Luiz Montanini
A igreja talvez seja hoje o único exército do mundo cujos soldados não voltam para buscar seus feridos no campo de batalha. Ao contrário, substitui-os rapidamente no batalhão e segue em frente, esquecendo-se de que muitos soldados de valor ficaram à beira da morte pelas trincheiras.
Caso o último censo do IBGE tivesse incluído questão sobre o número de "desviados" no Brasil, o resultado seria assustador.
Calcula-se que, hoje, existam no País entre 30 milhões e 40 milhões de "desviados". Por "desviados" entenda pessoas que um dia tiveram seu nome no rol de membros de algum grupo cristão, mas que hoje estão à margem da vida da igreja.
Essas pessoas - cuja boa parte povoa hospícios e presídios ou, saco às costas, vaga errante à beira de estradas - um dia confessaram alegremente a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor e no outro se viram literalmente jogados na sarjeta espiritual.
Nesse contingente de desviados há casos para todo tipo de pessoas. Do endurecido ao desprezado, do chafurdado na lama pelo engano do pecado ao desesperado para sair dele, mas sem ninguém para lhe estender a mão.
É dessa classe de pessoas que trata esta edição. De pessoas desesperadas por uma nova chance, mas sem ter a quem recorrer porque, sabem, o único lugar onde encontrariam novamente a paz para sua alma é a igreja, mas ali, pensam, há santos demais para admitir o retorno de um filho pródigo como ele.
Afinal, com ou sem motivo, um dia foram expulsos sumariamente. Seja porque, inadvertidamente, cortaram os longos cabelos ou caíram em erros considerados "sem volta" por sua igreja, como o adultério; seja porque foram disciplinados, escrachados, alijados da comunhão e, não raro, se excluíram ou foram excluídos. Como Satanás, foram expulsos do paraíso. Como Caim, receberam uma mancha na testa e foram condenados a andar errantes pelo mundo pelo resto de sua vida miserável. O problema é que em seus casos específicos, não foi Deus o autor do juízo sumário.
Com tamanha carga sobre as costas, voltar é passo difícil; em algumas situações, impossível.
- A própria igreja discrimina os desviados - constata Sinfrônio Jardim Neto, líder do ministério "Jesus não Desistiu de Você", de Belo Horizonte, dedicado à restauração da vida dos desviados.
- A igreja vê o desviado como se fosse Judas Iscariotes, que traiu a Deus e a igreja. E o trata como se fosse lixo que precisa ser retirado daquele ambiente. Mal sabe que o desviado é como o ouro de Deus que se perdeu na lama podre. Está perdido na lama, mas ainda é ouro e precisa de gente interessada, garimpeiros que estendam a mão e vasculhem até encontrá-lo.
Uma igreja de 200 membros perde outros 400 em 10 anos. Na próxima vez em que for a um culto, pare um instante e olhe à sua direita e esquerda. Agora, saiba que, daqui a dez anos, é possível que a senhora, o jovem sorridente e o austero senhor que estão em cadeiras ou bancos próximos a você cantando louvores estejam completamente afastados da igreja, amargurados com Deus e entristecidos por algum motivo.
De acordo com estatística do pastor mineiro Sinfrônio Jardim Neto, uma igreja de 10 anos de funcionamento, que tenha mantido média de 200 membros, viu passar por seu rol, ao longo dessa década, o dobro desse número. Uma evasão como essa explica a conta fictícia do parágrafo anterior.
Segundo as contas que têm feito ao longo de suas inúmeras campanhas em igrejas brasileiras desde 1994, quando começou a trabalhar com desviados, 400 pessoas que passaram por uma igreja que tem média de 200 membros estão desviadas hoje.
Em português claro e chocante: a igreja permanece com sua média de 200 membros, substituindo-os naturalmente. Mas essa rotatividade, originada na dificuldade de "fechar a porta dos fundos", resulta, ao final de 10 anos, em perda de 200% no número de pessoas.
Esses números, destaca Sinfrônio Jardim, são relativos apenas a desviados. Aqui não estão incluídos outros itens, como mudança de membro para outra igreja.
Expulso da igreja porque não usava chapéu:
As causas para o chamado desvio de pessoas na igreja são variadas, explica Sinfrônio Jardim Neto. Desde o abandono da fé em razão da volta voluntária ao pecado até a exclusão, pela liderança da igreja, em decorrência de coisas pequenas mas consideradas pecado por eles.
Em suas viagens, Sinfrônio Jardim diz que encontra situações de exclusão que seriam hilárias se não fossem tão perniciosas à vida das vítimas. Pessoas que foram excluídas por causa do legalismo exacerbado de igrejas cujos líderes zelosamente disciplinaram, com exagero, pequenas contravenções. Na ânsia de limpar o pecado, jogaram fora o "pecador" junto com a água suja.
- Vejo gente sofrendo, afastada da igreja por causa de coisas pequenas, como ter cortado o cabelo, ter deixado a barba e até, pasme, por ter sido visto andando de bicicleta. Uma vez, em Campos, no Rio, conheci um homem que foi expulso da igreja porque não usava chapéu, como ordenava o estatuto da igreja.
Falsas profecias levam muitos ao desvio:
Outra causa para o apartheid espiritual de muitos é a decepção com lideranças. O membro procura alguém para confessar uma fraqueza ou pecado e, em vez de perdão e ajuda para vencer o mal, recebe maior condenação.
As profecias falsas são também causa importante de desvio da fé. Inúmeras pessoas naufragam depois de receber profecias falsas. A pessoa tem o filho doente, por exemplo, e recebe uma "palavra de Deus" de cura. Pouco tempo depois a criança morre. Ela fica desesperada. Ou então ouve que deve se casar com alguém porque é vontade de Deus. Obediente, casa-se e, algum tempo depois, percebe que a voz ouvida não era da parte de Deus. Em vez de se decepcionar com o homem, decepciona-se com Deus e sai da comunhão, explica o pastor Sinfrônio Jardim.
E há, claro, grande número de pessoas que se aproxima de Deus seduzidas por propaganda enganosa. Chegam porque alguém lhes prometeu prosperidade aqui e agora, mas não percebem as implicações do discipulado a Cristo. Querem as bênçãos do cristianismo, mas nada de porta estreita e caminho apertado. Querem sair do mundo, mas levar o pecado a reboque. "Querem a salvação, mas não querem largar o pecado", resume Sinfrônio Jardim.
Por último, a decepção contra o próprio Deus é causa de afastamento de muitos. A pessoa é uma crente fiel e, de repente, alguém a quem ela ama morre, por exemplo. Nesse caso, se não tiver alicerces firmes em Deus, ela culpa a Deus pelo infortúnio. Age como se Deus tivesse sido ingrato com ela, sempre tão fiel, e, portanto, a seus olhos, merecedora de recompensa.
Poucas visitas ao desviado resultam em maior condenação:
Depois que experimentam a expulsão do paraíso, poucos conseguem encontrar lugar de arrependimento. Pior é que, se forem depender de boa parte da igreja para isso, já terão na mão o passaporte para o inferno.
Na pesquisa de Sinfrônio Jardim Neto, entre 60% e 70% dos desviados não recebem qualquer visita de líderes ou membros após sair da igreja. São simplesmente descartados ou substituídos por outros membros.
O restante dos desviados (entre 40% e 30%) recebe de uma a três visitas, que se revelam infrutíferas, porque, na maioria das vezes, a visita é de cobrança ou condenação. Em vez de amar o pecador e odiar o pecado, os visitantes lançam ambos na cova profunda do inferno. Jogam pedra, condenam. Decretam o inferno-já para o pecador. "É como bater de vara sobre a ferida de alguém... o ferimento e a dor só vão aumentar", compara Sinfrônio Jardim.
Hospícios e presídios estão lotados de ex-crentes:
Ainda segundo a pesquisa de Sinfrônio Jardim, existem três lugares onde sempre vão se encontrar desviados: nos hospícios, nos presídios e na mendicância:
- Vá a um hospício e, ali, você encontrará muita gente internada que recita versos bíblicos e canta canções cristãs. Essas, um dia se afastaram, caíram em pecado e os demônios tomaram conta de sua vida. Ficaram endemoninhadas.
- Depois visite um presídio e você encontrará inúmeros Josués, Elias e Samuéis. Detentos de nome bíblico, que demonstram o berço cristão. Ali você começa a conversar com um deles e descobre que é filho de presbítero de igreja.
- Por último, passe próximo a rodoviárias e estações de trem ou tente conversar com um andarilho de beira de estrada. Pelo menos três, entre dez dessas pessoas que andam bebendo errantes, sacos de bugigangas às costas, já participaram de uma igreja cristã. Ali, não raro, você encontra homens que um dia ocuparam solenes púlpitos e pregaram o evangelho.
E por que não voltam? Sinfrônio Jardim entende que a falta de perdão a si próprio e da própria igreja e o entendimento errado de que o que fez é imperdoável por Deus afastam-nas ,cada vez, mais do ponto de retorno.
- Mais da metade dos que se desviaram tem problemas sérios com o ressentimento e falta de perdão. Não voltam porque não conseguem perdoar, ou não querem perdoar ou acham que não merecem perdão.
O peso que está sobre a pessoa fica insuportável às vezes, explica Sinfrônio Jardim. Há denominações, por exemplo, que pregam que quem pratica adultério jamais será perdoado. Ora, com um decreto como esse na cabeça, o pecador desiste de qualquer tentativa de reconciliação com o Deus irado que lhe foi pintado e se transforma em um monstro na terra. Passa a praticar os mais baixos pecados, porque, pensa, se já está condenado ao inferno por toda a eternidade, resta aproveitar seus dias na terra.
Poucos saem em busca da ovelha extraviada:
Hoje, a maioria das igrejas não possui qualquer trabalho específico para trazer suas ovelhas desviadas de volta ao aprisco. Ninguém pensa em deixar suas noventa e nove ovelhas e sair atrás da centésima, extraviada. Sinfrônio Jardim também tem explicação para esse fenômeno. Afirma que, na visão expansionista de muitas igrejas hoje, é pouco lucrativo deixar noventa e nove ovelhas e sair por lugares ermos atrás de uma ovelhinha extraviada que nem sabe se está viva ou que talvez esteja tão ferida que não tenha chance de sobreviver.
- Muitos acham que não vale a pena tamanho esforço, que vão perder tempo. E, para aliviar a consciência, usam o argumento de que a pessoa já conhece a Palavra.
Outros chegam a usar versos bíblicos para justificar o esquecimento. "Saíram de nós porque não eram dos nossos..." é um dos mais recitados.
A falta de visão de restauração descrita por toda a Bíblia é ignorada nesses casos. "Buscar ovelhas perdidas é visão
antipática em muitas igrejas", lembra Sinfrônio Jardim. "Isso porque, quando o membro sai, geralmente sai falando mal da igreja ou do pastor. Acaba ficando malvisto dentro da própria igreja que, em vez de amá-lo e lhe perdoar, passa a tratá-lo como ovelha negra. Dessa forma, quando alguém se dispõe a ir atrás dessa ovelha perdida, torna-se também impopular e corre risco de ser também malvisto. E poucos estão dispostos a isso".
Igreja Batista da Lagoinha foi buscar três mil desviados:
O retorno, com sucesso, dos desviados à igreja depende, basicamente, da atitude da igreja. "A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil, mas se a igreja toma uma atitude de ir buscá-los, consegue até 80% de sucesso", afirma o pastor Sinfrônio Jardim.
Bons exemplos não faltam: a Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte, já reagrupou três mil pessoas ao seu rebanho de trinta mil pessoas em pouco mais de dois anos. Ali, o pastor César Teodoro dirige o ministério "A centésima ovelha", junto com o líder principal da igreja, Márcio Valadão.
A igreja Assembléia de Deus em Brasília, dirigida pelo pastor Elienai Cabral, também tem obtido sucesso no resgate aos seus desviados. Outra Assembléia de Deus, dirigida por Daniel Malafaia, em Campo Grande (MS), tem obtido sucesso semelhante.
"Fomos amados. Apenas amados. E isso fez toda a diferença"
O casal Valmir Soares e Alina é exemplo perfeito de filhos pródigos restaurados. Conheceu a Deus, resolveu seguir seus próprios caminhos, reconheceu o estado em que estava, conseguiu forças para voltar, foi recebido com festa e experimentou a restauração em suas vidas, nesta ordem:
A primeira experiência de Valmir e Alina com Cristo aconteceu em 1987. Por um ano e meio eles se relacionaram com Deus e com a igreja local que freqüentavam, em Campinas, SP. "O problema é que não abri totalmente o coração naquela época. O resultado é que, ao longo do tempo, fui esfriando, as coisas foram ficando difíceis e eu acabei tomando duas decisões erradas, que resultaram no meu afastamento da comunhão".
- Aí não tem jeito, você entra mesmo no pecado e fica até pior. Comecei a praticar coisas horríveis e a mentir para minha esposa. Quando pensava em voltar, havia sempre a voz acusadora do diabo, dizendo que eu era indigno, que ninguém iria me receber; enfim, que já não tinha volta. Eu me lembrava dos irmãos, da alegria e do amor que desfrutávamos, mas o pecado me impedia de voltar.
- Outra coisa que me impedia de voltar era a presunção, lembra Valmir. "Dizia para mim mesmo: tenho o Senhor na Bíblia... não preciso voltar. Eu não tinha o entendimento de que é o corpo quem nos sustenta".
- Mas, aí, Deus usou a vida do próprio casal que nos falara inicialmente de Jesus, os irmãos Hélcio La Scala Teixeira e Isabel, hoje pastores em São José dos Campos, SP.
Valmir relembra: "Um dia, depois de uma conversa franca com eles e de novo convite, eu e minha esposa resolvemos visitar a igreja novamente. Enchemo-nos de coragem e fomos. Era um domingo de setembro, em 1992. Fomos recebidos, literalmente, como filhos pródigos. A maioria dos irmãos nos abraçou, orou conosco e, pela graça de Deus, fomos tocados novamente. Fiquei mais de uma hora chorando num canto, arrependido".
Hoje o casal está restaurado e integrado na vida normal da igreja.
- "O melhor de tudo, diz Valmir, é que, em tempo algum, recebemos o menor olhar de acusação dos irmãos. Nem mesmo por parte daqueles que nos tinham aconselhado anteriormente e a quem não tínhamos dado ouvidos. Ninguém disse: 'Eu te avisei.' Fomos amados. Apenas amados. E isto fez toda a diferença".
UM DESVIO MONSTRUOSO
• Há hoje, apenas no Brasil, entre trinta e quarenta milhões de pessoas que um dia freqüentaram alguma igreja evangélica.
• Uma igreja de dez anos, que manteve média de duzentos membros, viu passar, por seu rol, o dobro desse número. Isto é, quatrocentas pessoas que passaram por essa igreja estão desviadas hoje.
• A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil.
• Entre 60% e 70% dos desviados, estes não receberam qualquer visita de líderes ou membros quando decidiram sair da igreja.
• Entre 40% e 30% receberam de uma a três visitas, que se revelaram, na maioria das vezes, de cobrança ou condenação.
• Hospícios e presídios são os lugares de destino de boa parte dos desviados.
• De cada dez andarilhos, três deles freqüentaram alguma igreja um dia.
• A maioria dos desviados (acima de 50%) é afetada pelo ressentimento com sua liderança
Livros de Sinfrônio Jardim Neto, que tratam do assunto "desviados":
Jesus não desistiu de você (1 e 2)
Voltei Agora
Onde está o seu irmão?
Editora Betânia
A reconquista
Editora Vida
Outros livros:
Além do perdão
Don Baker
Editoria Betânia
Disciplina na Igreja
Russell Shedd - Edições Vida Nova
Decepcionado com Deus
Phillip Yancey
Editora Vida (?)
Para entrar em contato com o "Ministério Jesus não Desistiu de Você", ligue (31) 3452-1840
E-mail: daria@prover.com.br
www.jesusnaodesistiudevoce.com.br
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27 de novembro de 2007
22 de novembro de 2007
Como Tirar o Máximo da Sua Leitura Bíblica

01) Remova obstáculos:
a) remova o amor por cada pecado ;
b) remova as distrações concernentes a este mundo, especialmente a cobiça (Mt. 13:22);
c) não brinque com e sobre a Escritura .
02) Prepare seu coração (1 Sm. 7:3)
a) reunindo seus pensamentos;
b) purificando sentimentos e desejos impuros;
c) não achegando-se a ela apressada ou descuidadamente.
03) Leia-a com reverência, considerando que em cada linha Deus está falando diretamente para você.
04) Leia os livros da Bíblia por ordem.
05) Adquira verdadeiro entendimento da Escritura (SI. 119:73) . O melhor meio de conseguir isto é através da comparação de partes relevantes das Escrituras, umas com as outras.
06) Leia-a com seriedade (Dt. 32:47) . A vida cristã é para ser levada a sério, visto que isto exige esforço (Lc. 13: 24) e não falhar (Hb. 4:1).
07) Persevere em lembrar o que você leu (Sl. 119: 52) . Não permita que seja roubado de você (Mt. 13: 4, 19). Se ela não permanecer na sua memória, é improvável que seja de muito proveito para você.
08) Medite no que você lê (SI. 119:15 ) . A palavra hebraica para meditar, significa "ser intenso de mente". Meditação sem leitura é errado e um pulo para o engano; ler sem meditar é infrutífero e sem proveito. Significa avivar os sentimentos, ser aquecido pelo fogo da meditação (SI. 39: 3).
9) Leia-a com um coração humilde . Reconheça que você é indigno para que Deus revele a Si mesmo a você (Tg. 4:6).
10) Creia que toda ela é a Santa Palavra de Deus (2 Tm. 3:16) . Sabemos que nenhum pecador poderia ter escrito, por causa do modo que ela descreve o pecado. Nenhum santo blasfemaria de Deus pretendendo ser sua, a Palavra de Deus. Nenhum anjo poderia a ter escrito pela mesma razão (Hb. 4: 2).
11 ) Tenha em alta estima a Bíblia (SI. 119:72) . Ela é sua corda para salvação; você nasceu através dela (Tg. 1 : 18) e precisa crescer por ela ( 1 Pd. 2: 22; Jó. 23:12).
12) Ame a Bíblia ardentemente (SI. 119:159).
13) Leia-a com um coração honesto (Lc. 8:15) :
a) desejando conhecer toda e completa vontade de Deus;
b) lendo com o objetivo de ser mudado e feito melhor, por ela (Jo. 17:17).
14) Aplique a si mesmo tudo o que ler , tomando cada palavra como sendo falada para você. A condenação que ela faz do pecado, como sendo a condenação dos seus pecados; os deveres que ela requer, como sendo o dever que Deus requer de você (2 Rs. 22: 11 ).
15) Preste cuidadosa atenção aos mandamentos da Palavra, tanto quanto nas promessas . Pense em quanto você precisa de direção, tanto quanto de conforto.
16) Não se deixe levar por detalhes menores, antes certifique-se de atentar para as grandes coisas (Os. 8:12).
17) Compare-se com a Palavra . Como você se compara? Seu coração é algo daquilo que é transcrito dele, ou não?
18) Preste especial atenção àquelas passagens que falam para sua individual, particular e presente situação:
a) aflição (Hb. 12:7, Is. 27:9, Jo, 16:20, 2 Co. 4:17);
b) senso da presença de Cristo e indignação (Is. 54:8, Is. 57:16, SI. 97:11);
c) pecado (GI. 5:24; Tg. 1:15, 1 Pd. 2:11, Pv. 7:10 e 22-23, Pv.22:14);
d) incredulidade (Is. 26:3, 2 Sm. 22: 31, Jo. 3:15, 1 Jo. 5:10, Jo. 3:36).
19) Preste especial atenção para os exemplos e vidas das pessoas na Bíblia , como sermões vivos:
a) punições (Nabucodonosor, Herodes, Nm. 25: 3-4, 9; 1 Rs. 14: 9-10; At. 5:5,10; 1 Co.10: 11; Jd. 7);
b) misericórdia e libertação (Daniel, Jeremias, e os três jovens na fornalha ardente)
20) Não pare de ler a Bíblia até que ache seu coração aquecido (SI. 119:93). Deixe que ela não apenas lhe informe, mas também lhe inflame (Jr. 23:29, Lc. 24:32).
21 ) Ponha em prática o que você lê (SI. 119:66; SI. 119:105, Dt, 17:19).
22) Cristo é para nós Profeta, Sacerdote e Rei . Use Seu ofício de Profeta (Ap. 5:5, Jo. 8:12, SI. 119:102-103). Permita que Cristo não só abra as Escrituras diante de você, mas abra diante de sua mente e entendimento (Lc. 24:45).
23) Certifique-se de colocar-se sob os cuidados de um verdadeiro ministro da Palavra, que exponha a palavra fiel e completamente (Pv. 8:34); seja zeloso e ávido em atender seu ofício .
24) Ore para que você tire proveito da leitura (Is. 48:17, SI. 119:18; Ne. 9:20).
Você pode ultrapassar obstáculos naturais da leitura mesmo quando:
1) Você não pareça tirar proveito tanto quanto outros. Lembre-se da produção diferente (Mt. 13:8); embora a produção não seja tanto quanto a dos outros, ainda assim é produção verdadeira e vantajosa.
2) Você pode se sentir lento de entendimento (Lc. 9:45, Hb. 5:11);
3) Sua memória é má.
a) lembre-se que você ainda está apto a ter um coração bom, a despeito disto;
b) você ainda pode lembrar-se das coisas mais importantes, mesmo que não possa lembrar-se de tudo. Seja encorajado por Jo. 14:26.
Autor: Thomas Watson
Abreviado e modernizado por Matthew Vogan
Tradução Livre para a Língua Portuguesa
Extraído do site: www.geocities.com/athens/delphi/7162
18 de novembro de 2007
Totalitarismo Norte-Coreano E Direitos Humanos
Aldir Guedes Soriano - Correio Braziliense, 22 de outubro de 2007
Com o termino da Segunda Grande Guerra Mundial, em 1945, a Coréia foi dividida em Coréia do Norte e Coréia do Sul. Esta seguiu a orientação democrática estadunidense enquanto aquela seguiu a orientação marxista-leninista da União Soviética e se tornou um Estado totalitário. O cientista político Rudolph J. Rummel, em seu livro Death by Government, estima que 800 mil coreanos escaparam da coréia comunista para a democrática logo após a cisão do País, prevendo o iminente desastre. O pânico da população não era indevido, porquanto a revolução comunista na Coréia do Norte cobraria o saldo de 1 milhão e 600 mil vítimas assassinadas, segundo a moderada estimativa de Rummel. Os contra-revolucionários eram enviados para os campos de trabalhos forçados ou executados. Como se não bastasse, em 1955, a Coréia do Norte invadiu a Coréia do Sul provocando a morte de aproximadamente 2 milhões e 550 mil pessoas em batalhas. Durante a ocupação de 4 meses, os anticomunistas eram sistematicamente executados.
Kim Il Sung assumiu o poder da República Coreana como Premier e promoveu uma intensa estatização ou intromissão do Estado na vida privada dos coreanos. Assim, do nascimento à morte os indivíduos passaram a ser controlados pelo regime comunista e totalitário. Em sua própria homenagem, o Premier mandou contruir uma estátua de 18 metros de altura, totalmente coberta de ouro. Honra e lealdade a Kim Il Sung era uma exigência que não podia ser negligenciada sob pena de prisão e, por vezes, morte.
A situação atual na Coréia do Norte é dramática, em face da tirania perpetrada pelo governo de Kim Jong Il. Os norte-coreanos são privados dos mais elementares direitos humanos, como o direito à liberdade religiosa. De acordo com uma classificação publicada em fevereiro de 2007 no site Portas Abertas, a perseguição na Coréia do Norte é severa. Esse país ocupa o primeiro lugar da lista em termos de perseguição religiosa.
As religiões contrárias ao totalitarismo norte-coreano foram peremptoriamente proibidas. As igrejas passaram a ser dominadas pelo Estado. Os religiosos e inimigos do Estado são enviados para campos de trabalhos forçados. Segundo R. J. Rummel, 265 mil pessoas foram assassinadas nesses campos de concentração. Em um vídeo produzido pelo Ministério Portas Abertas, a norte-coreana Soon OK Lee conta a sua experiência. Por razões políticas, ela foi encarcerada em um campo de trabalhos forçados para mulheres, supostamente doentes mentais. Com o tempo, contudo, pôde verificar que se tratava apenas de cristãs, que eram submetidas a terríveis maus tratos. Pouquíssimo alimento era oferecido para as prisioneiras. Durante o seu encarceramento, observou que as prisioneiras grávidas eram espancadas brutalmente até que abortassem. Lee conseguiu fugir para a Coréia do Sul, mas a maioria dos fugitivos é capturada e executada publicamente, como relata Rummel. Os prisioneiros são colocados em um regime de 16 horas por dia de trabalhos forçados e 2 horas de doutrinação ideológica. Além das execuções, muitos morrem em razão da desnutrição ou de doenças. Seria difícil para uma mente humana imaginar cenário tão desolador quanto à realidade dos campos de concentração norte-coreanos.
Segundo Christopher Hitchens, a Coréia do Norte embora seja comunista não é propriamente um Estado ateu, uma vez que o líder atual, Kim Jong Il, e o seu pai Kim Il Sung – no contexto confucionista – são cultuados como deuses. Assim, tratar-se-ia de um Estado religioso ou confessional. Paradoxalmente, como observa Hans Küng, o confucionismo – supostamente a religião do Estado norte-coreano – tem como regra áurea os seguintes dizeres: “O que não desejas para ti mesmo, isso também não faças aos outros”, antecipando em 500 anos o ensinamento de Cristo no Sermão da Montanha. Tal regra parece ter sido olvidada pelo Partido Comunista norte-coreano ou, então, o que é mais provável, a Coréia do Norte tenha se tranfomado em Estado ateu e totalitário, sob a influência da orientação soviética: marxista-leninista.
ALDIR GUEDES SORIANO, advogado no Estado de São Paulo, membro da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-SP (seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil) e autor do livro "Liberdade Religiosa no Direito Constitucional e Internacional" Site do autor: www.aldirsoriano.com.br
Mais informações sobre a Coréia do Norte e a igreja perseguida: www.portasabertas.org.br
Com o termino da Segunda Grande Guerra Mundial, em 1945, a Coréia foi dividida em Coréia do Norte e Coréia do Sul. Esta seguiu a orientação democrática estadunidense enquanto aquela seguiu a orientação marxista-leninista da União Soviética e se tornou um Estado totalitário. O cientista político Rudolph J. Rummel, em seu livro Death by Government, estima que 800 mil coreanos escaparam da coréia comunista para a democrática logo após a cisão do País, prevendo o iminente desastre. O pânico da população não era indevido, porquanto a revolução comunista na Coréia do Norte cobraria o saldo de 1 milhão e 600 mil vítimas assassinadas, segundo a moderada estimativa de Rummel. Os contra-revolucionários eram enviados para os campos de trabalhos forçados ou executados. Como se não bastasse, em 1955, a Coréia do Norte invadiu a Coréia do Sul provocando a morte de aproximadamente 2 milhões e 550 mil pessoas em batalhas. Durante a ocupação de 4 meses, os anticomunistas eram sistematicamente executados.
Kim Il Sung assumiu o poder da República Coreana como Premier e promoveu uma intensa estatização ou intromissão do Estado na vida privada dos coreanos. Assim, do nascimento à morte os indivíduos passaram a ser controlados pelo regime comunista e totalitário. Em sua própria homenagem, o Premier mandou contruir uma estátua de 18 metros de altura, totalmente coberta de ouro. Honra e lealdade a Kim Il Sung era uma exigência que não podia ser negligenciada sob pena de prisão e, por vezes, morte.
A situação atual na Coréia do Norte é dramática, em face da tirania perpetrada pelo governo de Kim Jong Il. Os norte-coreanos são privados dos mais elementares direitos humanos, como o direito à liberdade religiosa. De acordo com uma classificação publicada em fevereiro de 2007 no site Portas Abertas, a perseguição na Coréia do Norte é severa. Esse país ocupa o primeiro lugar da lista em termos de perseguição religiosa.
As religiões contrárias ao totalitarismo norte-coreano foram peremptoriamente proibidas. As igrejas passaram a ser dominadas pelo Estado. Os religiosos e inimigos do Estado são enviados para campos de trabalhos forçados. Segundo R. J. Rummel, 265 mil pessoas foram assassinadas nesses campos de concentração. Em um vídeo produzido pelo Ministério Portas Abertas, a norte-coreana Soon OK Lee conta a sua experiência. Por razões políticas, ela foi encarcerada em um campo de trabalhos forçados para mulheres, supostamente doentes mentais. Com o tempo, contudo, pôde verificar que se tratava apenas de cristãs, que eram submetidas a terríveis maus tratos. Pouquíssimo alimento era oferecido para as prisioneiras. Durante o seu encarceramento, observou que as prisioneiras grávidas eram espancadas brutalmente até que abortassem. Lee conseguiu fugir para a Coréia do Sul, mas a maioria dos fugitivos é capturada e executada publicamente, como relata Rummel. Os prisioneiros são colocados em um regime de 16 horas por dia de trabalhos forçados e 2 horas de doutrinação ideológica. Além das execuções, muitos morrem em razão da desnutrição ou de doenças. Seria difícil para uma mente humana imaginar cenário tão desolador quanto à realidade dos campos de concentração norte-coreanos.
Segundo Christopher Hitchens, a Coréia do Norte embora seja comunista não é propriamente um Estado ateu, uma vez que o líder atual, Kim Jong Il, e o seu pai Kim Il Sung – no contexto confucionista – são cultuados como deuses. Assim, tratar-se-ia de um Estado religioso ou confessional. Paradoxalmente, como observa Hans Küng, o confucionismo – supostamente a religião do Estado norte-coreano – tem como regra áurea os seguintes dizeres: “O que não desejas para ti mesmo, isso também não faças aos outros”, antecipando em 500 anos o ensinamento de Cristo no Sermão da Montanha. Tal regra parece ter sido olvidada pelo Partido Comunista norte-coreano ou, então, o que é mais provável, a Coréia do Norte tenha se tranfomado em Estado ateu e totalitário, sob a influência da orientação soviética: marxista-leninista.
ALDIR GUEDES SORIANO, advogado no Estado de São Paulo, membro da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-SP (seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil) e autor do livro "Liberdade Religiosa no Direito Constitucional e Internacional" Site do autor: www.aldirsoriano.com.br
Mais informações sobre a Coréia do Norte e a igreja perseguida: www.portasabertas.org.br
16 de novembro de 2007
Os tambores de Nietzsche

Recentemente, através do Youtube, deparei-me com uma cena, no mínimo, inusitada: uma famosa cantora gospel brasileira, em um show (que insistem em chamar de “ministração”) começou a afirmar que, ao som dos tambores que seriam tocados pelos seus músicos, as potestades do mal seriam destronadas em nosso país, Satanás e seus asseclas seriam eternamente envergonhados, e o nome do Senhor seria exaltado. Infelizmente, não sei se isso ocorreu antes do recrudescimento da violência no Rio pré-PAN ou antes da avalanche de escândalos morais no Congresso Nacional. Porém, vi que, ao serem tocados os tambores, houve um frenesi, tanto na platéia como no palco: a cantora, sem muita intimidade com instrumentos de percussão, começou a “surrar” um gongo chinês, atravessando todo o ritmo, repetindo a todo tempo os mantras “o Brasil é de Jesus” e “diabo, você está derrotado”.
Sinto-me meio sem rumo. Em minha conversão, há 19 anos, nunca esperaria ver um ritual de macumba gospel palatável à burguesia divulgado pela internet. Ao formar-me no seminário e assumir uma igreja como pastor, há dez anos, não pensava em concordar tão prontamente com a banda de hip hop “Apocalipse 16”, na música “Meus inimigos estão no poder”, uma citação da composição “Ideologia”, de Cazuza.
É triste pensar no cristianismo evangélico atual no Brasil. Tornamo-nos pastiche de uma religiosidade irrelevante — e, o que é pior, tornou-se prato cheio para uma mídia com má vontade e sedenta de escândalos. Afinal, em dois dos mais recentes escândalos no país, evangélicos estão envolvidos de forma negativa: a recente acusação contra um deputado federal, líder de uma denominação, que pagou para um pistoleiro matar outro deputado, também pertencente à sua denominação; e, no caso do senador Renan Calheiros, Mônica Veloso, a repórter que não sabe fazer planejamento familiar e engravidou de um poderoso senador meio sem querer, afirmou ser, de acordo com entrevista à “Folha de S. Paulo”, “evangélica, batista, do Vale do Amanhecer”.
Friedrich Nietzche é um nome que causa arrepios entre nós, nem tanto por sua colaboração filosófica vital ao nazismo, mas mais por sua virulência contra o cristianismo protestante, atacando sem dó nem piedade a moral e os valores cristãos. Para ele, a figura de Jesus é o retrato mais bem acabado do fracasso e da derrota. Esta moral deveria ser suplantada por uma outra. Para tanto, ele propunha a nova moral, a nova ética, a partir do super-homem. Mas, para que tal intento tivesse sucesso, era necessário ter a consciência de que Deus, a fonte da moralidade cristã, morreu. Ele mesmo escreveu, em um de seus textos: “Deus morreu e nós o matamos! Sinta o cheiro da putrefação divina!”
Será que Nietzche está, afinal, certo? Será que Deus realmente morreu? Afinal, qual a relevância de Deus para o movimento evangélico de hoje? Qual a relevância dos valores do Evangelho do Reino, reduzidos a um mero exorcismo com tambores em um “show gospel” mal tocado? Aquilo que aprendemos nos domingos, em nossas comunidades, é praticado no dia-a-dia? Aquilo que aprendemos é mesmo aquilo que está na sua Palavra? Deus é relevante, ou se torna figura de retórica, pedra de toque, fetiche religioso para manipulação mágica do mundo espiritual, como o temos reduzido ultimamente?
Se não retornarmos (ou melhor, nos convertermos) ao Evangelho do Reino, abandonando o falso evangelho da macumba gospel, infelizmente, seremos obrigados a imaginar Nietzche, com aquele bigodão de vassoura, dando folgadas gargalhadas no inferno e gritando em alemão: “Eu venci!”. Que sejamos sal em um mundo apodrecido e luz no meio das trevas religiosas. Que o Senhor tenha misericórdia de nós.
Autoria:Rodrigo de Lima Ferreira.
www.panoramateologico.blogspot.com
14 de novembro de 2007
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