Pesquisar este blog

24 de abril de 2008

O que é a Bíblia?

As respostas para essa questão tem sido ao longo dos séculos, dependendo do paradigma teológico, as mais diversas. Três, contudo, se destacam:

a) A visão Modernista ou Liberal. A Bíblia contém a Palavra de Deus. Paralela ao surgimento do movimento da crítica da Bíblia (1648), esta visão afirma que algumas partes da Bíblia são divinas, enquanto outras são humanas. Dessa forma, encontramos na Bíblia verdades eternas e equívocos humanos. Segundo Geisler e Nix (1997, p. 17) dois conceitos foram elaborados nesta concepção;

- O conceito de iluminação. Alguns estudiosos defendem que as “partes inspiradas” da Bíblia resultam de um tipo de iluminação divina, através do qual Deus teria concedido uma profunda percepção religiosa a alguns homens piedosos.

- O conceito de intuição. Aqui, os estudiosos chegam ao extremo de negar totalmente a presença de algum elemento divino da composição da Bíblia.

b) A visão Neo-Ortodoxa. O início do século XX foi marcado por uma nova reforma no na teologia européia. Alguns teólogos começam a valorizar a Bíblia, sem, contudo, abrir mão de suas visões críticas. Um novo tipo de ortodoxia é criado. A Bíblia torna-se a Palavra de Deus num encontro pessoal entre Deus e o homem. Duas correntes surgem:

- Visão demitizante. Tendo como defensores Rudolf Bultman e Shubert, afirma que a Bíblia foi escrita em linguagem mitológica, a da época de seus atores, tempo já passado e obsoleto. O amor sacrificial de Cristo, só pode ser realmente encontrado a medida que o crente despe a Bíblia de seus eventos e narrativas mitológicos.

- Encontro pessoal. Representada por Karl Barth e Emil Brunner, reconhece que apesar de algumas imperfeições no registro escrito, a Bíblia é a fonte de revelação de Deus para a humanidade. Deus nos fala mediante a Bíblia, que é um registro da revelação pessoal de Deus e não uma revelação em si mesma. Dessa maneira, ela torna-se a Palavra de Deus a medida que o homem se encontra com o criador lendo-a ou ouvindo-a.

c) A visão ortodoxa. A Bíblia é a Palavra de Deus. Esta é a opinião que prevaleceu por cerca de 18 séculos, e que, mesmo diante do surgimento da visão liberal e neo-ortodoxa, permanece viva em pleno século XXI. Na tentativa de conciliar a inspiração divina e o elemento humano presente através da escrita, duas teorias se destacam:

- Ditado Verbal. Defendida por John R. Rice, sustenta que Deus ditou sua Palavra respeitando a personalidade do autor humano. Para Rice, o ditado verbal não se trata de um ato meramente mecanicista.

- Conceitos inspirados. A. H. Strong apresenta uma idéia de que Deus teria inspirado os conceitos, não os termos literários utilizados por cada autor humano na escrita da Bíblia. O estilo particular de cada escritor é assim respeitado.

2. A Leitura Devocional da Bíblia

A leitura devocional da Bíblia precisa ser compreendida no contexto das várias leituras da Palavra de Deus:

a) A leitura litúrgica. É aquela realizada nos cultos e cerimônias religiosas, com o propósito de pregação, ensino ou reflexão.

b) A leitura formadora. Trata-se da leitura onde se busca aumentar o conhecimento pessoal dos princípios espirituais e morais, necessários para o crescimento e amadurecimento do cristão.

c) A leitura teológica. Este nível de leitura nos remete para uma reflexão mais sistemática das grandes doutrinas bíblicas, associada também aos textos filosóficos, históricos etc.

d) A leitura exegética. É a forma mais aprofundada de leitura. A compreensão do texto bíblico em si mesmo, juntamente com suas idéias, autoria, destinatários, forma literária, os termos originais, o contexto cultural, social, político, econômico, espiritual etc., estão presentes neste nível.

e) A leitura devocional. Através da leitura devocional, busca-se de forma espontânea alimento diário para a vida espiritual, respostas para nossos anseios, conforto e lenitivo para a nossa alma. Um diálogo com Deus é aqui, profundamente evidenciado.


A leitura devocional da Bíblia exige disciplina na vida cristã. Vivenciamos um momento histórico onde a inversão das prioridades pessoais, associada ao ativismo e a má administração do tempo, tem nos afastado cada vez mais, deste exercício tão essencial e salutar.
3. Curiosidades
- A Bíblia toda pode ser lida em 72 h de forma ininterrupta.
- Reservando 1/2 h por dia, a Bíblia será lida em 144 dias.
- Reservando 15 minutos por dia, a Bíblia será lida em 288 dias, ou seja, menos de um ano.
- A SBB disponibiliza gratuitamente planos de leitura anual da Bíblia, e confere certificados àqueles que completarem a leitura da Palavra de Deus.
Leia ainda o artigo A Leitura Devocional


Referências

GEISLER, Norman; NIX, William. Introdução Bíblica: como a Bíblia chegou até nós. São Paulo: Vida, 1997.

SILVA, Cássio Murilo Dias da. Metodologia de exegese bíblica. São Paulo: Paulinas, 2000.

Lições Bíblicas: 2. trimestre de 2008. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.


FONTE: www.altairgermano.blogspot.com/

19 de abril de 2008

O Primeiro culto realizado no Brasil, e os primeiros mártires


No dia 10 de março de 2007, completaram-se 450 anos que, na ilha de Villegaignon, então Forte de Coligny, se celebrou o primeiro culto evangélico, segundo o rito calvinista, em terras do Brasil e, aliás, da América do Sul.
A instâncias de Villegaignon, o grande reformador Calvino e a Igreja de Genebra prepararam uma leva de huguenotes para virem se estabelecer na, então, França Antarctica, afim de solidificar e desenvolver a colonização desta parte da América que deveria ser, também, um lugar de refugio para os protestantes perseguidos na França e demais paises da Europa.
À frente desse bando de heróis da fé, a constituírem OS PIONEIROS DAS MISSÕES, entre os silvícolas americanos, fora posto o venerando Felippe de Corguilleray, senhor du Pont, amigo e visinho do grande almirante Gaspar de Coligny, quando estivera em Chastillon sur Loing. Acompanhavam-no dois ministros evangélicos: o ancião Pierre Richier, de cinqüenta anos de idade, e Guillaume Chartier, mais moço, de trinta anos de idade.
Além desses dois pastores, formados em teologia, profundamente conhecedores das Sagradas Escrituras, participaram da viagem os seguintes aspirantes ao ministério e profissionais em varias artes: Pierre Bourdon (excelente torneiro), Matthieu Verneuil, Jean du Bourdel, André la Fon (alfaiate), Nicolas Dénis, Jean Gardien (perito retratista), Martin David, Nicolas Raviquet, Nicolas Carmeau, Jacques Rousseau e Jean de Lery, o clássico historiador desta viagem e da estadia desses destemidos missionários evangélicos no Brasil.
Tendo essa comitiva partido de Genebra a 16 de setembro de 1556, demandou, primeiramente, a Chastillon sur Loing, onde os huguenotes tiveram a oportunidade de encontrar-se com o grande almirante Coligny. Daí seguiram para Paris, onde se demoraram um mês, e onde outras pessoas se agregaram à expedição.
De Paris passaram a Rouen e desta a Honfleur, porto de mar, na Normandia, de onde, depois de quase um mês, a 19 de novembro de 1556, embarcaram, em demanda do Brasil. Cumpre, porém, notar que esta expedição não se compunha somente de protestantes, como tantas vezes se tem feito crer. Na sua maioria absoluta era composta de católicos romanos.
Foi Bois le Conte, sobrinho de Nicolas Villegaignon, quem à custa do rei, organizara a frota que trouxe os huguenotes ao Brasil. Esta frota se compunha de três navios: o Petite Roberge comandado por Bois le Conte, então aclamado vice-almirante, e que trazia cerca de 80 pessoas, inclusive soldados e marujos; o Grand Roberge, que trazia 120 pessoas e por capitão o sr. de Sainte Marie, apelidado Espine, e o Rosee, assim chamado em razão do que o comandava, e que trazia a bordo 90 pessoas, inclusive 6 rapazes, que vinham para aprender a língua brasileira, e cinco donzelas, dirigidas por uma matrona, que foram as primeiras mulheres francesas que arribaram a estas plagas sul-americanas. Eram, portanto, ao todo, 290 pessoas, das quais somente 16 eram protestantes calvinistas!
Entretanto, os atos de pirataria realizados por le Conte, muito bom católico romano, e de seus marinheiros, também católicos, como expressamente declara Lery, têm sido atribuídos aos calvinistas! Na ocasião, entretanto, é certo que Lery, e com ele os protestantes, francamente os condenaram!

«E cumpre (pois vem de propósito), diz Lery, que diga aqui de passagem, que, neste primeiro encontro de navio, vi praticar no mar o que mais freqüentemente também se pratica em terra, a saber: que aquele que tem armas em punho e é mais forte supera e dá leis ao companheiro. Verdade é que os srs. marinheiros, fazendo arriar velas e se aproximar dos míseros navios mercantes, alegam ordinariamente que andam por muito tempo, forçados pelas tempestades e calmarias, sem poder tomar terras nem porto, e estão no mar necessitados de viveres, de que pedem para ser supridos, mediante pagamento,
Se, porém, sem este pretexto podem por pé a bordo do vizinho, não pergunteis se vão impedir o navio de afundar-se; ali o descarregam de tudo quanto lhes parece bom e proveitoso. E, se porventura alguém adverte, (como de fato sempre o fazíamos) que nenhuma ordem existe para assim saquearem indiferentemente amigos e inimigos, respondem com o estribilho comum dos nossos soldados de terra em caso semelhante, dizendo ser de guerra e de costume, e que, portanto, desempenha o seu ofício quem segue os estilos» (Lery, Historia de uma viagem á terra do Brasil, cap. II, §§ 5.o e 6.o)
Só a 7 de março de 1557, demandara a frota de Bois le Conte à barra do Rio de Janeiro, e somente a 10 do mesmo mês, conseguiu definitivamente desembarcar esta celebre expedição, no Forte Coligny.
Imediatamente, du Pont, acompanhado dos ministros Pierre Richier e Guillaume Chartier, se apresentou diante de Villegaignon, declarando-lhe a causa principal que trouxera os cristãos evangélicos às terras brasileiras, que outra não fora senão atender às solicitações do sr. almirante em fundar, neste país, não só a Igreja Reformada mas um refúgio aos que fossem, na Europa, perseguidos pela intolerância inquisidora do Papado.
Ao que respondeu o sr. Villegaignon: «Quanto a mim, tenho na verdade desde muito tempo, e de todo o meu coração, desejado tal coisa e os recebo de mui boa vontade em tais condições; até porque desejo que a nossa igreja tenha fama de ser a mais bem reformada de todas. Desde já quero que os vícios sejam reprimidos, que o luxo do vestuário seja reformado e, em suma, que do meio de nós se remova tudo quanto nos possa impedir de servir a Deus.»
«Depois», acrescenta Lery, «levantando os olhos ao céu e juntando as mãos, disse:
— Senhor, rendo-Te graças de me haveres enviado o que desde tanto tempo tenho ardentemente pedido.
«E de novo aos nossos companheiros disse: — «Meus filhos (pois quero ser vosso pai) assim como Jesus Cristo neste mundo nada fez para Si, e tudo fez por nós, assim também eu (esperando que Deus me conserve a vida até que nos fortifiquemos neste país e possais dispensar-me) tudo quanto pretendo fazer, aqui, é para todos aqueles que vêm ao mesmo fim que vós viestes. Delibero constituir aqui um refugio para os pobres fieis, que forem perseguidos em França, na Espanha, e em outra qualquer parte de além-mar, afim de que, sem temor do rei, nem do imperador, ou de outras potestades, possam servir a Deus com pureza, conforme a Sua vontade.» (Opus cit. cap. Vl, §§ 1 e 3)
Proferidas estas palavras, reunindo-se todos numa sala que havia no meio da ilha, e depois que Pierre Richier invocou a presença do Divino Espírito Santo, cantou-se o SALMO QUINTO do qual reproduzimos a tradução, em poesia portuguesa, feita pelo muito ilustre poeta Padre Caldas, e que se acha em nosso hinário – CâNTICOS SAGRADOS – sob o número 2.
Minhas palavras atende,
O’ Senhor, e a meus gemidos
Inclina os Teus ouvidos ;
O’ meu Deus, meu Soberano,
A minha oração Te rende :
Tu m’escutas, mal o humano
Vê luzir, no etéreo posto,
D’aurora o mimoso rosto.
Na grandeza confiado
De Teu terno coração,
Minha humilde adoração
Eu irei no templo Teu
Ofertar-Te, penetrado
De respeito e de temor.
Ah! Deus meu, vem me guiar
Vem meus passos segurar.
No peito que em Ti confia,
Tu, Senhor, habitarás ;
De prazer o embeberás,
Sempiterno e sublimado;
Nadando em gloria á porfia
E por Ti abençoado ;
E, qual escudo, o defende
Teu braço que tudo rende.
Após este cântico, Richier fez um eloqüente sermão, tomando por suas as seguintes palavras do Salmo 27, versículo 4, segundo a excelente tradução do ex-Padre – Santos Saraiva: — Uma coisa tenho pedido a JEHOVAH a qual eu buscarei; que assista eu na casa de JEHOVAH, todos os dias de minha vida, para de JEHOVAH contemplar o esplendor, e recrear-me em Seu templo.
Durante a prédica, Villegaignon não cessava de juntar as mãos, levantar os olhos para o céu, dar altos suspiros e fazer vários gestos que a todos causavam admiração. Para o venerando Richier, Villegaignon era um novo Paulo!
O almirante ordenou que em todas as noites se realizasse o serviço divino. Aos domingos, houvesse culto e pregação do Santo Evangelho duas vezes, e os sacramentos fossem administrados conforme a pura Palavra de Deus.
Quanto à disciplina, exigia que fosse severamente aplicada aos delinqüentes.
De conformidade com estas ordens, desde a memorável QUARTA-FEIRA, DEZ DE MARÇO DE 1557, começaram a ecoar sobre as ondulantes e esmeraldinas águas da formosíssima Baia de Guanabara, que eles então chamavam RIO DE GÈNÉVE, os sagrados cânticos arrancados de fervorosos peitos a cultuarem as esperanças de vida eterna, segundo os sacratíssimos ensinamentos de Jesus Cristo.
Ah! foram, porém, por pouco tempo, porque, desde logo, a hipocrisia, desmascarando-se, a pouco e pouco, veio perturbar, afligir e banhar em sangue este abençoado solo!
A 21 de março deste mesmo ano de 1557, celebrou-se pela primeira vez, segundo o rito evangélico, a Santa Ceia, fazendo Villegaignon, por duas preces ao Deus Altíssimo, a profissão de sua fé, depois do que, de joelhos, recebeu das mãos do venerando Pastor Pierre Richier os sagrados elementos da Comunhão.
«E assim", assevera o historiador Lery, « abjurou o almirante suas crenças no Papismo.» Por esta ocasião, também abjurou o Romanismo um FRADE chamado Jean de Cointac, que fora estudante da Sorbonne, e que se dizia chamar Hector.
Chagara este clérigo em companhia dos huguenotes e, provavelmente, a eles se ajuntara quando, em Paris, permaneceram cerca de um mês.
Foi justamente este Frade Cointac o fomentador de toda a discórdia, como expressamente o declara Villegaignon, pois suscitara questões sobre a consagração de vasos especiais para administração do Sacramento Eucarístico; sobre ser ou não o pão fermentado; sobre o uso de vestes sacerdotais; sobre o uso de sal, azeite e saliva, na administração do Batismo; sobre a significação das palavras sacramentais, si importavam ou não a consubstanciação ou transubstanciação, etc. Nestes debates, Villegaignon acabou por tomar proeminente parte, a ponto de completamente romper com os calvinistas, não convindo mesmo, como combinara, esperar resposta da consulta enviada a Calvino por intermédio do Pastor Guillaume Chartier.
Entretanto, a 17 de maio deste mesmo ano de 1557, o ex-FRADE Jean de Cointac desposou uma das donzelas que vieram de França, parente do negociante La Rouquette, de Rouen. Tendo este negociante falecido, algum tempo depois da chegada dos huguenotes, deixara como sua universal herdeira aquela moça, sua sobrinha. O ex-FRADE, cobiçando a moça e a fortuna, resolveu desposá-la! Celebrou a cerimonia religiosa deste primeiro casamento de um ex-FRADE, no Brasil, o mesmo venerando Pastor Richier.
Apesar das novas relações no lar e no comércio, Cointac persistiu em suas controvérsias, a ponto de romper com o mesmo Villegaignon, que o constrangeu a sair do seu Forte, pouco tempo depois de seu enlace matrimonial «como sendo uma boca inútil "!
Este ex-FRADE Cointac, no dizer de Lery e de Crespin, tornou-se implacável inimigo dos calvinistas e, o que é mais interessante – e descoberta mui recente – tornou-se o traidor não só de Villegaignon, mas também de sua Pátria! Foi provavelmente em agosto, ou setembro de 1557, que o ex-FRADE Jean Cointac, fora expulso do Forte Coligny. Ainda que sofrendo todas as humilhações possíveis, os huguenotes ali permaneceram até o mês de outubro, quando resolveram também romper definitivamente com Villegaignon, que não mais podia igualmente tolerá-los.
Passados para o continente, nas fraldas do morro do Castelo, então chamado morro de Henri, no lugar denominado Olaria – Briqueterie – domiciliaram-se os huguenotes em uns casebres, que os operários franceses haviam construído, quando para ali se dirigiam aos afazeres da pesca. E ali aguardaram a chegada de embarcação que os pudesse transportar para a Europa, o que somente conseguiram a 4 de janeiro de 1558, a bordo de um velho navio chamado Jacques.
Assentira Villegaignon que os huguenotes regressassem à França, porém o fez com o mais perverso intento, porque, enviando por eles um documento devidamente lacrado, para ser entregue às autoridades daquele país, nele denunciava os seus portadores como perigosos hereges que deviam sofrer o ultimo suplício!
Depois de sete ou oito dias de viagem, o Jacques começou a fazer água, e por tal modo ameaçava ir ao fundo, que o seu comandante alvitrou a du Pont e seus companheiros regressarem ao Brasil.
Como du Pont manifestasse estar decidido a seguir viagem, somente cinco desventurados calvinistas se resolveram a voltar para a baia de Guanabara, e foram os seguintes: Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André la Fon e Jacques le Balleur.
Aqueles, depois de penosíssima viagem, chegaram à França, onde foram bem recebidos pelas autoridades que eram simpáticas à Reforma, e, assim, ficaram livres da ultima traição de Villegaignon – desde então chamado o CAIM DA AMÉRICA!
Estes, que retrocederam, depois de vagarem muitos dias à mercê das ondas, sofrendo as torturas da fome, chegaram ao continente, onde foram hospitaleiramente recebidos pelos selvagens. Demandaram, depois, o aldeamento dos franceses, que estavam em terra firme, os quais instaram para que não comparecessem perante Villegaignon. Não obstante estes conselhos, se apresentaram ao almirante. Este os recebeu, aparentando bom grado, e até permitindo-lhes que ficassem no continente.
Doze dias depois, a 8 de fevereiro, suspeitando que fossem traidores e ali representassem o papel de espiões de du Pont e Richier, não tendo, porém, coragem de justiçá-los por tais suspeitas, exigiu Villegaignon que eles fizessem por escrito, dentro de doze horas, uma precisa e clara profissão de fé. Na excelente obra recém publicada pelo sr. Domingos Ribeiro – a Tragédia de Guanabara, os leitores encontrarão a narrativa completa desses tristíssimos acontecimentos.
Os franceses domiciliados em terra ainda insistiram para que eles não dessem por escrito tal confissão, pois seria o móvel para Villegaignon cevar sua sanguisedenta tirania. Não obstante tais conselhos, quatro deles resolveram escrever a confissão, incumbindo do trabalho de responder aos artigos propostos por Villegaignon – o mais velho e instruído dos quatro – Jean du Bourdel, a cuja assinatura acrescentaram os seus nomes: Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André la Fon. Deixou de assinar esta confissão o grande heróis da fé – Jacques le Balleur, cujo nome completo supomos ser JEAN JACQUES LE BALLEUR.
Tendo em suas mãos aquela confissão plena de fé evangélica, Villegaignon, a 9 de fevereiro de 1558, mandou prender e martirizar a Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil e Pierre Bourdon, os quais, após o estrangulamento, ainda semi-mortos, tendo as mãos e os pés atados, foram lançados nas águas do mar junto ao recife do Forte de Coligny! E, assim, ficou transformada a mais bela baia do mundo em preciosíssimo relicário dos primeiros mártires da plena liberdade de consciência e do Evangelho, na América do Sul!
André la Fon foi poupado, visto ter prometido não se conservar obstinado em erros doutrinários, uma vez provados como tais, pela Sagrada Escritura. Da expedição chegada a 7 de março de 1557, o ultimo huguenote, que sofreu o martírio, foi JACQUES LE BALLEUR, enforcado no Rio de Janeiro, dez anos depois, em 1567, quando se lançaram os fundamentos desta Capital.
Morreram esses nobres cristãos, mártires da intolerância e do fanatismo, mas o Cristianismo não morreu! E hoje, graças a constância dos pegureiros da cruz de Cristo, nesta cidade, batizada com o sangue dos huguenotes, estão estabelecidas dezenas de Igrejas Reformadas, há milhares de crentes evangélicos e levantam-se inúmeros templos cristãos como vitoriosos marcos do triunfo glorioso da liberdade de consciência e da plena liberdade religiosa!
Graças a Deus! – A Verdade triunfa!

(Extraído do Apêndice do livro "O MARTYR LE BALLEUR" Álvaro Reis, editado em 1917, escrito em português arcaico, e adaptado por Pedro Corrêa Cabral, em abril de 2007)

13 de abril de 2008

BEBÊS PARA SEREM QUEIMADOS

Carlos Heitor Cony (Folha de S. Paulo, de 11.4.2008) resenha o livro "Babies for Burning" (Londres: Serpentine Press), em que Michel Litchfield e Susan Kentish entrevistam um médico de uma clínica de abortos na Inglaterra.
Em um dos trechos, o médico diz:

"Fazemos muitos abortos tardios, somos especialistas nisso. Faço abortos que outros médicos não fazem. Fetos de sete meses. A lei [inglesa] estipula que o aborto pode ser feito quando o feto tem até 28 semanas. É o limite legal. Se a mãe está pronta para correr o risco, eu estou pronto para fazer a curetagem. Muitos dos bebês que tiro já estão totalmente formados e vivem um pouco antes de serem mortos.
Houve uma manhã em que havia quatro deles, um ao lado do outro, chorando como desesperados. Era uma pena jogá-los no incinerador porque tinham muita gordura que poderia ser comercializada. Se tivessem sido colocadas numa incubadeira poderiam sobreviver, mas isso aqui não é berçário.
Não sou uma pessoa cruel, mas realista. Sou pago para livrar uma mulher de um bebê indesejado e não estaria desempenhando meu oficio se deixasse um bebê viver. E eles vivem, apesar disso, meia hora depois da curetagem. Tenho tido problemas com as enfermeiras, algumas desmaiam nos primeiros dias."




www.prazerdapalavra.com.br

8 de abril de 2008

A CRUZ EM NÓS


L.J. Lebret

O tema da cruz já está bastante gasto porque muitos cristãos dele abusaram. Vivem gemendo

sob suas pequenas cruzes, as mil dificuldades comuns da vida, que tantos não-cristãos enfrentam

corajosamente. Tornam-se maçantes de tanto esquadrinhar seus insignificantes aborrecimentos.

De fato, não souberam sair de si mesmos para encontrar verdadeiramente o Cristo e fundir-se

nele. Não compreenderam que a cruz não é um fardo a ser arrastado, mas vida a ser alegremente

aceita, embora nos esmague.

A vida com o Crucificado, no Crucificado, é o dom de si à vontade dele, é o companheirismo

que se torna cada dia mais íntimo no campo do esforço e da dor, a cooperação constante com

quem tudo começou em si mesmo e quer associar-nos plenamente à sua obra.

Enquanto a cruz não tiver penetrado em nós, como arcabouço que tudo sustenta, não teremos

compreendido o Cristo. Daí as impaciências, as cóleras, as queixas e as asperezas. Cristãos

inscritos nos registros da Cristandade, não somos ainda cristãos plenamente inseridos no Cristo,

porque, desejando a sua luz e a sua paz, nos repugna segui-lo no sofrimento que suportou por

nós. Desejaríamos ser configurados em sua glória, sem o ser, entretanto, em sua dor; assemelharnos

a ele, sem que os flagelos sociais nos inquietem, as guerras em que não estamos

empenhados nos emocionem, as torturas e as deportações sofridas pelos outros nos aflijam, o

destino da multidão dos seres humanos desdenhados nos interesse, os erros da direita ou da

esquerda nos perturbem, o egoísmos das classes e dos países privilegiados nos revolte e a

aventura dos povos infantis nos faça sofrer. Fariseus satisfeitos com a própria virtude,

consideramo-nos heróicos, mal suportando os nossos pequenos males sem que o pesado fardo de

todo o sofrimento humano nos atinja sequer.

3 de abril de 2008

A parábola dos pescadores sem peixes

Autor desconhecido

Era uma Associação de Pescadores, que viviam no meio de rios e lagos, cheios de peixes famintos. Eles se reuniam regularmente para discutir sobre o chamado para pescar, a abundância de peixe e a emoção de pegar peixes. Ficavam muito animados com o assunto da pescaria.

Alguém sugeriu que o grupo precisava de uma filosofia de pesca. Assim, cuidadosamente, definiram e redefiniram a pesca e o propósito da pescaria. Desenvolveram estratégias e táticas. De repente perceberam que haviam começado de trás para frente – haviam se interessado pela pescaria do ponto de vista do pescador, e não do ponto de vista do peixe. Como o peixe vê o mundo? Como vê o pescador? O que e quando o peixe come? Era importante entender essas coisas. Por isso, iniciaram estudos e pesquisas. Participaram de conferências sobre a pescaria. Muitos viajaram a lugares longínquos para estudar diferentes tipos de peixes, com diferentes hábitos. Alguns obtiveram Ph.D. em piscicultura.

Contudo, ninguém havia ido pescar. Formou-se, então, um comitê para enviar pescadores. Havia muito mais lugares propícios para pescar do que pescadores. Por isso, o comitê precisava determinar prioridades. A lista de prioridades foi colocada em quadros de avisos em todos os salões da Associação.

Mas, como antes, ninguém estava pescando ainda. Foi feita uma pesquisa para saber por quê. A maioria não respondeu ao questionário, mas, entre os que responderam, descobriu-se que alguns se sentiam chamados para estudar a pesca, outros para fornecer equipamentos de pesca e outros, ainda, para encorajar os pescadores. E, com tantas reuniões, conferências e seminários, simplesmente não tiveram tempo para pescar.

Jacó era novato na Associação de Pescadores. Depois de uma reunião muito animada, ele foi pescar. Fez algumas tentativas, pegou o jeito e conseguiu pegar um lindo peixe! Na reunião seguinte, ele contou sua história e foi elogiado pelo sucesso. Acabou sendo convidado para falar em todos os núcleos da Associação e contar como havia sido a sua pescaria. Assim, com tantos compromissos e por ter sido eleito para a diretoria da Associação, Jacó nunca mais teve tempo para pescar.

No entanto, não demorou muito e ele começou a se sentir intranqüilo e vazio. Teve saudades da pesca propriamente dita, de sentir o puxão no anzol. Assim, decidiu deixar a diretoria da Associação, bem como os demais compromissos com os núcleos, e convidou um amigo para ir pescar com ele. Os dois foram – sozinhos – e pegaram peixes.

Os membros da Associação de Pescadores eram muitos e os peixes eram abundantes. Mas os pescadores continuavam sendo muito poucos.

Fonte: Ultimato
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...