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4 de julho de 2011

A Epopéia da Bíblia Digital - No princípio, eram três CDs...

Engenheiro e cristão, Nelson Saba trocou o emprego por uma missão: converter o mercado a adotar o que considera a Bíblia digital definitiva

Fotos: divulgação
UMA MISSÃO
Nelson Saba em seu escritório em Orlando, Flórida, e sua Bíblia digital. Ele pretende conquistar novos leitores – e compradores – do texto sagrado


Leo Caldas/ÉPOCA
NOVA GERAÇÃOO estudante Eliel David da Silva e sua Bíblia digital instalada. Ele diz que assiste aos vídeos, vê fotos e lê os textos
O brasileiro Nelson Saba trabalhava em Nova York com amplas perspectivas de carreira no setor de tecnologia da informação, quando vislumbrou o que realmente queria fazer de sua vida. A inspiração se transformou num plano bem claro ao longo dos nove anos seguintes. Seu novo propósito exigiria que ele deixasse o emprego seguro e bem remunerado. Saba fez a transição de forma lenta, o que não significa que sua inspiração fosse menos poderosa ou ambiciosa. Ele tentaria fazer a melhorBíblia digital do mundo. “Era o meu destino. Era o que eu estava aqui para fazer. Quando você tem uma visão assim, isso te consome”, diz o engenheiro, hoje com 52 anos, sócio e executivo-chefe da Immersion Digital, responsável pela Bíblia digital Glow.
Saba, um evangélico, manifesta sua religiosidade com a discrição e a abordagem metódica que convém a um engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que forma profissionais disputadíssimos pelas grandes empresas. Assim que pegou o diploma, começou a trabalhar no banco americano Citibank. Em 1985, foi transferido para Orlando, e de lá para Nova York. Começou a escalar os cargos a sua frente – ao mesmo tempo que pensava nos detalhes do futuro empreendimento. Em 1994, percebeu que chegara o momento de escolher um dos caminhos possíveis. Pelo mais seguro, abraçaria as responsabilidades de vice-presidente de tecnologia do banco. Pelo mais árduo, tentaria converter as massas à leitura da Bíbliadigital.
Nos dois anos seguintes, trabalhou como consultor financeiro autônomo, enquanto organizava sua primeira empresa. Investiu US$ 48 mil na compra de equipamento e software e reuniu amigos programadores em torno da missão de desenvolver uma Bíblia multimídia. Naquela ocasião, não havia produto parecido no mercado, o que atrapalhava o relacionamento com potenciais parceiros e investidores. “Ninguém confiava num produto que não conhecia. No começo, era muito mais provável dar errado do que dar certo”, diz. O resultado foi a iLumina, uma Bíblia digital que vendeu 600 mil exemplares.
O bom resultado empolgou Saba. Enquanto estudava como melhorar a iLumina, ganhou uma espécie de curso doméstico sobre o comportamento das novas gerações: observava a evolução dos hábitos de leitura das filhas mais velhas, hoje com 25 e 17 anos (ele teria mais duas, hoje com 6 e 4). Em 2006, teve o impulso definitivo para tentar um novo lançamento. Numa reunião na casa de um amigo na Califórnia, conheceu um taiwanês chamado Tim Chen, a quem explicou seu projeto. Por e-mail, Tim trouxe para a conversa seu irmão, Phil Chen – também evangélico, formado em física, matemática pura e teologia e sobrinho do fundador do gigante de eletrônicos HTC, que faturou US$ 9,6 bilhões no ano passado (desde 2009, Phil é também diretor da companhia). Saba e Phil se conheceram na Califórnia e criaram uma nova empresa, a Immersion Digital, sem nenhuma conexão com a HTC. Phil liderou o levantamento de US$ 8 milhões com a família e outros investidores para a criação da Glow, ou Glo, como é chamada nos Estados Unidos.
O resultado foi uma Bíblia digital e interativa elogiada até por concorrentes, com jeito de enciclopédia, milhares de verbetes, mais de três horas de vídeos de alta definição, 500 imagens em 360 graus de locais sagrados e cerca de 2.400 fotos (incluindo obras de arte com temas religiosos e imagens de satélite dos locais mencionados), compactada em três CDs. O usuário pode fazer marcações e comentários e pedir ao software planos de leitura de partes específicas da Bíblia ao longo de períodos determinados. Apesar de pesada (18 Gb) e cara (US$ 90), foi aprovada pelo público americano. Desde o lançamento nos Estados Unidos, em setembro de 2009, houve 65 mil instalações do software e há uma média diária de 1.000 downloads (formato ainda não disponível no Brasil). O lançamento no Brasil, em agosto de 2010, teve resultado mais modesto, mas significativo – 8 mil unidades vendidas até o momento. Apenas para comparação, cerca de 35 mil exemplares da enciclopédia digital Barsa são vendidos em média no mesmo período. Mesmo assim, Saba mantém sob controle as expectativas com relação ao Brasil.
Por meio de um amigo, o brasileiro conheceu seu 
sócio – um taiwanês cristão de uma família bilionária
Ainda é cedo para afirmar o que ele e Chen conseguirão no mercado brasileiro, embora haja alguns sinais promissores. Segundo a empresa de pesquisas Ipsos, os evangélicos, um grupo assíduo na compra de Bíblias, mostram vontade de consumir tecnologia e informação. Entre eles, a intenção de compra de eletroeletrônicos e de acesso à TV por assinatura é superior à média dos brasileiros. Também é perceptível uma tendência de crescimento da fatia mais jovem, de pessoas entre 13 e 29 anos, nos grupos que se definem como evangélicos ou católicos.
É o caso do estudante Eliel David da Silva, de 16 anos, que vive no Recife. Toda tarde, depois da escola, ele pega o notebook, deita-se na cama e começa a clicar. Entre trocas de mensagens com amigos e espiadelas na rede social Orkut, o garoto faz passeios virtuais pela Glow e diz ler os textos. “Assim eu vou vendo mapas e fotos e escolho fácil que passagem eu quero ler.” Eliel instalou o software na metade de março. Talvez enjoe logo da novidade. Mas há uma chance de que ele se torne um leitor regular e mostre aos amigos evangélicos da mesma idade aquela Bíbliamovimentada. Saba e Chen não rezam por isso. Só torcem e trabalham muito para que aconteça.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com

17 de março de 2009

Astros convertidos

Roqueiros, como o baterista do Iron Maiden, antes idolatrados por multidões de fãs, agora cultuam a Jesus Cristo.


Nico McBrain, baterista do Iron Maiden: “Um dos maiores truques do Diabo é fazer você acreditar que ele não existe”

A banda inglesa Iron Maiden, que estourou nos anos 80 com o estilo Heavy Metal de fazer rock, desembarca no Brasil na próxima quinta-feira, dia 12, para se apresentar pela turnê Somewhere Back In Time. O grupo, precursor do estilo e considerado um dos melhores do gênero, conta novamente com a sua formação original. A popularidade entre os roqueiros se deu através de sua maneira única de soar em canções, letras e capas de discos. O nome “Iron Maiden” é inspirado em um instrumento de tortura medieval, o qual se acha representado no filme O Homem da Máscara de Ferro. Suas letras exploram temas que vão do ocultismo a lendas, filmes, histórias de assassinatos, o escuro e a simbologia do número 666. Além disso, as capas dos álbuns são singulares, pois exibem sempre o mascote da banda, Ed, um morto vivo, em cenas sugestivas aos temas de cada disco.

Diante dessa atmosfera “pesada”, seria possível pensar em algum espaço para manifestações cristãs? Olhos e ouvidos voltados para Deus? Sim! O baterista da banda, Nico McBrain, é um exemplo de músicos de rock bem sucedidos, com carreiras mundialmente consolidadas e que, ao longo de suas vidas, se converteram ao cristianismo. Chocante? Inesperado? Talvez nem tanto. Ele próprio afirma que quando alguém se torna cristão, não está livre do pecado, mas deve buscar ao máximo uma vida longe deste mal.

A pergunta mais comum feita ao baterista é: Como você pode tocar em um grupo que apresenta uma canção chamada Number of the Beast (Número da Besta)? Nico afirma que a canção é sobre uma história que se encontra no livro de Apocalipse. “Um dos maiores truques do Diabo é fazer você acreditar que ele não existe”, justifica o baterista.

Nico McBrain é um exemplo incrível de conversão de músicos que, pela própria natureza da profissão, lidam com uma série de fatores que muitas vezes os afastam de uma vida ao lado de Deus. Shows, fãs, turnês exaustivas e o universo das drogas e comportamentos promíscuos, muitas vezes associados ao estilo de vida no rock.

Muito conhecidos na história da música mundial e, especialmente do rock, são os casos de músicos que acabam deixando a vida precocemente de forma conturbada e perturbadora. O líder do grupo Nirvana, Kurt Cobain, no dia 5 de abril de 1994, atirou na própria boca e deixou o mundo com uma filha ainda criança. Sua carreira foi marcada por um sucesso meteórico, desgastes emocionais, depressão, drogas e, em particular, o vício pela heroína.

Mais conversões no rock - Felizmente, ainda é possível citar outros casos de músicos do rock que, como Nico McBrain, seguiram o caminho da salvação física e espiritual a partir do contato com os valores cristãos.

Brian Welch, ex-guitarrista do grupo Korn, é um outro bom exemplo de roqueiro convertido. No final de 2008, ele lançou o seu primeiro disco solo, Save Me From Myself. No álbum, o músico aborda questões particulares da sua vida como a luta para deixar as drogas, os motivos que o levaram a sair da banda e seu encontro com Deus.

No Brasil, temos a surpreendente história do músico Rodolfo Abrantes, ex-vocalista da banda de hard-core Raimundos. No auge de sua carreira, o roqueiro sentiu o vazio em que vivia e se converteu. “Estava sozinho, morando em São Paulo, com uma vida louca, trezentas namoradas por aí, drogas a valer, balada todos os dias, fãs de montão, disco de platina, dinheiro na conta, agenda lotada de shows, mas completamente infeliz”, relata o cantor.

Em 2006, já convertido, Rodolfo lançou seu primeiro disco voltado para Deus, Santidade ao Senhor. Além disso, ministra cultos na igreja Bola de Neve Church e viaja junto de sua mulher para pregar a Palavra. “Quer ter vitória? Anda no caminho do Senhor, obedeça, leia a Bíblia e siga seus conselhos. Hoje não bebo, não é porque não possa, é porque não quero. Quero ter comunhão com o Pai”, aconselha o músico.

A exótica e mística Baby do Brasil - ex-Baby Consuelo e ex-integrante do grupo Novos Baianos - também impactou a muitos com sua conversão nos anos 90, recebendo, inclusive, muitas críticas. A estas, a cantora responde em uma de suas músicas: “E não importa o que vão pensar de mim. Eu quero é Deus. Eu quero é Deus.”

Fonte: Portal CRISTIANISMO HOJE - www.cristianismohoje.com.br/

9 de outubro de 2008

ENTRE A GUITARRA E O PÚLPITO - Guitarrista Carlos Santana quer ser pastor


O célebre músico mexicano Carlos Santana anuncia que vai abandonar a carreira e virar pastor dentro de seis anos.

O mítico guitarrista Carlos Santana, considerado um dos melhores músicos do mundo em sua especialidade, anunciou que pretende aposentar-se da carreira artística e virar pastor. A declaração foi dada em entrevista à revista especializada Rolling Stone. Santana, de 61 anos, diz que vai parar de tocar profissionalmente aos 67 e que vai exercer o pastorado numa igreja no Havaí. “Vou fazer o que realmente quero, que é ser pastor, como o Little Richard”, disse, referindo-se a outro célebre artista.

O músico falou da fé que o tem acompanhado ao longo da vida e que o tem ajudado nos momentos mais difíceis, como o recente divórcio da sua mulher Deborah, que pôs fim a uma relação de 34 anos. “Penso que Deus deu-me a dádiva da comunicação, mesmo sem a minha guitarra”, acrescentou. O músico mexicano disse ainda que quer ajudar as pessoas a entender melhor algumas passagens da Bíblia, sobretudo aquelas relativas, nas suas palavras, a “sentimentos de culpa, vergonha, julgamento e medo”. O novo disco de Carlos Santana, Multi-dimensional Warrior, chega às lojas em 13 de outubro, e é uma coletânea dos maiores sucessos de sua carreira de mais de 40 anos.

Via Portal Cristianismo Hoje - http://www.cristianismohoje.com.br

27 de julho de 2008

Ministério pastoral: profissão ou vocação?

Revista CRISTIANISMO HOJE

Preparo, chamado e opção profissional são elementos que se misturam e se chocam na formação dos pastores brasileiros.

Estima-se que cerca de 90 mil pessoas, no Brasil, exercem a função de pastor evangélico. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, um número quase cinco vezes maior do que o de padres, que, em 2006, chegavam a 18.685, de acordo com o Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais, ligado à Igreja Católica. E se é difícil dizer com precisão quantos pastores há no país – a quantidade pode ser bem maior, já que a informalidade é regra e novas congregações surgem da noite para o dia –, também não é tão simples definir exatamente como é o seu trabalho. O que para alguns é uma profissão como qualquer outra, com salários e metas a alcançar, para outros é o mais importante chamado divino, a que nada pode se comparar. Pelo país, pastores-animadores, pastores-empresários e pastores-CEOs dividem espaço com ministros à moda antiga, que investem o tempo em ensinar, ouvir e aconselhar o rebanho de Deus. Entre doutores e leigos, ricos e pobres, seu modo de atuar é tão variado quanto sua formação.
Não por acaso, cursos de teologia proliferam no Brasil com tanta velocidade quanto as novas igrejas. Desde 1999, o Ministério da Educação (MEC) passou a reconhecer os seminários de teologia como cursos de nível superior, com as exigências comuns a qualquer outro tipo de faculdade. Dados do Instituto Nacional de Educação Pública (Inep) mostram que, entre seminários católicos e evangélicos, há 82 instituições reconhecidas – o que não desmerece as demais. Vários dos melhores seminários evangélicos do país não foram atrás do reconhecimento do MEC e seguem com seus antigos currículos. Muitas delas são ligadas à Associação Evangélica de Ensino Teológico na América Latina (Aetal), com sede em São Paulo, que congrega 120 estabelecimentos brasileiros reconhecidos por sua excelência. Para ser filiado, o seminário tem que ter sua “declaração de fé” aceita e ainda precisa passar pelo crivo do Conselho Consultivo da Aetal. O objetivo, de acordo com o estatuto da associação, é “fortalecer a formação de líderes para a América Latina”.
“A procura por formação teológica tem sido imensa. O pentecostalismo clássico se abriu muito para o estudo teológico, até para ter uma identidade de maior seriedade”, explica Fernando Bortolleto, diretor-executivo da Associação de Seminários Teológicos Evangélicos (Aste) e professor do seminário da Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo. Com 47 anos de existência, a Aste tem 40 instituições filiadas, todas bem conceituadas. A busca por profissionalização e de melhor preparo favorece o crescimento do interesse por teologia, afirma Bortolleto. Ele deplora, porém, a idéia de que a vida dos pastores seja fácil e com muito dinheiro. “A imprensa não coloca nas manchetes o que é mais normal, e sim o que causa estranheza”, declara, observando, no entanto, que há jovens que pensam na função pastoral como alternativa diante de fracassos profissionais: “Há muito bacharel em teologia sem qualidades mínimas para ser pastor”, diz, sublinhando a grande diferença entre estudar, mesmo em um bom seminário, e ser ordenado para o ministério.
Para Bortolleto, formação acadêmica é fundamental para o bom desempenho de um pastor evangélico, ainda que possuir um diploma não significa que se esteja preparado para exercer a função. “Ver o trabalho ministerial como profissão tem um lado positivo: o pastor deve ter seus direitos resguardados, pois é um trabalhador que precisa sustentar sua família. Mas formalizar a profissão, como outra qualquer, seria complicado”, avalia. No Brasil, a Justiça do Trabalho também tem entendido desta maneira. São comuns casos de pastores que processam igrejas com intuito de receber indenizações de cunho trabalhista. Os juízes, entretanto, têm negado esses pedidos e as decisões já geraram jurisprudência: “É inadmissível, em Direito, conceituar como de emprego a relação entre o pastor e sua igreja” (Arnaldo Sussekind e Délio Maranhão, in Pareceres sobre Direito do Trabalho e Previdência Social, LTr, p. 43). “O vínculo que une o pastor à sua igreja é de natureza religiosa e vocacional, relacionado à resposta a uma chamada interior e não ao intuito de percepção de remuneração terrena”, diz, em 2003, relatório do ministro Ives Gandra Martins Filho, do Tribunal Superior do Trabalho.

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21 de março de 2008

Os novos NÃO-alcançados


Você já parou pra pensar no número de pessoas que não são atingidas pelas tradicionais ações de evangelização das igrejas? Por incrível que pareça, na atual sociedade “globalizada”, ainda são muitos aqueles que nunca ouviram falar das Boas-Novas de Jesus de forma efetiva. Apesar da pluralidade de igrejas, ainda há grupos não-alcançados, e não estão muito longe, geograficamente. São pessoas que nunca entram numa igreja, seja por opção ou por pura falta de oportunidade, cujo tempo está todo tomado ou a mente impregnada de preconceitos. Soma conversou com três missionários que atuam com grupos de trabalhadores que se encaixam neste perfil – caminhoneiros, marinheiros e pescadores artesanais – e constatou suas lutas, vitórias, necessidades e dificuldades no ministério. Eles apresentaram alguns desafios para os líderes das igrejas locais.

Pescador de pescadores


Em 1981, o então estudante de Teologia Márcio Garcia tomou conhecimento, através do testemunho de um missionário, da existência de comunidades de pescadores artesanais que não tinham tido contato algum com a Palavra de Deus: “A minha impressão era de que não havia nenhuma pessoa dentro do país que não houvesse ouvido falar de Jesus. No entanto, encontramos um grupo não-alcançado, e não-alcançável pelo Evangelho, pois nenhuma igreja fazia trabalhos com uma vila de pescadores”. Márcio sentiu-se incomodado com essa situação e iniciou um estudo sobre essa comunidade.
Após constatar as características e necessidades dos pescadores artesanais, o missionário fundou, com líderes de várias denominações evangélicas, a Meap (Missão Evangélica de Assistência aos Pescadores). A entidade, que tem como “carro-chefe plantar igrejas”, também busca atender às necessidades práticas das comunidades visitadas, levando atendimento médico, odontológico e ensino. “Não queremos oferecer uma perspectiva unilateral, mas apresentamos as Boas-Novas como um todo para o grupo. É o que chamamos de Missão Integral”, afirma o missionário.
Hoje, os missionários da Meap estão espalhados por vilas de pescadores em vários pontos do litoral brasileiro e realizam um trabalho que é dividido em cinco fases: Em primeiro lugar, o missionário conquista a confiança da comunidade: É o quebra-gelo. Logo depois, ele ganha os primeiros convertidos. Na terceira fase, o missionário separa aqueles que podem se tornar futuros líderes locais do trabalho. Em quarto lugar, é realizado o compartilhamento de liderança. E, por último, acontece a ausência benigna, quando o missionário se ausenta, volta e compartilha, se ausenta novamente, volta e compartilha, “até que a igreja fique com uma liderança nativa”, explica Márcio.

Caminhoneiros de Cristo

Outro exemplo de ministério que atua junto a um grupo que a igreja não atinge é o realizado com caminhoneiros. O pastor Elizionor Monteiro, que há mais de sete anos atua como missionário com esse público, afirma que “encontrar igrejas trabalhando com os motoristas é algo raro. Quem leva religião para os caminhoneiros são os padres e as testemunhas-de-jeová. Tirando isso, não há nenhuma igreja fazendo culto, nenhum pastor, nenhum irmão”.
Segundo Elizionor, os motoristas de caminhão são um grupo que necessita urgentemente da Palavra de Deus e que ainda não recebem a devida atenção da igreja: “Fora as programações que realizamos para a salvação do caminhoneiro, não vejo praticamente mais nada. Eles ficam no posto e o que se vê é jogo, bebida e prostituição. É um campo difícil, mas também uma bênção”.
O missionário destaca a urgência de uma ação mais efetiva junto a esse grupo quando afirma que do 1,5 milhão de motoristas de caminhão do Brasil – número que sobe para quatro milhões de pessoas quando considerados a mulher e os filhos dessas pessoas – apenas 10 por cento entregaram a sua vida a Jesus.
Assim como a Meap, os Caminhoneiros de Cristo investem na formação de liderança para impactarem ainda mais o seu público-alvo. “Nós temos o caminhoneiro multiplicador, que é o motorista evangélico que aceita o desafio. Aproveitando que está trabalhando, ele viaja levando o material evangelístico específico para o motorista de caminhão. Hoje nós já temos dois multiplicadores”, diz Elizionor.

Evangelização em alto-mar


Mais um grupo de trabalhadores que representa um desafio nos dias de hoje são os marinheiros, profissionais que passam de nove meses a um ano no mar, para cada dois meses de férias em casa. “Eles ficam a maior parte do tempo no mar e nos portos do mundo inteiro”, afirma o pastor Jayder André, capelão portuário do Nauta – Núcleo de Apoio aos Marinheiros, sediado em Vitória (ES). O ministério se propõe “atuar com um público que não seria alcançado de outra forma, dado o inusitado estilo de vida dos marujos”.
O trabalho de Jayder é árduo, pois é realizado com pessoas que vivem de forma frenética, o que deixa uma série de marcas negativas em suas vidas: “Solidão, ansiedade, angústia, falta de vínculo social, fadiga e estresse fazem parte do dia-a-dia dos marinheiros”. Como resposta a essa realidade, a proposta do Nauta é “criar um espaço de convivência onde o marujo tenha acesso a serviços essenciais para a sua ressocialização, seu bem-estar e o desenvolvimento da espiritualidade. Nossa estratégia de evangelização é oferecer serviços – como telefone, Internet, cultos, transporte e TV a cabo – que construam pontes para a pregação verbalizada da Palavra de Deus”.
Segundo o missionário, o objetivo é sempre oferecer o evangelho integral, “o evangelho todo para o homem todo”. Ele segue os princípios do Pacto de Lausanne e entende “que numa proposta bíblica mais pura e cristalina, devemos ministrar aos marinheiros a partir das suas necessidades, daí a razão de todos os serviços que prestamos e das atividades que desenvolvemos”.

Um desafio para a igreja


Uma impressão equivocada que pode surgir após a leitura desta reportagem é que a igreja local nada tem a ver com o trabalho realizado por Márcio, Elizionor e Jayder. Porém, os três se apressam em destacar a importância do corpo de Cristo para o início, o desenvolvimento e a continuidade dos seus respectivos ministérios.
Para eles, a igreja tem um papel muito importante tanto no sustento por meio de orações, na ajuda financeira, quanto na participação no campo, pois, como afirma Jayder André, só a igreja poderá fazer a diferença na vida de um incrédulo: “Ela é portadora de uma mensagem que se contrapõe à mercantilização das relações humanas e que transmite um amor que dá sentido à vida e restitui aos seres humanos a dignidade muitas vezes coberta por uma cultura capitalista espiritualmente empobrecedora”.

Conheça missionários que evangelizam grupos alternativos:


Meap (Missão Evangélica de Assistência aos Pescadores)www.meap.com.br – Caixa Postal 2533, Santos (SP), CEP.: 11021-970

Caminhoneiros de Cristo - www.caminhoneirosdecristo.cjb.net Rua Jaime Rodrigues da Rocha, 412, Capão Raso, Curitiba (PR), CEP.: 81150-130

Nauta
– Núcleo de Apoio aos Marinheiroswww.nauta-es.org – Caixa Postal 262, Centro, Guarapari (ES), CEP.: 29200-970

Fábio Aguiar
estagiário de jornalismo e estudante de Teologia

Fonte: Agência SOMA
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