Wilberforce; além disso, tornou-se um dos maiores defensores do fim da escravidão na Grã-Bretanha.
Como explicar tamanha transformação na vida de um homem? Semanas antes de sua morte, já velho e debilitado, Newton explicou: “Minha memória praticamente se foi; mas ainda consigo me lembrar de duas coisas: que eu sou um tremendo pecador e que Cristo é um tremendo Salvador”.[8] (Bruce Scott - Israel My Glory - http://www.chamada.com.br)

Notas:

  1. Richard Cecil, The Works of the Rev. John Newton, 3ª ed., vol. 1, 1824; reimpressão, Carlisle, PA: The Banner of Truth Trust, 1985, 1:4.
  2. William E. Phipps, Amazing Grace in John Newton: Slave-Ship Captain, Hymnwriter, and Abolitionist, Macon, GA: Mercer University Press, 2001, p. 63.
  3. Ibid., p. 60.
  4. Cecil, p. 33.
  5. Ibid., p. 37.
  6. Phipps, p. 66.
  7. Ibid., p. 202.
  8. Ibid., p. 238.
Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, março de 2008.
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