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9 de maio de 2020

6 lições que a Igreja está experimentando durante a Pandemia

1. Redescobrindo a verdadeira essência da Igreja
A primeira lição que igreja está experimentando durante esta pandemia é que estamos redescobrindo a verdadeira essência da igreja.
O afastamento social está nos possibilitando olhar a igreja de uma maneira diferente daquela que estávamos acostumados a ver. Se antes estávamos vivenciando uma vida cristã dentro das paredes do templo, focada apenas na satisfação de nossos desejos espirituais e voltada só para o atendimento de nossas necessidades emocionais, agora estamos percebendo o quanto estamos autocentrados ao redor do nosso umbigo. A seta que indica o caminho está voltada para dentro.
Distanciados fisicamente, percebemos que nossas comunidades têm se afastado da essência da Igreja, que é justamente ser luz para o mundo e sal para a terra. Estamos redescobrindo que não temos impactado a sociedade ao nosso redor, porque não estamos sendo obedientes ao nosso Senhor e ao seu mandado de que a medida que caminharmos devemos fazer discípulos de todas as nações. A seta que indica o caminho deve estar direcionada para fora.
As pessoas de nossas igrejas, em seu distanciamento comunitário, estão reparando nisso e estão sendo impelidas pelo Espírito a reavaliarem seu entendimento sobre a verdadeira essência da igreja e a redirecionarem suas energias para aqueles que não pertencem ao rebanho de Cristo.
2. Redescobrindo o essencial na vida da Igreja
A segunda lição que igreja está experimentando durante esta pandemia é que estamos redescobrindo o que de fato é o essencial na vida da Igreja.
Em janeiro tínhamos uma agenda bem elaborada para as atividades da igreja e um bom planejamento para os eventos. Só não contávamos com a pandemia. Ela desmontou nossas agendas e nosso planejamento estratégico foi por água abaixo. Aquilo que parecia ser essencial para a vida da igreja, os eventos e as programações, que quase sempre são voltadas para os próprios membros, deixou de existir instantaneamente. Sem essas atividades, estamos nos perguntando o que de fato é o essencial na vida da igreja.
Estamos descobrindo debaixo de nossas agendas alguns post-its com lembretes do Senhor de que a comunhão semanal da igreja tem, pelo menos, três propósitos principais: Primeiro, os cultos são para celebrar as maravilhas que Deus realiza semanalmente no meio do seu povo; Segundo, os encontros comunitários servem para estreitar os laços entre as pessoas que professam a mesma fé e fortalecer a todos que enfrentam as mesmas lutas diariamente; Terceiro, as reuniões da igreja devem ser a oportunidade de aprendizagem e treinamento para a missão de proclamar o Evangelho e fazer discípulos.
Quando penso nesses propósitos, lembro da transfiguração de Jesus. Pedro, Tiago e João estão com Jesus em um monte e logo a aparência de Jesus é transformada em um brilho só. Elias e Moisés se juntam a eles. Ali estavam em plena comunhão: Jesus, o Mestre; Moisés, o Legislador; Elias, o Profeta; e Pedro, Tiago e João, os Discípulos. Que encontro maravilhoso, diz Pedro! Dá até vontade de ficar ali para sempre. E é isso que Pedro sugere ao dizer ao Senhor: Se quiser, farei três tendas: uma será sua, uma de Moisés e outra de Elias. (Mateus 17.4). Imediatamente, a voz de Deus ressoa e diz: Este é meu Filho amado, que me dá grande alegria. Ouçam-no! (Mateus 17.5). Então, o brilho se desvanece e todos descem o monte transformados para a missão.
É tão bom e tão bacana que a irmandade desfrute a comunhão e celebre os grandes feitos do Senhor semanalmente e, então, saia dali intencionalmente para servir ao mundo com o Evangelho. Isso é o essencial na vida da igreja.
3. Redescobrindo o Pão do Céu além da Ceia
A terceira lição que igreja está experimentando durante esta pandemia é que estamos redescobrindo que o Pão do Céu vai muito além do pão da Ceia.
Estávamos acostumados a celebrar a Ceia do Senhor apenas entre nós cristãos e isso só era possível em nossas reuniões dominicais. Mas agora, ao nos achegarmos à Mesa do Senhor de forma online, quantos outros que não pertencem às nossas igrejas se achegam também?
A Comunhão dos Santos ganha um novo significado nas palavras anunciai a morte do Senhor até que ele venha, pois nos deparamos com pessoas famintas do Pão do Céu e a elas anunciamos o pão eterno como um oferecimento gracioso de Deus para todos.
Estamos redescobrindo que além do pão “espiritual” devemos oferecer o pão nosso de cada dia a todos os que dele necessitam. E isso está gerando uma maior fraternidade e solidariedade entre as pessoas, cristãs ou não, pois está manifestando a preocupação de cada cristão em estender suas mãos aos que também carecem do pão cotidiano. Este “serviço da mesa”, aquela diaconia restrita aos diáconos e diaconisas, agora está sendo praticado por muitos, que não são ordenados para esse serviço, mas que servem as mesas com amor e dedicação, repartindo o pão de casa em casa.
Enquanto você lê isso o Espírito não faz você lembrar das vezes que Jesus multiplicou os pães para que os discípulos alimentassem a multidão, que estava faminta por ter ficado até tarde ouvindo o Mestre ensinar e proclamar o Reino de Deus?
A celebração da Ceia é também um envio para um mundo carente de pão e de salvação e ambos se encontram em Jesus: a salvação pela sua morte e ressurreição, e o pão pela solidariedade, fraternidade e serviço diaconal de seus discípulos para com o mundo.
4. Redescobrindo a leitura e o ensino da Bíblia
A quarta lição que igreja está experimentando durante esta pandemia é que estamos redescobrindo que a leitura e o ensino da Bíblia é um exercício espiritual diário.
A Bíblia sempre foi o livro do povo de Deus. Acontece que muitos abriram mão do direito de ler e ensinar as Escrituras em favor de “especialistas”, que leem por eles e por muitos outros.
Em casa, como a família, a meditação bíblica voltou a ser uma prática familiar como há muito tempo não se via, imagino que desde o culto doméstico praticado no distante século 20. A retomada da leitura da Bíblia nos lares está dando a muitos uma autonomia de escolher os textos que mais atendem as suas necessidades, tornando possível responder perguntas que elas realmente estão fazendo e não aquelas perguntas que os pregadores imaginam que elas estejam fazendo.
O distanciamento social está ajudando o povo a se conectar diretamente com Deus através da sua Palavra. Isso é muito significativo, pois trará para as igrejas as verdadeiras questões do dia a dia, forçando a comunidade encontrar respostas para as demandas reais de pessoas reais.
5. Redescobrindo o Sacerdócio de todos os crentes
A quinta lição que igreja está experimentando durante esta pandemia é que estamos redescobrindo o Sacerdócio Universal de todos os crentes.
O Coronavírus tem forçado muitas pessoas a descobrirem os seus dons e a colocar esses dons em prática dentro de seus lares. Isolados fisicamente da igreja, mulheres e homens, que antes estavam acostumados a terceirizar as responsabilidades nos ministérios da comunidade, agora começam a redescobrir seus papéis na igreja.
Até antes da pandemia, entendíamos que o encargo de manter a igreja funcionando era somente daquelas pessoas eleitas ou nomeadas para cargos e funções. Agora, estamos tendo que ensinar os nossos filhos; estamos lendo a Bíblia; contribuindo; distribuindo os elementos da Ceia; orando; exercendo liderança; falando do amor de Deus para outros etc.
Você pode dizer que isso as pessoas já faziam. Está bem. Mas o que é diferente, é que elas estão redescobrindo que podem assumir esses compromissos por si mesmas, porque elas percebem que possuem talentos e dons espirituais e que estão sendo guiadas pelo poder do Espírito Santo. E isso é diferente, pelo menos para a maioria das igrejas focadas em uma hierarquia rígida com pouco espaço para o exercício do sacerdócio de todos os crentes.
6. Redescobrindo a Visão do Reino de Deus
A sexta lição que igreja está experimentando durante esta pandemia é que estamos redescobrindo a visão do Reino de Deus.
Antes da pandemia as igrejas estavam autocentradas. O Covid-19 “dispersou a Igreja” que, aos poucos, vai tomando consciência de que o Reino de Deus está entre nós e que ele é bem maior do que a própria igreja. Devagar e sem perceber a igreja vai se dando conta de que seu papel é bem mais modesto do que às vezes queremos atribuir a ela.
Essa retomada da visão do Reino de Deus está em curso não porque estamos refletindo a esse respeito, mas porque estamos pondo em prática os valores do Reino dos Céus, como diz Mateus, valores expressos especialmente no Sermão da Montanha. Esses valores incluem amar ao próximo e aos inimigos; promover a paz; exercer a misericórdia; praticar a esmola, a oração e o jejum, entre outros.
Você pode dizer que isso a igreja sempre fez. Certo, mas as pessoas sempre fizeram muito mais como igreja do que como cidadãos do Reino de Deus. Aliás, posso dizer que nas últimas gerações raramente tivemos tamanha oportunidade e necessidade de praticarmos os valores do Reino de Deus para além das paredes do templo. Parece que o distanciamento social tem aumentado a sensibilidade das pessoas. E o Espírito de Deus está canalizando essa sensibilidade para o serviço às nações como parte da expansão do Reino de Deus.
As lições que estamos experimentando como igreja durante esta pandemia estão apenas começando. Podemos afirmar que nunca mais seremos os mesmos, não porque não podemos mais ser os mesmos, mas porque não devemos mais ser os mesmos.
As redescobertas que estamos fazendo como povo de Deus são lições preciosas sobre pontos importantes da Igreja. Estamos nos perguntando sobre a própria essência da Igreja e isso é sobre seu propósito único, aquele propósito proposto por Jesus. Estamos nos questionando sobre o que de fato é essencial na vida da Igreja e isso é sobre as finalidades do culto e às funções das reuniões no templo. Estamos nos interrogando sobre a dimensão e extensão do sacramento da Ceia e isso é sobre o anúncio do pão espiritual e a partilha do pão material. Estamos nos indagando sobre a leitura e o ensino da Bíblia e isso é sobre a legitimidade e capacidade de todos para ler e ensinar as Escrituras. Estamos nos interpelando sobre o sacerdócio universal de todos os crentes e isso é sobre o exercício dos dons espirituais sob a direção do Espírito Santo. Estamos no inquirindo sobre a visão do Reino de Deus e isso é sobre a amplitude do agir de Deus no mundo.
A pandemia do novo Coronavírus criou uma atmosfera de preocupação, medo, dor, sofrimento, isolamento e distanciamento social. Tudo isso é muito grave e dolorido. Porém, o Covid-19 nos deu também o tempo necessário para repensarmos nossa forma de ser igreja e a oportunidade única de redescobrirmos nossa vocação como filhas e filhos de Deus.
Certamente que ainda é cedo para tirarmos conclusões definitivas sobre os efeitos da pandemia na vida da igreja. Mas as mudanças que estão em curso na comunidade de fé já estão nos transformando e continuará a nos transformar para muito além da crise do Coronavírus. A redescoberta do nosso propósito como igreja no mundo terá um efeito duradouro pelas gerações seguintes, se aprendermos essas e outras lições que Deus está nos fazendo experimentar no presente momento.
Assim, continuamos a orar para que o Senhor continue a nos transformar de forma poderosa.

José Roberto Cristofani

Artigo publicado originalmente no BLOG do autor
Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

20 de março de 2013

Não vos Conformeis - Carta da VINACC à igreja brasileira




A VINACC – Visão Nacional Para a Consciência Cristã – promotora do Encontro Para a Consciência Cristã há 15 anos em Campina Grande-PB, lançou, nesta sexta-feira (15/03), uma carta endereçada aos evangélicos brasileiros, exortando-os a não se conformarem com este século, conforme mensagem do apóstolo Paulo aos Romanos, capítulo 12, versículo 2.
A Carta é resultado de obervações feitas durante as sete ministrações noturnas do XV Encontro Para a Consciência Cristã, realizado de 6 a 12 de fevereiro de 2013, pelos pastores: Hernandes Dias Lopes, Geremias do Couto, Renato Garcia Vargens, Aurivan Marinho, Mauro Meister, José Bernardo e Ricardo Bitun. Eis a carta na íntegra.

Não vos conformeis

Carta da 15ª Consciência Cristã

A Igreja Brasileira, solidamente representada no XV Encontro para a Consciência Cristã, realizado em Campina Grande de 6 a 12 de fevereiro de 2013, incumbiu-se de avaliar a situação do movimento evangélico em nossa nação, à luz da convocação que o apóstolo Paulo fez aos crentes em Roma, para a prática da teologia que ensinou nos onze primeiros capítulos da carta que lhes escreveu: “Portanto, irmãos, rogo pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional  de vocês.  Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Vivemos tempos de grande inquietude para aqueles que decidiram conhecer, praticar e ensinar as Escrituras como a Palavra de Deus. Por todo lado se ouve de heresias, mundanismo, desvio e promiscuidade com toda sorte de ideias de homens: por fraqueza e ignorância, por conveniência e prazer, por ganância e apostasia. Os lobos passeiam livremente pelo meio do rebanho e dilaceram as ovelhas e o dano que fazem nos horroriza; não podemos observá-lo passivamente. Exortamos e animamos a igreja a tomar-se de um inconformismo santo que a impulsione à mudança. Nós chamamos a Noiva a encher-se de um descontentamento que a leve à transformação no íntimo, cremos que somente assim experimentaremos as coisas boas e desejáveis que Deus quer para nós.

Não vos conformeis com a amargura
A felicidade exaustivamente propagandeada nos comerciais de televisão é fugidia. De fato, vivemos em um mundo cada vez mais infeliz, amargurado, cheio de angústias, desespero e perplexidade. A infelicidade serve apenas aos mercadores de sonhos e envolve as pessoas em uma inútil e ansiosa corrida. Nesse cenário a depressão é uma pandemia que afeta a Igreja tanto quanto o mundo e enfraquece a motivação para a transformação e para o serviço. Sabemos que a alegria do Senhor é a nossa força, mas nossa alegria é roubada todos os dias: a) pelas circunstâncias, quando não conhecemos a grandeza de Deus; b) pelas pessoas, quando não exercemos o perdão; c) pelo dinheiro, quando amamos as coisas materiais; d) pela preocupação quando nos falta fé. Deixemos de lado essa tristeza mundana e abracemos a alegria no Senhor nosso Deus.


Não vos conformeis com a soberba
A arrogância do ser humano chega a tal ponto que ele se achou dono da verdade, cada um de sua própria e particular verdade. As pessoas tornaram-se tão evidentes aos próprios olhos que não podem mais enxergar o próximo e são incapazes de ver Deus. A Igreja tem sido afetada por esse orgulho, por essa vaidade, e sofrido as mesmas consequências que em Babel: Como Igreja, estamos separados, divididos, não nos entendemos e não servimos a Deus, porque estamos cultuando mais a homens e aos desejos da carne, porque estamos construindo para nossa própria glória, achando que podemos atingir o céu por nossos próprios méritos. Deus, em sua graça insuperável, poderia nos lembrar de que somos pó, mas temos fugido disso: a) quando rejeitamos o sofrimento; b) quando desprezamos o autocontrole; c) quando valorizamos nossos próprios desejos; d) quando ignoramos os planos de Deus para nós. Venha Igreja! Gloriemo-nos em nossas fraquezas, pois quando estamos fracos é que somos fortes.


Não vos conformeis com o pecado
Ló, separando-se de Abrão, escolhendo as campinas verdejantes, tão aprazíveis que se pareciam com o Jardim do Senhor, ficando cada vez mais perto de Sodoma e Gomorra e finalmente perdendo tudo, é um modelo do que acontece com a Igreja e com os crentes hoje. A cobiça dos olhos tem atraído, seduzido, gerado pecado e morte. A ganância pelas coisas materiais, pelo sucesso a todo custo, a busca insana pela aceitação do mundo e pela fama têm sido tão envolventes e ilusórias que os crentes se aproximam do pecado achando que estão encontrando a bênção de Deus. O pecado se torna aceitável e tão comum que às vezes parece obrigatório. Nesses dias chamamos a Igreja para reagir, nós a conclamamos a: a) odiar o pecado como Deus o odeia; b) fugir do pecado como Deus ordenou; c) buscar a santidade como Deus é santo; d) denunciar o pecado falando o que Deus diz sobre ele. Confiados de que temos recebido na graça os recursos para uma vida em santidade, chamamos os crentes a serem amigos de Deus, porque os amigos do mundo são inimigos de Deus.


Não vos conformeis com a igreja
Quando as igrejas estão se conformando com o mundo, não podemos nos conformar com elas. A Igreja sempre lutou contra heresias: Os judaizantes e os gnósticos no primeiro século, os ataques à humanidade ou à divindade de Cristo, a mercantilização da salvação na Idade Média, a negação da Verdade na modernidade, a contaminação da verdade na pós-modernidade. A diferença é que hoje a crise que a Igreja enfrenta é eclesial. As pessoas percebem que as igrejas têm se desviado do plano de Deus e, com isso, as abandonam e menosprezam. O inconformismo que a Palavra de Deus exige de nós nada tem a ver com essa atitude de descompromisso. A Igreja é uma instituição divina e se expressa institucionalmente. Somos chamados a enfrentar o mundanismo e o pecado dentro dela, não pelo abandono, mas lutando para que seja a Igreja que Cristo quer: a) igreja com a missão de Cristo; b) igreja com a confissão de Cristo; c) igreja com a revelação de Cristo; d) igreja com a autoridade de Cristo. Não nos conformemos! Há esperança para a Igreja do século XXI, pois é Deus quem estabelece a revelação que a mantém. Portanto, trabalhemos por uma igreja que cumpra o propósito dado pelo Senhor segundo os recursos que Ele mesmo provê.


Não vos conformeis com o culto
O culto que oferecemos a Deus nesse mundo tem sido marcado pela alienação e pelo simplismo. As pessoas nos conhecem mais por nossas obrigações do que por nossas motivações, mais por nossos costumes do que por nosso pensamento. Nossa adoração a Deus não tem produzido os resultados que Deus espera de nós, em nossas vidas ou nas vidas daqueles que nos observam. Mas Deus nos chama para um culto em que nos ofereçamos continuamente em santidade ao Senhor, de modo que isso seja primeiro agradável a Ele e, assim, se torne agradável a nós. Esse culto que devemos oferecer a Deus deve ser: a) fundamentado em sólido conhecimento das Escrituras; b) caracterizado pelo dar de nós mesmos; c) distinguido pela renovação de nossa mente; d) resultante na experimentação da vontade de Deus. Não nos conformemos com um culto que não seja aceitável a Deus. Seja o nosso culto um sinal da presença de Deus para todos os homens, um testemunho incontestável da graça salvadora de Jesus. Ofereçamos a Ele um culto que o agrade verdadeiramente e comecemos isso, como Paulo, pelo ensino da sã doutrina.


Não vos conformeis com o silêncio
A Igreja foi chamada para comunicar o Evangelho e ensinada por Cristo a fazê-lo na pregação, no ensino, no testemunho e na representação. Como crentes em Cristo não podemos nos calar a qualquer pretexto ou em qualquer situação. Devemos obedecer a Deus primeiro, não aos homens, e responder a quem quer que questione a esperança que recebemos em Cristo. Mas a Igreja tem se calado nas escolas e universidades, nos locais de trabalho e nos lugares públicos, com os amigos e os vizinhos, às vezes com a própria família. Os crentes têm emudecido por causa das leis, para não perder os amigos ou clientes, para não perder o status ou o emprego, temendo multas e prisão. A Igreja tem sido afrontada com mentiras e calúnias, ameaçada e desprezada, e não tem sido capaz de responder, porque teme coisa que acha pior. Nesse cenário somos chamados a: a) não ter medo como as pessoas do mundo; b) não ficarmos alarmados diante da perseguição; c) termos Cristo como único Senhor, único dono de nossa vida; d) nos prepararmos para responder a qualquer pessoa que questione a esperança que temos em Cristo. Rompamos o silêncio e anunciemos o Evangelho, respondamos a qualquer pessoa e em qualquer situação, a tempo e fora de tempo!


Não vos conformeis com a morte
Muitos líderes têm deixado uma lacuna de integridade, um vazio de direção, uma ausência de paz no meio da Igreja. Nosso povo, muitas vezes, está perplexo, confuso, inseguro e isso causa temor e angústia acerca do futuro da Igreja. Essa era a situação de Israel no início do livro de Isaías. O inimigo estava às portas, o pecado consumia o povo e o rei morreu deixando um trono vago. Nessa situação o profeta teve uma visão que a Igreja Brasileira também precisa ter: a) uma visão da soberania de Deus; b) uma visão da santidade de Deus; c) uma visão da miséria humana; d) uma visão dos meios para a salvação. Depois dessa visão Isaías pode ser comissionado para o ministério que denuncia o pecado e que anuncia a restauração. Diante dos problemas e dificuldades que enfrentamos na Igreja nesses dias, não podemos nos conformar com a mesmice, não podemos nos entregar à estagnação, não podemos nos conformar com uma igreja morta. Deus reina soberano, Ele é santo, Ele ama a nós pecadores e proveu meios para nos salvar, portanto, apresentemo-nos para a missão que Ele anuncia. A revelação dessas coisas deve ser continuamente enfatizada aos crentes, até que, inconformados, clamem contra o pecado e celebrem a alegria da salvação.

Aos trinta dias do encerramento do 15° Encontro para a Consciência Cristã, em 12 de março de 2013, nós reafirmamos, juntos, que não nos conformamos com a estagnação da presente era, antes buscamos mudança pela renovação de nossa mente.

30 de maio de 2012

Razões e consequências da guerra cultural no Brasil


por Valmir Nascimento 
[Artigo publicado no Mensageiro da Paz - Abril/2012]
 Estamos em meio a uma guerra silenciosa. Não se trata de um embate internacional, civil ou étnico, mas sim cultural. Um conflito travado entre os adeptos dos principais sistemas de ideias que movem a sociedade e que apresentam formas diferentes de ver o mundo, compreender a vida e definir o que é certo ou errado, justo ou injusto.
Por muito tempo, essa tensão social foi representada pelo embate entre o comunismo e o capitalismo, mas depois da queda do muro de Berlim tal disputa perdeu completamente o seu sentido. Como escreveu o ex-professor de Harvard, Samuel Huntington, em seu livro “O choque das civilizações”, no final da década de 80 o mundo comunista desmoronou e o sistema internacional da Guerra Fria virou história passada. Com isso, Huntington previu uma reconfiguração da política mundial seguindo linhas culturais e civilizacionais. Segundo ele, os conflitos mais abrangentes, importantes e perigosos não se dariam entre classes sociais, ricos e pobres, ou entre outros grupos definidos em termos econômicos, mas sim entre povos pertencentes a diferentes entidades culturais e religiosas. Huntington então vislumbrou um conflito entre as civilizações do mundo ocidental e o mundo islâmico.
Ocorre que Huntington não chegou a prever o choque cultural dentro do próprio Ocidente, entre os defensores da ética oriunda do modelo judaico-cristão e os adeptos do liberalismo e do relativismo moral. E é exatamente sobre esta guerra cultural que estamos falando. Mais especificamente sobre o choque entre a cosmovisão cristã e o pensamento liberal.
O epicentro do conflito entre os cristãos e os liberais reside exatamente nas concepções divergentes sobre questões éticas. E esse tipo de discussão tem uma influência decisiva na vida política, econômica e jurídica do país. Os debates que envolvem critérios de justiça, distribuição de renda, se o Estado deve ser mínimo ou de bem estar social, se o aborto, a pena de morte, o casamento homossexual e a descriminalização das drogas devem ser condutas aceitas, são temas que, invariavelmente, passam pelo crivo dos fundamentos ético-morais que norteiam a sociedade.
Hoje, porém, estes fundamentos estão transtornados (Sl. 11.3). O pensamento liberal defende que as pessoas têm o direito de fazer o que quiser com aquilo que lhes pertence, desde que sejam respeitados os direitos dos outros de fazer o mesmo. Outro professor de Harvard, Michael J. Sandel, em seu livro “Justiça”, explica que uma das principais características deste sistema de pensamento é a rejeição da legislação sobre questões morais. Os libertários são contra a aprovação de leis que promovam noções de virtude ou para expressar as convicções morais da história.
Para agravar ainda mais a concepção liberal, o ideal pós-moderno advoga a inexistência de uma verdade absoluta, capaz de estabelecer regras universais para todos os homens. Para eles, “o que é certo para nós talvez não o seja para você” e “o que está errado em nosso contexto talvez seja aceitável ou até mesmo preferível no seu”.
A partir deste cenário, não é difícil entrever os motivos para a guerra cultural. Ao contrário da pós-modernidade e do liberalismo, a cosmovisão cristã é alicerçada em uma verdade absoluta, revelada por Deus por meio das Escrituras Sagradas.  A verdade é o fundamento do pensamento cristão; a viga mestra das suas doutrinas. E se há uma verdade absoluta, há também um padrão ético universal a ser seguido por todos os homens (Rm 2.14-15). Foi baseado neste padrão ético que o cristianismo influenciou decisivamente a sociedade, sendo responsável pelos principais fundamentos de justiça, igualdade e liberdade.
O secularismo que varre a Europa e os Estados Unidos tem contribuído ainda mais para o avanço desta guerra cultural. Sob o pretexto do laicismo (separação entre Estado e religião), os defensores da visão bíblica estão sendo hostilizados por defenderem valores tradicionais históricos. No Brasil este conflito também existe. Durante palestra realizada no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, em janeiro deste ano, Gilberto Carvalho, atual secretário-geral da Presidência da República, disse que o Estado deve fazer uma disputa ideológica pela “nova classe média”, que estaria sob hegemonia de setores conservadores. “Lembro aqui”, continuou Carvalho, “sem nenhum preconceito, o papel da hegemonia das igrejas evangélicas, das seitas pentecostais, que são a grande presença para esse público que está emergindo”. Embora tenha pedido desculpas posteriormente, em razão de várias manifestações dos evangélicos, o pronunciamento de Gilberto Carvalho descortina o atual embate cultural dentro da sociedade brasileira.
            O crescimento dos evangélicos e a saída da esfera privada para discutir assuntos de interesse público, como o aborto, a união homossexual e a descriminalização das drogas, por exemplo, são alguns dos fatores que tem desencadeado o embate. Isso porque gera uma contrapartida dos liberais que, incomodados com o avanço do “conservadorismo”, tentam de todo modo neutralizar os debates sobre questões éticas, rotulando-os de puramente religiosos.
A tentativa dos liberais de frear a manifestação dos evangélicos não é um golpe somente contra os religiosos, mas contra a própria Constituição Federal, que estabelece que todos são iguais perante a lei e que ninguém  será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política. Um Estado Democrático de Direito pressupõe a possibilidade de debates e discussões livres pelos vários grupos que compõem a sociedade. Abafar a voz dos “conservadores” constitui-se na instauração de um Estado totalitário, que tenta impor coercitivamente uma ideologia liberal.
O argumento de que em um Estado laico os religiosos não podem ter espaço no ambiente público é um grande embuste; uma verdadeira deslealdade intelectual. A discussão do que é justo ou injusto, certo ou errado, são questões que não dizem respeito apenas à maneira como os indivíduos devem tratar uns aos outros. Elas também dizem respeito a como a lei deve ser e como a sociedade deve se organizar. E essa discussão parte do debate sobre a Ética, também chamada de filosofia moral. E assim como as várias teorias existentes (liberalismo, utilitarismo, relativismo) o pensamento cristão também tem a sua própria concepção, e como tal necessita ter lugar à mesa de discussões públicas.
Ao não reconhecer esse direito, o Estado corre o risco de voltar a praticar a perseguição contra os cristãos do século I. Uma perseguição ideológica, sem derramamento de sangue, mas igualmente perigosa.

13 de junho de 2011

A conversão de Dona Bela


A primeira alma que "ganhei" para Cristo, chamava-se Dona Bela. Era uma negra de uns 40 anos, viúva e quase uma dezena de filhos. Morava na rua abaixo da nossa casa, no Bairro Jardim São Luís, Zona Sul de São Paulo. Lembro-me que sua família possuía muitos cachorros e muitas inimizades com a vizinhança por causa deles. Sua casa ficava em rua onde passavam muitas crianças da escola, não é necessário dizer que a cachorrada estava sempre correndo atrás de alguém, apupada e "incentivada" por alguém da casa de Dona Bela

Eu tinha meus 19 anos. Recém-chegado do "interiooorrr", para estudar e trabalhar em Sampa. Em menos de um ano na Capital já tinha aceitado Jesus, me batizado e firme ma fé. Como todo novo crente daquela época era muito consciente do valor que uma alma tinha para Cristo.

Morreu naquele tempo um filho adolescente de Dona Bela; e eu aproveitei a oportunidade para lhe falar do amor de Cristo. Não me lembro do que lhe dissera, mas o grande convite à fé,eu fiz. E Dona Bela aceitou Jesus levantando sua mão em sinal de entrega. Disso não me esqueço, como também que ela chorou, e depois me deu um beijo no rosto, em agradecimento.

Eu a convidei para ir a Igreja, e Dona Bela com suas filhas mais velhas passaram a freqüentar a mesma igreja que eu: A Igreja Casa de Deus da Rua 42, uma travessa da Rua Oito, na subida para o Jardim Monte Azul.

Entretanto, a minha alegria não durou muito. O pastor, um presbítero recém-saído das Assembléia de Deus, sempre muito sábio; não sei o que deu nele, maltratou a Dona Bela no culto - acho que ele percebera que ela bebia um pouco e a acutilou de forma aberta, e eu não gostei.

Eu chorei quando percebi a aspereza dele com Dona Bela.

Foi a primeira vez que me decepcionei na igreja. Muito novo, afastei-me por algum tempo, mas voltei logo depois, mais alegre e mais animado do que antes. Daí veio o batismo com o Espírito Santo, quase toda mocidade recebera ao mesmo tempo. Eram tempos muito alegres. Depois sobrevieram as perseguições, acusações, os mal-entendidos e o convite para ser um obreiro na casa de Deus.

Aceitei. Um mês depois recusei o cargo. Com apenas um ano de fé, achava-me muito novo. E por causa de umas acusações entre outras pessoas na Igreja, Devolvi o cargo de cooperador. 
Como poderia acontecer uma coisa daquelas dentro da Igreja do Senhor? O Pastor não gostou e sofri as conseqüências da "vara" e do "cajado" dele - Aquele mesmo que tratara "mal" a Dona Bela.

Muitos anos já se passaram. Quase quatro décadas. Da Dona Bela, nunca mais ouvi falar. Mas, as decepções, acusações, desprezos, mal-entendidos, pisões, cotoveladas continuaram de vez em quando sempre vinham. Anos mais tarde, quando tive a oportunidade de ser Pastor de uma congregação, experimentei na pele, como pastor, que isso faz parte de toda igreja. Não deveria, mas o aperfeiçoamento dos santos depende da distância que eles se encontram de Cristo. Quem tiver bons ouvidos, à medida que a palavra apropriada é dita, nos momentos certos, vai se convertendo e sendo santificando por ela.

Muitos jovens da minha época eram melhores e mais crentes que eu. Mas tenho visitado alguns deles - desviados. Isso me fez acreditar que a causa de minha conversão e permanência foram as orações de alguma pessoa que anonimamente olhou para mim, se compadeceu e passou a pedir que a salvação de Deus chegasse em minha vida.

Sei que assim é, pois também orei, por muitos anos, por um pai de família da minha rua que há muito se embriagava. Sua única companhia eram outros bêbados, que sempre eu via fazendo "vaquinhas" pela manhã,para comprar outra garrafa de "pinga". A família desse moço se tornou crente da igreja adventista. Eu sabia que seu filho adolescente, ao cair da noite, saia à procura do pai para trazê-lo, de volta, para casa. Meu vizinho, tornou-se um alcoólatra e nunca aproveitou a oportunidade que esteve dentro da sua casa.

Muitos cristãos estão se escandalizando com as orações não respondidas. Outros com o comportamento avarento, indiferente e exibicionista de muitos líderes cristãos. Jesus tem sido motivo de risadas entre o povo por causa do mau testemunho de alguns que estão seguindo em um caminho intermediário entre o largo o estreito.

Cada um dará conta de si mesmo a Deus.

Se eu não tomar cuidado, posso me escandalizar e abandonar a fé por causa de um pastor avarento e hipócrita. Basta que eu fique resmungando sempre e me deixe levar a olhar apenas o defeito alheio. A murmuração pode levar ao inferno tanto crentes novos quanto velhos. Por isso, tenho que manter meu foco em Jesus e na sua comissão: Ide por todo mundo e pregai o Evangelho. Quem crer e for batizado, será salvo; quem não crer já está condenado. E os sinais da fé, seguirão aos que crêem. Não posso me esquecer disso, ou vou entristecer o Espírito Santo.

E por se multiplicar a iniqüidade o amor de muitos esfriará!

Isso fala abertamente do pecado dentro da Igreja. Uns pecando e outros se escandalizando. A melhor solução para os dias de hoje é manter a presença do Deus em nossa vida procurando estar ocupados com alguma tarefa que glorifique o Nome do Senhor Jesus.. Ele é o que roga ao Pai o Espírito da alegria verdadeira.

E um cristão somente pode estar verdadeiramente alegre quando ele está dentro da vontade do Senhor. Quando ele está fazendo ou cuidando de fazer algo que honre o Senhor. Quando estamos no nosso devido lugar, o Espírito Santo nos transmite a alegria da presença de Deus. Eu penso que a frieza espiritual que acomete muitos crentes antigos é fruto da teimosia de continuar focando o alvo errado - a vida dos pecadores - e andando no caminho dos murmuradores.

Estará Jesus no meio da hipocrisia? Só há notícia ruim neste mundo? Não tem algo de bom para dar graças a Deus?

Sim! Jesus continua salvando bêbados, curando epilépticos (como eu fui), batizando com o Espírito Santo, livrando da morte e da sala de cirurgias muitos que estavam com os dias contados em todos os lugares do mundo. Será que isto não deve ser levado em conta nos dias de hoje, quando nos deparamos com uma corrupção crescente e avassaladora?

Eu descobri um documentário na Internet que mostra quatro vídeos da atuação da Igreja subterrânea da China. Quando printei algumas daquelas fotos e comecei a ver aquela gente orando e as lágrimas rolando pela face. As (fotos) mostram que não eram lágrimas de tristeza, mas de estarem na presença de Deus mesmo. É uma visão muito mais edificante que a vida torta de um pastor corrupto ou de um cristão hipócrita.

A Bíblia diz: "Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo e ele fugirá de vós". O diabo sempre procura nos enganar insinuando motivos sofismáticos. Regando com veneno os pensamentos de murmuração que costumam brotar em nossa mente.

Jesus está hoje na imprensa expondo a corrupção à luz; não importa se seja rabino, pastor, padre ou ateu - a luz da verdade sempre faz evaporar as aparências e revela a essência das coisas. Não há virtude fora de Cristo. Ele continua comissionando moços e moças a se tornarem médicos, como Ele; advogados de criminosos, com Ele. Mas Deus não abandonou a terra ainda.

Jesus está presente na vida dos missionários que morrem no Timor Leste.

Jesus Está presente nos hospitais guiando as mãos de médicos, enfermeiros em busca do milagre de manter a vida. Jesus está nas mãos calejadas do trabalhador honesto que sai de madrugada e volta depois das nove, apesar de um salário pequeno. Jesus está boca dos mestres que alfabetizam. Operando o milagre da vida nas maternidades. Está no cárcere no meio dos grupos de oração dando esperança de liberdade aos cativos. Jesus também está nas igrejas dos que oram mais e não ficam murmurando.

Assim diz o Senhor, no apropriado texto de Apocalipse: "Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda. E eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo para dar a cada um segundo a sua obra"

perspectiva de um abutre é desejar a carniça em lugar de desejar a vida.
Kevin Carter ganhou um prêmio "Pulitzer" por ter tirado a foto aí de cima. E também cometeu suicídio, alguns dizem, por causa dela. Seu olhar de fotografo experiente lhe dissera que estava diante de uma foto vencedora. Ele iria denunciar ao mundo como as pessoas morriam de fome a menos de um quilômetro dos armazéns humanitários da ONU, nos campos de refugiados do Sudão. Mas Carter poderia ter carregado a criança moribunda nos braços e levado até onde havia alimentos. Deus gostaria que ele tomasse esta atitude. Em lugar disso, correu para revelar sua foto em busca de honrarias. O prêmio veio, mas a foto acusava sua consciência!

Ele viu a criança com a mesma perspectiva de um abutre. Queria apenas ser crítico e mostrar ao mundo a incompetência da ONU. Mas ele poderia ter salvado a criança.

Nossa perspectiva de vida cristã pode nos trazer muitas alegrias, ou cravar um prego no caixão da sua vida espiritual dependendo da forma como olhamos para as pessoas e para a vida. Dependendo dela, nós podemos deixar de ser instrumentos ao serviço de Deus, e depois ainda perguntar: Onde Ele está!

22 de maio de 2011

O PIOR TIPO DE DESVIADO

O PIOR TIPO DE DESVIADO

Muitos cristãos se feriram em virtude dos mandos dos coronéis da fé
Por: Renato Vargens

     Certa vez ouvi do Dr. Shedd a afirmação de que em nosso país existem aproximadamente trinta milhões de pessoas que um dia frequentaram nossas igrejas, e que por motivos diversos já não o fazem mais. De fato, é extremamente comum observarmos por todos os lugares deste país, ex-cristãos que distantes da comunhão com Deus, do relacionamento da igreja, e do convívio dos irmãos, mergulharam novamente no pecado.
     Bom, antes de qualquer coisa, vale a pena ressaltar que ao escrever este texto não o faço com o desejo de discutir se os crentes em Jesus podem ou não cair da graça, isso fica para uma outra oportunidade. Na verdade, a minha proposta é tratar de forma específica daqueles que pelos motivos mais diversos abandonaram a fé.
     Caro leitor, dentre aqueles que outrora frequentaram os nossos templos, encontramos individuos que voltaram a se drogar, a se prostituir, além é claro de cometer do tipo de pecado. No entanto, na minha perspectiva este não é pior tipo de desviado, mesmo porque, tais individuos, reconhecem que estão longe de Deus, chorando em virtude de suas transgressões, sentindo saudades dos momentos que estavam em comunhão com Pai.
Isto posto, ouso afirmar que o pior tipo de desviado não é pecador “descarado”, mais sim aquele que vestido pela roupagem da religiosidade comporta-se como fariseu, criticando tudo e todos, botando em xeque a igreja, tornando-se assim um desigrejado.

     Ora, como já escrevi anteriormente bem sei que alguns verdadeiramente se afastaram porque não eram dos nossos, (I Jo 2:19) outros, porque se decepcionaram ou se feriram na igreja, entretanto, ouso afirmar que existe uma outra parcela dos denominados“desigrejados” que se afastaram por não desejarem se submeter a qualquer tipo de governo. Para estes a livre interpretação da Bíblia, prevalece sobre o livre exame, a espontaneidade sobre a organização, as reuniões caseiras sobre as reuniões no templo.

     Tais individuos repudiam qualquer tipo de liderança eclesiástica, abominam rótulos e titulos, fazendo o que bem entendem da vida interpretando a graça de Deus de acordo com suas conveniências e interesses demonstrando que estão desviados da fé.

     Lamentavelmente é nessa perspectiva, que tem surgido neste país, os caminhos da graça barata, da liberdade sem responsabilidade e de tantos outros mais, cuja mensagem principal é de uma evangelho light onde objetivo final é a satisfação do freguês.

     Para piorar a situação boa parte dos “desigrejados”, não desejam nenhum tipo de compromisso cristão. Em geral, essa atitude é gerada por pessoas que cometeram seus deslizes e depois se recusaram a submeter-se ao devido tratamento, pregando um novo “evangelho” onde a graça de Deus foi transformada em álibe para uma vida desprovida de compromisso e santidade.
     Caro leitor, entendo perfeitamente que muitos dos cristãos se feriram em virtude dos mandos e desmandos dos coronéis da fé, que com extrema arbitrariedade impuseram sobre o povo de Deus doutrinas absolutamente anti-bíblicas. Entretanto, isso em hipótese alguma justifica o crente em abandonar a “communion Sanctos”.
     Prezado amigo, a Igreja foi criada por Cristo. Ela é composta de gente falha, pecadora e cheia de limitações, todavia, continua sendo de Cristo.
     Diante do exposto, afirmo sem titubeios que continuo crendo na Igreja do Deus vivo como a única coluna e baluarte da verdade.

via http://www.creio.com.br

2 de outubro de 2009

Cadê os sete mil que ainda não dobraram os seus joelhos?


Jarbas Aragão

Em 1 Reis, capítulo 19, lemos que Elias

"se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.

Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come.

Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir.

Voltou segunda vez o anjo do SENHOR, tocou-o e lhe disse: Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo.

Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.

Ali, entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do SENHOR e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?

Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida."

A história é bastante conhecida e fala de um momento de fragilidade, até mesmo de depressão do profeta que havia acabado de matar os falsos profetas, desafiado os reis e visto o poder de Deus se manifestar de uma forma única. Mesmo assim ele cansou, se desanimou e resolveu fugir.

De muitas maneiras posso me identificar com o sentimento de Elias. Também já travei batalhas que me deixaram cansado, desanimado e a ponto de desistir. Mas assim como o profeta do Antigo Testamento também já vi a mão do Senhor comigo nessas horas difíceis.

Olhando para a realidade da Igreja no Brasil nesses tempos, muitas vezes sou tomado pelo mesmo sentimento de Elias. Mesmo minhas vitórias são pequenas, se não forem inúteis diante do mal que assola meu país. Assim como naqueles dias, um dos elementos principais do problema é o abandono dos caminhos do Senhor por parte do seu povo.

Basta ligar a TV ou acessar a internet e vejo escândalos envolvendo o nome de igrejas, lideres e ministerios que parece não ter fim. Convivi e convivo com muitos pastores, missionários e líderes deste país. Conheço tanta gente boa, séria, dedicada ao evangelho. Recebo relatórios quase semanais de conhecidos que estão levando a Palavra do Senhor aos quatro cantos deste país e também em lugares onde há pouco ou nenhum conhecimento do evangelho. Gente que ama a Deus e se dedica a fazer o nome de Jesus conhecido.

Mesmo assim, diante de tanta sujeira e tanta coisa ruim, parece sobrar poucos motivos para achar que isso de fato faz diferença na realidade do país. Repetidas vezes escutei que o Brasil experimenta um avivamento, que nunca a igreja de Jesus cresceu tanto, agora temos representação política, artistas e músicos famos se converteram, os jogadores mostram o nome de Jesus em rede nacional etc, etc.

Na mesma proporção que o nome de Jesus é anunciado os problemas parecem surgir. Já vi vários famosos “desconverterem-se” ou darem motivos para acreditarmos que era tudo marketing. Li matérias terríveis da imprensa que joga todos os chamados evangélicos na vala comum dos hipócritas, aproveitadores da fé alheia e fanáticos sem cérebro.

Por que tem de se assim? Eu não sei a resposta. Sendo pastor já ouvi dezenas de piadas sobre o objetivo da igreja que pastoreio. Lembranças de escândalos financeiros e morais muitas vezes surgem na cabeça das pessoas quando ouvem as palavras “pastor”, “bispo”, “apóstolo” ou títulos semelhantes. Apesar disso os números dos que se dizem seguidores do Deus vivo aumenta no país. O próximo recenseamento nacional mostrará que a escalada continua.

Mas de que serve tudo isso? Continuamos vendo as mazelas da miséria, das drogas, da violência, da corrupção, da falta de expectativas de um futuro melhor tomar conta do país. Os políticos já mostraram que podemos esperar pouco ou nada deles. A crise mundial mostrou que esse é um tempo de incertezas. As ondas de nova gripe (aviária e suína) nos deixam um “lembrete” da fragilidade da vida.

Fazer o quê? Orar e esperar no Senhor é um caminho. Mas não é o único. Precisamos de profetas no sentido bíblico da Palavra. É assustador a falta que faz em nosso país de mobilizações consistentes em prol da família, dos valores bíblicos, do meio-ambiente, da vida. Não me refiro a marchas por Jesus, que já perderam seu propósito original de oração e sucumbiram ao show e a politicagem. Falo de um envolvimento mais consistente da igreja, voz profética com a sociedade. Posso dar um exemplo claro disso. Semanalmente faço cultos na cadeia de minha cidade. Também trabalho como voluntário num centro para menores infratores (que lembra a antiga FEBEM). Nas conversas que tenho com o pessoal que está ali, muitas vezes escuto que são “crentes”, “evangélicos” ou “de Jesus”. Muitos apesar de não se verem como tais, pertencem a famílias que frequentam alguma igreja. Mesmo assim eles estão presos, acusados dos mais variados crimes. Alguns conhecem as músicas que cantamos, outros dizem que oram todos os dias e há quem conheça várias porções das Escrituras. Mesmo assim estão encarcerados por terem infringido a lei de Deus e dos homens. Muitas vezes saí das visitas ou das aulas que dou com o coração pesado. Que evangelho é esse? Que igreja é essa?

Na internet existem centenas, talvez milhares de sites e blogs preocupados com a igreja. Muitos artigos bonitos, desabafos, críticas ferozes, vídeos que fazem rir e chorar ao mesmo tempo. Aqueles que sentem o mesmo que Elias talvez acreditem que estão sozinhos, que são os únicos ou estão entre os poucos a ver essas coisas. Muitas vezes fui tomado pelo mesmo sentimento. Mas a verdade é que a esmagadora maioria das pessoas que precisariam ler os posts, artigos, desabafos etc não o fazem e nem o farão. Os incautos que se deixam levar por todo tipo de bobagem pregada em púlpitos das TVs em nome de Jesus não sabem que essas páginas e blogs existem. Ainda que tenham sua validade, precisamos de ações concretas, de propostas reais, não de discursos e retóricas vazias.

Por mais que me esforce para levar a Palavra da cruz, ainda é pouco ,eu sei. Mas não é em vão. Primeiro porque tenho a certeza que Deus continua no controle e depois porque não estou sozinho. O Senhor lembrou a Elias “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou.”

A continuação da história de Elias mostra que depois de ouvir essas palavras (v. 18) ele partiu, seguiu em frente. Continuou a lutar em favor de Jeová e contra os falsos profetas. O consolo de Elias é que ele não estava sozinho. Tinha o Senhor com ele, mas também tinha sete mil que se negavam a seguir a Baal (símbolo de todo o mal que afligia Israel). Ainda hoje existem milhares que não se dobraram ao evangelho da barganha, da mentira e do vale-tudo. Onde eles estão eu não sei, mas você é um deles? Permita-me lembrá-lo, você não está sozinho! Mas não basta reclamar com Deus, é tempo de agir!

Via http://www.blogdos30.tk/

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