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19 de julho de 2007

TAM

SÓ 200?
- crônica de uma tragédia -

Minha cidade chora. Chora copiosa e tristemente. As águas que sobre ela caem, com nuvens que custam ir embora, simbolizam o que cada paulistano sente, ao saborear novamente o fel amargo da tragédia. São Paulo chora. E geme...

Tragédia avisada, denunciada, antecipada, temida, tragédia sem importância aos imperadores deste país caótico e hipócrita, que embeleza os saguões e salas 'vip' dos aeroportos, e não se importa com com os sistemas de controle aéreo, que funcionam mal, tanto quanto os dos países mais pobres do planeta, aeroporto de pistas alagadas, esburacadas e esfarrapadas, com obras entregues às metades, promovendo políticos promíscuos, bêbados de poder a qualquer custo!

Chora a cidade e choram mais de 200 famílias. Algo em torno de 200 pessoas morreram ontem. Um avião lotado, vindo de Porto Alegre, ao pousar em Congonhas, aeroporto de São Paulo, não conseguiu aderência à pista, escorregando por centenas de metros, e, ao que parece, numa última tentativa de evitar o mal anunciado, tentou subir novamente, vindo cair em cima da própria empresa que o administrava.

Meu Deus! Quantas vezes ouvimos dizer que a situação precária deste aeroporto prenunciava outro acidente de grandes proporções? Quantas vezes uma simples chuva interrompia pousos e decolagens, numa era moderna como a nossa, demonstrando estar o país regredido à era dos aviões de papel? Quantas denúncias recebia? Um dia antes outro vôo, da PANTANAL, fez o mesmo caminho da morte, porém, dadas as condições, com poucos estragos. Mas deixaram como estava, não houve providência alguma, e agora eis aí, 200 mortos!

Não! Eu disse 200? De jeito nenhum. MUITO MAIS!

Há também 200 famílias que morrem. Pais que não chegarão mais em suas casas, filhos que não completarão seus estudos, mulheres que não realizarão seus sonhos profissionais e existenciais, funcionários que não galgarão mais seus degraus de progresso, cidades que não contarão mais com seus professores, médicos, bombeiros, homens do povo, mulheres que não educarão mais os seus filhos! Quantas famílias não terão mais a renda de seus familiares! Indenização? Sejamos honestos: alguns NUNCA as receberão, assim como famílias do acidente de 1996 não receberam e nunca receberão! Porque, para a empresa, o que vale é a vitória na justiça e o lucro no bolso, e que se danem os acidentados! Lei do capitalismo selvagem, onde canta de galo quem paga um advogado melhor...

E o que dizer das 200 histórias interrompidas? Quantos sonhos queimaram nas labaredas da Avenida Washington Luiz? Custou dominar as chamas, mais de sete horas de trabalho. Na verdade, a fumaça escura, cinzenta e mal-cheirosa era um protesto das duzentas vidas que não completaram seus sonhos: a formatura, o casamento, o nascimento ou a concepção do filho, a visita ao familiar, as férias de julho, a volta para casa, o regresso ao trabalho, a aposentadoria tão esperada! Lá se foram as histórias e os seus protagonistas, transformados em fumaça preta e fedor de carne queimante!

E o que falar das 200 agonias? Deus, o que passou pela cabeça do piloto, ao escorregar e arremeter novamente, vindo a cair? E os passageiros, já quase desafivelando seus cintos de segurança, ligando celulares, com pressa para desembarcar? De repente o avião sobe novamente, faz uma curva medonha e cai sobre um prédio! Ouço o grito das mães desesperadas, escuto o choro das crianças assustadas, vejo pessoas desesperados em chamas pelos corredores vermelhos de tanto fogo, nas labaredas da grande explosão de combustível; observo aqueles dois religiosos rezando e outro crente orando, buscando ou um milagre ou pedindo uma morte indolor, azul de medo, vermelho de dor!

E agora, INFRAERO? E agora, Governo Federal? E agora, TAM? E agora, responsável por Congonhas? E AGORA, BRASIL???

Enquanto me lembro do tempo de criança, quando cantávamos ESTE É UM PAÍS QUE VAI PRA FRENTE, agora lamento muito e transformo a frase em ESTE É UM PAÍS QUE CAI PRA FRENTE... Deus do Céu, mais um acidente aéreo!

Mas não é só São Paulo que lamenta. O Brasil lamenta. A América Latina lamenta. O mundo lamenta. Afinal, cada país tem seu histórico de tragédias aéreas, e sabe o quanto custa e que muitas são realmente fatalidades. Porém, nós, que somos brasileiros, podemos numa auto-crítica e numa lavagem de roupas em casa, dizer: CHEGA, BRASIL! Qual vôo será o próximo? Os que eu tomar? Os do meu irmão e seus funcionários viajores? Os do meu próximo? Ou outro de desconhecidos pessoais? Não há desconhecidos, pois todos somos interdependentes, e a dor das famílias que agora sofrem no hotel, com a notícia fatídica, é também a dor de todos nós, pais, mães, cunhados, irmãos, genros, sogras, tios, pastores, padres, vizinhos, colegas, amigos!

Eu, como cristão, crendo completamente no futuro, mas no futuro de uma Nova Terra, e na tragédia aumentante nesta, com o cumprimento de tudo o que Cristo disse que iria acontecer, só posso vislumbrar o crescente tumulto como um aviso: CRISTO ESTÁ VOLTANDO! É hora de preparar-nos, pois ele pode vir a qualquer tempo e em qualquer circunstância, sob a égide de qualquer governo, em qualquer lugar. Hoje morreram passageiros e tripulantes, mas também funcionários de um prédio e transeúntes que nada tinham a ver com isso. Estaremos nós preparados para o encontro? Estaremos prontos para morrer?

Ó terra, terra, terra! Ouve a palavra do Senhor. (Jr 22:29)
Prepara-te para te encontrares com o teu Deus. (Am 4:12)
Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? (Lc 12:20)
Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. (Mt 6:20)

Parafraseando Getúlio Vargas, são 200 pessoas que deixam a vida para entrar na História. Trágica história de um acidente previsto, anunciado e tetricamente aguardado. Mais uma efeméride maldita para este país que chora!

Que seja o último desse tipo, pois, em pleno século XXI, não é aceitável ter uma aviação regressiva e de botar medo no mais corajoso piloto, que reclama à torre o trabalho aflitivo de pousar a aeronave numa pista molhada. Que seja o último numa era de tecnologia, que não foi capaz de sinalizar suficientemente que o aeroporto tinha que estar fechado, ou com um comando covarde, político e hipócrita, que, amedrontado pelas hostes políticas, deixou de tomar as decisões certas na hora certa.

Como se diz, 'só no dia em que se cortar da própria carne do governo'. Bem, com lamento, mas com realismo, agora há um deputado falecido com o grupo. Creio que a inércia chegará ao fim. Ajam, por favor!

Que Deus tenha misericórdia de nós.

Vem, Senhor Jesus!

falando por mim mesmo,
Wagner Antonio de Araújo
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