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18 de outubro de 2007
[O Homem Que Foi Ressuscitado]
O Minissionário e Evangelista Luiz Gonçalves, relata em seu site pessoaltoda sua história de milagres.
UM MILAGRE
Foi assim que definiram os médicos do Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. O fato do Missionário Evangélico Luiz Gonçalves ter ressuscitado da morte, depois de um assalto e tentativa de homicídio, deixou os médicos admirados.
O missionário foi convidado pelo repórter de Tv, Ney-Carlos, para dar o testemunho e contar sua História no programa do Raul Gil, na Rede Record e na Rede Bandeirantes no programa da Márcia Goldschmidt além de tantos outros programas de televisão, Rádio e jornais que também divulgaram a história do milagre. Além de pregar a palavra de Deus o Missionário é compositor.
O TESTEMUNHO
A TRAGÉDIA
O fato aconteceu na cidade de São Paulo, em minha residência, no Bairro Cachoeirinha na Zona norte da capital.
Tudo começou,quando eu estava em minha casa sozinho,e dormindo por volta das sete horas da manhã. Os bandidos chegaram. e abriram tudo de uma forma bem sutil, antes de roubar qualquer coisa, eles foram até o meu quarto,e me acordaram,batendo com um revolver na minha cabeça,pedindo para que eu me levantasse,e entregasse para eles a chave do meu automóvel.
Após pegarem a chave do meu carro, um deles foi até a garagem, ligou o carro, e pos o veiculo na rua ligado. Enquanto o outro bandido pediu que eu não saísse de dentro do quarto.
E quando o outro veio de fora, os dois começaram a carregar vários objetos da minha casa, e colocar dentro do veiculo que estava na rua. Após subtraírem vários pertences, os ladrões entraram para o quarto,onde eu me encontrava,encostaram uma arma na minha cabeça, pedindo para que eu colocasse os dois braços para trás, e em seguida eles me amarraram com uma corda de caminhoneiro. Depois de está bem amarrado, com as mãos para trás, eles disseram; Agora você vai morrer. Então eu disse para eles, a obra do diabo, é matar, roubar, e destruir, mais Jesus cristo está comigo, e ele quer salvar vocês. E mesmo eu falando de Deus para eles, eles não se convenceram a mudarem de idéia. Logo eles amarraram pano na minha boca, para que eu não gritasse e me empurraram encima da cama, em seguida, um deles saiu, e foi para o dentro do carro, e só um ficou dentro do quarto. De repente ele começou a dar pauladas na minha cabeça, naquele momento tão dolorido, comecei a pedir para Deus em pensamento, que me aliviasse, pois as dores eram muito forte, mais tudo continuou, até que o bandido pegou uma faca de açougueiro, e deu várias facadas no meu pescoço. Na primeira facada eu sente que as veias do meu pescoço foram cortadas, por que o sangue se esguichava, por toda aquela cama, em seguida ele me deu outra facada, abrindo uma cratera no meu pescoço, eu ainda estava consciente, e sente tudo, e na terceira facada, ele a enfiou na minha nuca, e a faca, atravessou minha garganta, saindo na frente pela boca. Logo em seguida o bandido saiu de dentro do meu quarto, me deixando ali agonizando. Até este momento já havia um lago de sangue encima daquela cama, e eu fui perdendo todas as minhas forças, e perdi a respiração, sente que meus pulmões, estavam enchendo de sangue, por que eu bebia e respirava o próprio sangue, der repente perdi por completo a respiração, e fui desfalecendo ainda mais, e a agonia se tornou ainda maior, e comecei a debater de um lado para o outro, e fui saindo de mim, e perdendo a consciência, mais ainda posso me lembrar que eu disse assim; Senhor Jesus, o Senhor é a ressurreição e a vida, e ninguém sabe que eu estou aqui morrendo, e só o senhor pode me tirar daqui, e a resposta dele para mim, não tardou, e ele entrou em ação para me salvar.
[O SOCORRO E DIVINO] Nesse momento eu vi um resplendor de luz, que veio no meu quarto encima do meu corpo, e as dores que eram muito fortes, saíram de uma vez,o sangue que estava me sufocando, foi removido, e só assim comecei a respirar de novo. O Senhor Jesus naquele momento, estava me socorrendo e me tirando dali. E em um milagre ainda maior, aquelas cordas que me prendiam foram desamarradas misteriosamente.
Amigos, estou descrevendo isso neste momento emocionado, por que as palavras,é muito pouco,diante da grandeza do milagre,e da gratidão que tenho por Jesus Cristo, pois só ele sabia que eu estava ali me agonizando e ninguém mais,e só ele poderia me tirar dali,E isto ele fez mostrando seu amor e o seu poder.Naquele instante,quando eu sente que as cordas se soltaram,eu também sentia,que Deus estava me dando forças para sair dali,então eu levantei daquela cama todo ensangüentado e ainda com a faca encravada no meu pescoço.
[O SUSTO] Exatamente no momento em que eu estava saindo do meu quarto pra sala,afim de sair pra rua e gritar por socorro,tomei um tremendo susto,por que o homem que havia tentado contra a minha vida,ainda estava no interior da minha casa,roubando mais objetos e quando ele me viu, tomou um tremendo susto, não acreditando que eu estava ali vivo e de pé olhando para ele e ele ficou ali parado e estarrecido, olhando para mim e imaginando, quem poderia ter me tirado daquelas cordas,que me prendiam dentro daquele quarto, sendo que ele havia me deixado ali,mais morto do que vivo, e todo imobilizado.
[O ESCAPE] Enquanto isso eu corri pra rua a fim de buscar ajuda.
Quando eu cheguei à rua, consegui gritar por socorro, e sente que ali, a vida pra mim, estava findando, por que o mundo naquele momento pra mim acabou e eu cai de costas e ainda pude sente, que a faca que estava cravada em mim,entrou mais ainda pra dentro do meu pescoço,por que eu cai de costas no chão. A partir dali eu não vi mais nada.
[O SOCORRO HUMANO] Segundo os vizinhos que acionaram um nove zero, os bandidos fugiram, antes que policia chegasse. E ao chegar várias viaturas de policia no local, juntamente com eles, veio um carro de reportagem da TV, Bandeirantes. O repórter Ney-Carlos, movido por um espírito de profissionalismo sentiu que deveria fazer uma reportagem do caso para ver qual seria o desfecho final dos fatos, e que nesse momento, saiu acompanhando a viatura do resgate, que estava me levando às pressas ao hospital de pronto socorro.
Segundo testemunhou o repórter,quando deram entrada comigo no centro de cirurgia,os médicos,disseram; Tarde demais, ele não tem mais sinais de vida e que a partir dali se empenhariam apenas em um processo de retirar a faca do pescoço, pois meu corpo não tinha mais sinais vitais, mais no momento de retirada da faca, os médicos se admiraram.
[DE VOLTA PARA A VIDA] Minha respiração e batimentos cardíacos voltaram, naquele instante, eles imediatamente ligaram vários aparelhos de medicina, a fim de manter meu corpo com sinais vitais, até fazer todo o procedimento cirúrgico e que mesmo assim minha chance de sobreviver era zero vírgula zero, em razão da gravidade do caso.
Mas tudo deu certo, até que várias cirurgias foram realizadas, com sucesso, um processo que levou várias horas. E Depois disso ainda passei mais de trinta horas, em estado de coma profundo documentou o repórter Ney-Carlos da TV Band em São Paulo.
[O DESPERTAR DO COMA] Após ter sido despertado, do estado em que eu me encontrava, em volta daquela cama, já havia vários, familiares que chegaram a receber a noticia que eu já havia morrido, mais o Senhor Jesus me deu uma vida nova, e os médicos felizes, pelo excelente trabalho que fizeram,acenaram pra mim com as mãos, e diziam; parabéns Luiz Gonçalves, você foi forte, e suportou tudo, eu ainda não estava falando, mais no meu pensamento, eu dizia para mim mesmo, talvez que os parabéns sejam pra mim, mais a Glória, nunca deixara de ser de Senhor Jesus cristo.
[AS SEQUELAS]. Em razão de tudo, isso eu perdi a fala, e tinha constantemente perda da memória, por causa de tantas pauladas na cabeça, e em razão da facada na nuca, na região cervical, tentava andar e não conseguia os médicos que faziam em mim, o tratamento de fisioterapia, pediam para que eu me esforçasse para andar, e quando eu tentava andar mesmo que apoiando em um aparelho apropriado, a sensação que eu sentia,era horrível, pois eu sentia que minhas pernas eram de panos, e eu me sentia como uma criança, tentando andar e não conseguindo por que as pernas estavam moles, e eu não tinha nenhuma firmeza, e assim foi por vários dias.
Os médicos me mandavam para outros hospitais mais sofisticados para fazer exames mais delicados e mesmo assim tudo continuava do mesmo jeito.
Mais muitas Igrejas estavam orando por mim, para que eu ficasse curado de tudo, e votasse a pregar a palavra do Senhor Jesus como sempre fazia. As visitas pra mim naquele hospital eram constantes,e eu também orava muito ao Senhor para ficar, bom e sair logo dali e poder recomeçar minha vida.Um dia eu recebi a visita de jovem pastor, que por sinal é muito meu amigo,e recebi ali suas orações com muita fé,de ambas as partes.e ainda me lembro das palavras proféticas daquele pastor,dizendo para mim,Luiz Gonçalves,Deus manda dizer pra você, que a Glória da segunda casa será maior que a primeira. Logo quando aquele pastor me abençoou e deixou o quarto onde eu estava eu continuei fazendo orações, e pedindo a Deus que me curasse por completo, e eu disse para o Senhor, que eu saindo daquele hospital, eu iria deixar a meu micro empresa, e meus negócios em particular, e viajar por todo o Brasil e o mundo,por onde quer que ele me envie,pregando a palavra, e testemunhando o milagre. Após ter falado estas palavras ao Senhor Jesus, eu comecei a sente algo diferente naquele quarto.
[A VIZÃO DE UM ANJO] E quando eu olhei para a porta de entrada, um médico apareceu, e olhando para mim, veio andado em minha direção, em suas mãos ele tinha um estojo medicinal, e quando ele chegou a beira da minha cama, ele me disse; filho, feche os teus olhos,por que eu também fui enviado,para cuidar de você e eu fechei os olhos e fiquei imaginando quem seria aquele doutor, que até então eu nunca tinha visto naquele hospital.E estando,de olhos fechados,eu vi tudo que ele fazia,por que na verdade era uma visão do mundo espiritual.
[A CURA ] E ele abriu aquele estojo,por cima do meu corpo,e tornou a fechá-lo e quando eu abri meus olhos,e olhei ao lado direito da minha cama,aquele ser desapareceu e eu não o vi mais,então eu disse pra mim mesmo: Meu Deus cadê aquele médico? Então me veio o discernimento, e disse; Senhor Jesus, agora sei que o Senhor mandou um anjo de Deus a beira da minha cama pra me curar, e a partir daquele momento a minha recuperação causou admiração nos próprios médicos. E com o passar dos dias fiquei totalmente curado, e perfeito, pois o senhor restabeleceu a minha fala, curou a minha memória, e firmou os meus passos. Em meu corpo não ficou nem uma seqüela por que o senhor Jesus Cristo, é a luz que brilhou pra mim, no fim do túnel e tudo terminou com um final feliz. Em razão disso, dois médicos se converteram para cristo. Glória Deus, por tudo que ele fez.
[A JUSTIÇA ] Ao sair do hospital fui chamado pelo delegado de policia civil, para prestar depoimento para que o crime fosse esclarecido e poucos dias depois um dos bandidos foi prezo.
[O REENCONTRO ] Alguns meses depois, fui chamado também no fórum para depor,e fazer o reconhecimento dele,na justiça. O juiz me fez muitas perguntas, e em dado momento ele me perguntou, depois que te deram as pauladas e facadas, o que aconteceu, e eu disse; eles saíram do meu quarto, e me deixaram ali todo amarrado, e agonizando pra morrer, e o que é pior, sem nem uma chance de sair dali, e o juiz então leu mais um texto do processo e perguntou assim, quem foi no teu quarto te socorrer, e eu fui enfático na resposta e disse; Excelência, eu sou cristão Evangélico e creio no poder do alto, ninguém sabia que eu estava dentro daquele quarto, me agonizando, pré-morte a não ser o Senhor Deus, e eu clamei por Jesus em oração, pedindo a ele que me tirasse dali, pois só ele poderia fazer isto e o que aconteceu ali, foi um grande milagre, por que as dores fortes que eu sentia,sumiram a respiração voltou e as de cordas que me prendiam se soltaram sozinhas e eu me levantei dali.
[JUIZ RECONHECE O MILAGRE] E o juiz não tendo outra coisa para escrever no processo, virou para sua assistente judicial e disse; conste nos autos, foi Jesus cristo quem o soltou das cordas. Que maravilha, além dos jornais e programas de TV, até no processo de crime, consta o nome do Senhor Jesus como meu salvador. E neste dia,o réu que esteve ali, foi exatamente o homem que havia me amarrado no dia do crime. Passou alguns meses, o outro criminoso também foi prezo, e eu fui chamado novamente ao fórum para reconhecê-lo, e ao chegar ao fórum uma coisa muita linda aconteceu.
[O PERDÃO] Porque o bandido me pediu que o perdoasse, e eu disse pra ele, que o perdoaria de coração, em seguida ele disse: Pastor eu posso te dar um abraço e eu disse: pode e ele me abraçou e começou a chorar e me disse: Pastor eu posso aceitar Jesus e eu disse: Só não pode como deve e ele mostrava um profundo sentimento de arrependimento e aceitou o Senhor Jesus em seu coração.
Glória Deus, por que ele faz isso e muito mais, e dai em diante não parei mais, viajando por todo o País e mais de seis mil almas já foram alcançadas para Cristo através do testemunho.
[JÁ ERA EVANGÉLICO] Eu já Evangélico mesmo antes da tragédia, depois do milagre Deus me fez um ganhador de almas para o reino de Cristo. Hoje paro e penso sobre quantas vezes fui curado por Jesus de enfermidades que me levariam a morte, tantos livramentos em outros assaltos em São Paulo, quantos livramentos de morte em acidentes de carro pelas estradas do Brasil e por fim os bandidos atravessaram a faca no meu pescoço de um lado para o outro. E mesmo assim Jesus me trouxe da morte para a vida e me curou por completo e não deixou nenhuma seqüela.
Só ficaram as cicatrizes que me deixaram marcado por tantos milagres já alcançados de Jesus Cristo. E por que não dizer sou um homem grandemente abençoado por Deus a ponto de crer nele de tal forma que nem acredito na morte e espero o grande dia da sua volta. para buscar aqueles que o esperam para a salvação,pois afinal milhões de Cristãos estarão vivos no dia de sua volta.
Maranata, hora vem Senhor Jesus.
http://www.ressuscitado.com/
[Gondim Comenta Acusadores]
Quando palhaços discutem...
Ricardo Gondim
Já fui insistentemente provocado a envolver-me em polêmicas. . Vez por outra, sou desafiado por gente que precisa pegar carona numa controvérsia para ganhar fama. Lamento afirmar, mas já caí na armadilha!
O pior é que o meio religioso está povoado de intolerantes que se enxergam separados para preservar a ortodoxia; e como se deliciam em ridicularizar os que não se conformam aos seus dogmas. A gente precisa ficar esperto para não embarcar em suas provocações.
Paulo aconselhou ao seu discípulo Timóteo que não entrasse em debates infrutíferos. Seguindo seu conselho, preciso aprender a desdenhar dos que me desafiam para o ringue teológico e escapar das teias montadas pelos que se enxergam escolhidos para protegerem o que julgam ser a Verdade.
Li um texto do moçambicano Mia Couto (Estórias Abensonhadas – Caminho, Portugal, 2002) e ri muito. Parecia que ele conhecia o ambiente fundamentalista que se alastra no Brasil religioso; considerei tão pertinente que transcrevo:
“Uma vez dois palhaços se puseram a discutir. As pessoas paravam, divertidas, a vê-los.
- É o que?, perguntavam.
- Ora, são apenas dois palhaços discutindo.
Quem os podia levar a sério? Ridículos, os dois cômicos ripostavam. Os argumentos eram simples disparates, o tema era uma ninharice. E passou-se um inteiro dia.
Na manhã seguinte, os dois permaneciam, excessivos e excedendo-se. Parecia que, entre eles, se azedava a mandioca.
Na via pública, no entanto, os presentes se alegravam com a mascarada. Os bobos foram agravando insultos, em afiadas e afinadas maldades. Acreditando tratar-se de um espetáculo, os transeuntes deixavam moedinhas no passeio.
No terceiro dia, porém, os palhaços chegavam a vias de fato. As chapadas se desajeitavam, os pontapés zumbiam mais no ar que nos corpos. A miudagem se divertia, imitando os golpes dos saltimbancos. E riam-se dos disparatados, os corpos em si mesmos se tropeçando. E os meninos queriam retribuir a gostosa bondade dos palhaços.
-Pai, me dê as moedinhas para eu deitar no passeio.
No quarto dia, os golpes e murros se agravavam. Por baixo das pinturas, o rosto dos bobos começava a sangrar. Alguns meninos se assustaram. Aquilo era verdadeiro sangue?
-Não é a sério, não se aflijam, sossegaram os pais.
Em falha de trajetória houve quem apanhasse um tabefe sem direção. Mas era coisa ligeira, só servindo para aumentar os risos. Mais e mais gente se ia juntando.
- O que se passa?
Nada. Um ligeiro desajuste de contas. Nem vale a pena separá-los. Eles se cansarão, não passa o caso de uma palhaçada.
No quinto dia, contudo, um dos palhaços se muniu de um pau. E avançando sobre o adversário lhe desfechou um golpe que lhe arrancou a cabeleira postiça. O outro, furioso, se apetrechou de simétrica matraca e respondeu na mesma desmedida.
Os varapaus assobiaram no ar, em tonturas e volteios. Um dos espectadores, inadvertidamente, foi atingido. O homem caiu, esparramorto.
Levantou-se certa confusão. Os ânimos se dividiram. Aos poucos, dois campos de batalha se foram criando. Vários grupos cruzavam pancadarias. Mais uns tantos ficaram caídos.
Entrava-se na segunda semana e os bairros em redor ouviram dizer que uma tonta zaragata se instalara em redor dos dois palhaços. E que a coisa escaramuçara toda a praça. E a vizinhança achou graça.
Alguns foram visitar a praça para confirmar os ditos. Voltavam com contraditórias e acaloradas versões. A vizinhança se foi dividindo, em opostas opiniões. Em alguns bairros se iniciaram conflitos.
No vigésimo dia se começaram a escutar tiros. Ninguém sabia exatamente de onde provinham. Podia ser de qualquer ponto da cidade. Aterrorizados, os habitantes se armaram. Qualquer movimento lhes parecia suspeito. Os disparos se generalizaram.
Corpos de gente morta começaram a se acumular nas ruas. O terror dominava toda cidade. Em breve, começaram os massacres.
No princípio do mês, todos os habitantes da cidade haviam morrido. Todos exceto os dois palhaços. Nessa manhã os cômicos se sentaram cada um em seu canto e se livraram das vestes ridículas. Olharam-se, cansados.
Depois, se levantaram e se abraçaram, rindo-se a bandeiras despregadas. De braço dado, recolheram as moedas nas bermas do passeio. Juntos atravessaram a cidade destruída, cuidando não pisar os cadáveres. E foram à busca de uma outra cidade“.
Gostei deste texto do Mia Couto. E a moral da estória seria: Aqueles que gostam de discutir apenas para ganhar pelejas ou firmar dogmas, acabam se transformando em palhaços. E quando bufões pelejam, muita gente pode morrer.
Assim, reservo-me a só conversar, tecer os mistérios divinos e ser confrontado em ambientes onde existe afeto, compreensão e respeito. Os outros que procurem palhaços para o seu espetáculo macabro!
Conselhos aos Neo-Inquisidores
Ricardo Gondim
Ficou meio indigesto saber que estava na alça de mira dos professores de seminário como o mais recente despirocado da fé. Perturbei-me, confesso, com os desdobramentos do “diz-que-diz-que” das minhas doidices doutrinárias e com os males que esse ambiente poderia trazer ao coração dos simplórios, e das velhinhas que, porventura, me quisessem bem.
Se no começo senti-me bem abalado, depois preocupado, agora tenho vontade de gargalhar. Esse negócio de ainda catalogar e desqualificar o pensamento alheio, é patético. Demarcar os contornos do exercício acadêmico dentro de rótulos não é apenas anacrônico, mas tosco e primitivo. Junto com meu riso frouxo, tenho dó desses estudantes de teologia, formados por professores com massa encefálica do tamanho de uma ervilha.
Para facilitar os neo-Torquemadas, tentarei reescrever o mapa usado pela Inquisição para identificar, processar e queimar quem ousava pensar fora da cartilha da Santa Igreja.
1. Alfinete com precisão os pontos em que a “nova doutrina” se distancia do que foi sempre aceito como verdade.
2. Procure mostrar a perniciosidade da “nova doutrina” e como ela põe em risco a estabilidade e o futuro da fé.
3. Dê um nome à “nova doutrina”; para derrubá-la você precisa colocá-la dentro de contornos bem claros. Ela precisa de um rótulo.
4. Desqualifique as pessoas que defendem a “nova doutrina”; prove por "a+b" que só um desvairado, um inconseqüente, teria coragem de dizer aquele tipo de coisa e que os lúcidos estão na trincheira oposta.
5. Espiritualize sua cruzada contra a “nova doutrina”; diga que ela nasceu no inferno e você, como um augusto defensor da verdade, não pode permanecer calado.
6. Mostre que os argumentos da “nova doutrina” estão calcados em pessoas estranhas à verdadeira fé; mostre que católicos, judeus, ateus e, principalmente, poetas pecadores são citados para referendar a apostasia.
7. Torne o debate emotivo; antes de tratar suas possíveis discordâncias, faça afirmações bem comoventes; por exemplo: “eu não quero ir para o mesmo céu que ele” ou, “se for assim, esse Deus não me serve”.
8. Tire frases do contexto, construa raciocínios distorcidos, sofisme, contanto que o herege seja enfraquecido.
9. Cite obras sem jamais tê-las realmente lido, mencione a crítica feita aos autores e procure fazer com que as pessoas afirmem: “não li, não gostei”.
10. Reduza os conceitos do herege a um clichê ou a deduções bobinhas; assim os simplórios vão concordar com você.
Enquanto os Inquisidores trabalharm, eu vou continuar a gargalhar e a celebrar a vida; amando meu próximo e procurando concretizar os sinais do Reino de Deus, que já chegou.
Soli Deo Gloria.
http://www.ricardogondim.com.br/Arti
Ricardo Gondim
Já fui insistentemente provocado a envolver-me em polêmicas. . Vez por outra, sou desafiado por gente que precisa pegar carona numa controvérsia para ganhar fama. Lamento afirmar, mas já caí na armadilha!
O pior é que o meio religioso está povoado de intolerantes que se enxergam separados para preservar a ortodoxia; e como se deliciam em ridicularizar os que não se conformam aos seus dogmas. A gente precisa ficar esperto para não embarcar em suas provocações.
Paulo aconselhou ao seu discípulo Timóteo que não entrasse em debates infrutíferos. Seguindo seu conselho, preciso aprender a desdenhar dos que me desafiam para o ringue teológico e escapar das teias montadas pelos que se enxergam escolhidos para protegerem o que julgam ser a Verdade.
Li um texto do moçambicano Mia Couto (Estórias Abensonhadas – Caminho, Portugal, 2002) e ri muito. Parecia que ele conhecia o ambiente fundamentalista que se alastra no Brasil religioso; considerei tão pertinente que transcrevo:
“Uma vez dois palhaços se puseram a discutir. As pessoas paravam, divertidas, a vê-los.
- É o que?, perguntavam.
- Ora, são apenas dois palhaços discutindo.
Quem os podia levar a sério? Ridículos, os dois cômicos ripostavam. Os argumentos eram simples disparates, o tema era uma ninharice. E passou-se um inteiro dia.
Na manhã seguinte, os dois permaneciam, excessivos e excedendo-se. Parecia que, entre eles, se azedava a mandioca.
Na via pública, no entanto, os presentes se alegravam com a mascarada. Os bobos foram agravando insultos, em afiadas e afinadas maldades. Acreditando tratar-se de um espetáculo, os transeuntes deixavam moedinhas no passeio.
No terceiro dia, porém, os palhaços chegavam a vias de fato. As chapadas se desajeitavam, os pontapés zumbiam mais no ar que nos corpos. A miudagem se divertia, imitando os golpes dos saltimbancos. E riam-se dos disparatados, os corpos em si mesmos se tropeçando. E os meninos queriam retribuir a gostosa bondade dos palhaços.
-Pai, me dê as moedinhas para eu deitar no passeio.
No quarto dia, os golpes e murros se agravavam. Por baixo das pinturas, o rosto dos bobos começava a sangrar. Alguns meninos se assustaram. Aquilo era verdadeiro sangue?
-Não é a sério, não se aflijam, sossegaram os pais.
Em falha de trajetória houve quem apanhasse um tabefe sem direção. Mas era coisa ligeira, só servindo para aumentar os risos. Mais e mais gente se ia juntando.
- O que se passa?
Nada. Um ligeiro desajuste de contas. Nem vale a pena separá-los. Eles se cansarão, não passa o caso de uma palhaçada.
No quinto dia, contudo, um dos palhaços se muniu de um pau. E avançando sobre o adversário lhe desfechou um golpe que lhe arrancou a cabeleira postiça. O outro, furioso, se apetrechou de simétrica matraca e respondeu na mesma desmedida.
Os varapaus assobiaram no ar, em tonturas e volteios. Um dos espectadores, inadvertidamente, foi atingido. O homem caiu, esparramorto.
Levantou-se certa confusão. Os ânimos se dividiram. Aos poucos, dois campos de batalha se foram criando. Vários grupos cruzavam pancadarias. Mais uns tantos ficaram caídos.
Entrava-se na segunda semana e os bairros em redor ouviram dizer que uma tonta zaragata se instalara em redor dos dois palhaços. E que a coisa escaramuçara toda a praça. E a vizinhança achou graça.
Alguns foram visitar a praça para confirmar os ditos. Voltavam com contraditórias e acaloradas versões. A vizinhança se foi dividindo, em opostas opiniões. Em alguns bairros se iniciaram conflitos.
No vigésimo dia se começaram a escutar tiros. Ninguém sabia exatamente de onde provinham. Podia ser de qualquer ponto da cidade. Aterrorizados, os habitantes se armaram. Qualquer movimento lhes parecia suspeito. Os disparos se generalizaram.
Corpos de gente morta começaram a se acumular nas ruas. O terror dominava toda cidade. Em breve, começaram os massacres.
No princípio do mês, todos os habitantes da cidade haviam morrido. Todos exceto os dois palhaços. Nessa manhã os cômicos se sentaram cada um em seu canto e se livraram das vestes ridículas. Olharam-se, cansados.
Depois, se levantaram e se abraçaram, rindo-se a bandeiras despregadas. De braço dado, recolheram as moedas nas bermas do passeio. Juntos atravessaram a cidade destruída, cuidando não pisar os cadáveres. E foram à busca de uma outra cidade“.
Gostei deste texto do Mia Couto. E a moral da estória seria: Aqueles que gostam de discutir apenas para ganhar pelejas ou firmar dogmas, acabam se transformando em palhaços. E quando bufões pelejam, muita gente pode morrer.
Assim, reservo-me a só conversar, tecer os mistérios divinos e ser confrontado em ambientes onde existe afeto, compreensão e respeito. Os outros que procurem palhaços para o seu espetáculo macabro!
Conselhos aos Neo-Inquisidores
Ricardo Gondim
Ficou meio indigesto saber que estava na alça de mira dos professores de seminário como o mais recente despirocado da fé. Perturbei-me, confesso, com os desdobramentos do “diz-que-diz-que” das minhas doidices doutrinárias e com os males que esse ambiente poderia trazer ao coração dos simplórios, e das velhinhas que, porventura, me quisessem bem.
Se no começo senti-me bem abalado, depois preocupado, agora tenho vontade de gargalhar. Esse negócio de ainda catalogar e desqualificar o pensamento alheio, é patético. Demarcar os contornos do exercício acadêmico dentro de rótulos não é apenas anacrônico, mas tosco e primitivo. Junto com meu riso frouxo, tenho dó desses estudantes de teologia, formados por professores com massa encefálica do tamanho de uma ervilha.
Para facilitar os neo-Torquemadas, tentarei reescrever o mapa usado pela Inquisição para identificar, processar e queimar quem ousava pensar fora da cartilha da Santa Igreja.
1. Alfinete com precisão os pontos em que a “nova doutrina” se distancia do que foi sempre aceito como verdade.
2. Procure mostrar a perniciosidade da “nova doutrina” e como ela põe em risco a estabilidade e o futuro da fé.
3. Dê um nome à “nova doutrina”; para derrubá-la você precisa colocá-la dentro de contornos bem claros. Ela precisa de um rótulo.
4. Desqualifique as pessoas que defendem a “nova doutrina”; prove por "a+b" que só um desvairado, um inconseqüente, teria coragem de dizer aquele tipo de coisa e que os lúcidos estão na trincheira oposta.
5. Espiritualize sua cruzada contra a “nova doutrina”; diga que ela nasceu no inferno e você, como um augusto defensor da verdade, não pode permanecer calado.
6. Mostre que os argumentos da “nova doutrina” estão calcados em pessoas estranhas à verdadeira fé; mostre que católicos, judeus, ateus e, principalmente, poetas pecadores são citados para referendar a apostasia.
7. Torne o debate emotivo; antes de tratar suas possíveis discordâncias, faça afirmações bem comoventes; por exemplo: “eu não quero ir para o mesmo céu que ele” ou, “se for assim, esse Deus não me serve”.
8. Tire frases do contexto, construa raciocínios distorcidos, sofisme, contanto que o herege seja enfraquecido.
9. Cite obras sem jamais tê-las realmente lido, mencione a crítica feita aos autores e procure fazer com que as pessoas afirmem: “não li, não gostei”.
10. Reduza os conceitos do herege a um clichê ou a deduções bobinhas; assim os simplórios vão concordar com você.
Enquanto os Inquisidores trabalharm, eu vou continuar a gargalhar e a celebrar a vida; amando meu próximo e procurando concretizar os sinais do Reino de Deus, que já chegou.
Soli Deo Gloria.
http://www.ricardogondim.com.br/Arti
17 de outubro de 2007
[Record e Universal]
TUDO "LEGAL" ENTRE A RECORD E A UNIVERSAL
Por Marcelo Quintela
Domingo de manhã. Fui comprar pão.
Em frente à padaria tem uma porta cristã aberta logo cedo.
A voz rouca ao microfone me chamou atenção. Entrei e me acomodei.
Dentro daquele ambiente, vieram-me lembranças da semana que passou...
*******************************************
Quinta-feira, dia 27 de setembro.
Inauguração da Record News – novo canal de TV do Sr. Edir Macedo.
Apesar dessa inauguração representar uma maior "democratização do mercado da informação", e mais notícias a nossa disposição, algumas mentalidades cristãs mais escrupulosas diriam que isso tudo assusta muito e ultrapassa a margem da legalidade.
Talvez se diga:
“Uma TV da Igreja? (Na verdade, são duas TVs!). Ou a Igreja que é da TV?
A TV existe com o dinheiro da Igreja? Ou o dinheiro da TV é para a Igreja?
Mas como uma igreja tem duas TV para fins lucrativos, se a igreja é uma entidade beneficente e sem tributação de impostos???”
Calma, cristãos éticos e cidadãos de bem, eu explico:
Não há nada ilegal. A Igreja não tem nada. A igreja não tem fins lucrativos. A igreja tem seu patrimônio e seus mais de 1.500 templos e só. A TV, todavia, não é da igreja. A TV é do Senhor Edir Macedo, mega-empresário do setor de comunicações.
Ele é empresário, e também é bispo da Igreja. Ilegal?
Nada ilegal. Eu também sou profissional liberal e ministro do Evangelho. A clínica é minha. A igreja, não.
"Como ele comprou as estações de TV, então?"
Ora, comprou com o dinheiro dele! Com o “salário” dele de bispo! - suponho.
A maioria dos religiosos não vivem do sacerdócio? Sim! Então qual é o problema?
Nada ilegal. É o chamado pró-labore! Ganha quanto a “instituição” decide que se vai ganhar!
"E a relação TV – Igreja? Parece tudo a mesma coisa, oras??!!"
Parece, mas não é! Nada ilegal tampouco.
Veja o que a Central Record de Comunicação respondeu, por e-mail, ao site Terra:
- A Record lucra com a comercialização de espaços publicitários em sua programação. O horário da madrugada está negociado com o cliente Igreja Universal, que possui diretrizes independentes e distintas em relação à Record.
Viu? Tudo legal. Tudo explicado.
A Universal compra os horários da Record. A Record vende os horários para a Universal.
Vende caro. Muito caro. Super-faturado! Vende por quatro vezes mais do que a Globo vende seus horários da madrugada,
mesmo tendo quatro vezes mais ibope nessa mesma faixa que a Record!
Mas e daí? A cliente paga, oras. Ela aceita o preço! Nada ilegal.
"Mas toda a direção da Record não é constituída de bispos e obreiros da Igreja, não é?"
Sim. Mas procura aí onde isso é ilegal?
A Record contrata seus funcionários como quiser e de onde desejar. A Record não é um orgão público que contrata via concurso.
Se eu quiser colocar meu pai, minha mãe, meu amigo, meu irmão para trabalhar na minha Clínica Privada o que você tem a ver com isso? A empresa é minha, eu contrato quem eu quiser, mesmo que tal pessoa nem tenha ainda a devida formação para o cargo. Isso é problema meu! A clínica não é estatal, é particular!
"Meu Deus, mas de onde vem, então, tanto dinheiro para comprar tanto horário de TV por tão alto valor, visando a nobre causa de evangelizar o país???"
Ora, vem das contribuições espontâneas que se fazem de domingo a domingo, três a quatro vezes por dia, em mais de 1500 templos simultaneamente.
Nada ilegal.
"Como não? É dinheiro do povo!!! Dinheiro que se recebe e sobre o qual não incide impostos?"
Ora, é não é assim com toda associação filantrópica? Ou alguém dá dinheiro forçado? Levanta a mão quem paga na marra? Alguém é obrigado a ofertar? Algum obreiro vai lá e mete a mão no bolso do devoto?
Lógico que não! Daí não haver extorsão e nem subtração. Dá quem quiser!
Portanto, até onde se enxerga, fica assim entendido: Tudo dentro da Lei. Tudo legal!
Domingo de manhã.
Estou naquele culto evangélico do começo desse texto, lembram?
Voltei de meus pensamentos.
Olho para frente.
Tem uma espécie de "arca da aliança" que está girando iluminada sob um altar atrás do púlpito.
O moço na tribuna falava sobre Dagom, o deus filisteu que se ferrou depois que recebeu em seu templo a Arca da Aliança Mosaica roubada da nação vizinha. Na história bíblica, os judeus nem precisaram se mexer em busca da Arca Perdida. O povo inimigo se consumiu em pestes, hemorróidas e tumores até devolverem o objeto sacro!
Conheço a história desde menino! Só não conhecia o aplicativo feito no microfone:
“Você quer vencer Dagom? Quer?
Então... Não se mexa para nada!
Sabe aquele dinheiro que você ia pagar para o advogado tentar tirar seu filho da cadeia?
Sabe aquele dinheiro que você ia usar para comprar o remédio que o médico receitou para a doença crônica?
Você vai trazer aqui na frente, diante da Arca Giratória!!" ("giratória" é expressão minha. Impressionou-me a alegoria. Mas todo o demais, eu ouvi como agora se lê...)
"Não pague o advogado, não compre a medicação! Pratique a fé!
Quanto você não daria para tirar seu filho da prisão? R$ 3.000,00? R$ 2.000,00? Ou não daria até muito mais?
Você não faria todo sacrifício que fosse necessário? Sim ou não?
Então vem trazer esse dinheiro aqui no Balcão de Negócios Divinos" (bom, confesso: “balcão de negócios divinos" ele não falou não... Eu que inventei... Mas juro que só inventei mais essa!)
"Quando você pagaria para ficar curado? Para ter saúde? Não daria até tudo que tem?
Então para que você vai dar esse dinheiro para o remédio se você pode dar para Deus?"
"Quem já tem a arca em casa (uma arca pequenina “dada” aos que exercitam a fé!) vem aqui na frente para nós oramos por você!"
Fiquei sentado com mais alguns poucos.
"Agora vem quem não tem a arca ainda."
Aí todo mundo se levanta e caminha para o altar matadouro. Já sabem que Deus só vai abençoá-los se permitirem que lhes arranquem o couro, a pelo, a lã... (Mas, tudo na vida tem seu preço, não é?)
Daí vejo a fila.
A fila.
Mães desesperadas. Doentes aflitos.
"Você pode ter a Arca da Aliança por R$ 90,00 – não menos que isso!"
(Dessa vez não inventei nada, o limite para levar o objetinho ordinário era esse mesmo!)
Só eu fiquei.
Fiquei só.
Eu, dois obreiros e meu dinheirinho do pão.
Saí.
Saí sem arca.
Saí inteiro...
Mas arrancaram minha alma logo cedo.
Dei as costas, que ficaram pesadas com a tristeza de ter visitado o templo de Dagom. O templo onde a Arca sequestrada gira em exposição, como amuleto!
Sim, eu fui ao templo de Dagon, onde a dádiva é comprada sob signos judaico-cristãos.
E saibam disso todos os seus adoradores: só existe um "deus" que negocia as respostas de oração em espécie - Lá o chamam de "Jesus", mas seu nome é Diabo!*
*O estelionato é de cunho espiritual, mas essa categoria de crime não consta na nossa legislação!
E isso não passa na Record.
Na Record é tudo legal.
Tem até novela com qualidade global.
DESABAFO: Então a gente nunca vai pegar esses caras, entendeu???!!! O dinheiro da Record está dentro da Arca! A Arca-Baú, a Arca-Cofre, a Arca Perdida num templo "cristo-pagão"!
Entretanto, há algo com que eles simplesmente não contam: Deus existe!
- Sim, o dono da Arca existe!
E Ele não obedece a Constituição. Ele ultrapassa a margem da legalidade. Ele é marginal.
E daqui a pouquinho essa Novela termina!
Os últimos capítulos já foram escritos e revelados: Como no registro bíblico, Dagom vai perder a cabeça de novo e a brincadeira de apetrechos bíblicos comercializáveis tem prazo de validade e logo logo logo vai acabar!
Ah! Vai!
"Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis..."
Outubro de 2007
Marcelo Quintela
Fonte:
http://www.caiofabio.com
Por Marcelo Quintela
Domingo de manhã. Fui comprar pão.
Em frente à padaria tem uma porta cristã aberta logo cedo.
A voz rouca ao microfone me chamou atenção. Entrei e me acomodei.
Dentro daquele ambiente, vieram-me lembranças da semana que passou...
*******************************************
Quinta-feira, dia 27 de setembro.
Inauguração da Record News – novo canal de TV do Sr. Edir Macedo.
Apesar dessa inauguração representar uma maior "democratização do mercado da informação", e mais notícias a nossa disposição, algumas mentalidades cristãs mais escrupulosas diriam que isso tudo assusta muito e ultrapassa a margem da legalidade.
Talvez se diga:
“Uma TV da Igreja? (Na verdade, são duas TVs!). Ou a Igreja que é da TV?
A TV existe com o dinheiro da Igreja? Ou o dinheiro da TV é para a Igreja?
Mas como uma igreja tem duas TV para fins lucrativos, se a igreja é uma entidade beneficente e sem tributação de impostos???”
Calma, cristãos éticos e cidadãos de bem, eu explico:
Não há nada ilegal. A Igreja não tem nada. A igreja não tem fins lucrativos. A igreja tem seu patrimônio e seus mais de 1.500 templos e só. A TV, todavia, não é da igreja. A TV é do Senhor Edir Macedo, mega-empresário do setor de comunicações.
Ele é empresário, e também é bispo da Igreja. Ilegal?
Nada ilegal. Eu também sou profissional liberal e ministro do Evangelho. A clínica é minha. A igreja, não.
"Como ele comprou as estações de TV, então?"
Ora, comprou com o dinheiro dele! Com o “salário” dele de bispo! - suponho.
A maioria dos religiosos não vivem do sacerdócio? Sim! Então qual é o problema?
Nada ilegal. É o chamado pró-labore! Ganha quanto a “instituição” decide que se vai ganhar!
"E a relação TV – Igreja? Parece tudo a mesma coisa, oras??!!"
Parece, mas não é! Nada ilegal tampouco.
Veja o que a Central Record de Comunicação respondeu, por e-mail, ao site Terra:
- A Record lucra com a comercialização de espaços publicitários em sua programação. O horário da madrugada está negociado com o cliente Igreja Universal, que possui diretrizes independentes e distintas em relação à Record.
Viu? Tudo legal. Tudo explicado.
A Universal compra os horários da Record. A Record vende os horários para a Universal.
Vende caro. Muito caro. Super-faturado! Vende por quatro vezes mais do que a Globo vende seus horários da madrugada,
mesmo tendo quatro vezes mais ibope nessa mesma faixa que a Record!
Mas e daí? A cliente paga, oras. Ela aceita o preço! Nada ilegal.
"Mas toda a direção da Record não é constituída de bispos e obreiros da Igreja, não é?"
Sim. Mas procura aí onde isso é ilegal?
A Record contrata seus funcionários como quiser e de onde desejar. A Record não é um orgão público que contrata via concurso.
Se eu quiser colocar meu pai, minha mãe, meu amigo, meu irmão para trabalhar na minha Clínica Privada o que você tem a ver com isso? A empresa é minha, eu contrato quem eu quiser, mesmo que tal pessoa nem tenha ainda a devida formação para o cargo. Isso é problema meu! A clínica não é estatal, é particular!
"Meu Deus, mas de onde vem, então, tanto dinheiro para comprar tanto horário de TV por tão alto valor, visando a nobre causa de evangelizar o país???"
Ora, vem das contribuições espontâneas que se fazem de domingo a domingo, três a quatro vezes por dia, em mais de 1500 templos simultaneamente.
Nada ilegal.
"Como não? É dinheiro do povo!!! Dinheiro que se recebe e sobre o qual não incide impostos?"
Ora, é não é assim com toda associação filantrópica? Ou alguém dá dinheiro forçado? Levanta a mão quem paga na marra? Alguém é obrigado a ofertar? Algum obreiro vai lá e mete a mão no bolso do devoto?
Lógico que não! Daí não haver extorsão e nem subtração. Dá quem quiser!
Portanto, até onde se enxerga, fica assim entendido: Tudo dentro da Lei. Tudo legal!
Domingo de manhã.
Estou naquele culto evangélico do começo desse texto, lembram?
Voltei de meus pensamentos.
Olho para frente.
Tem uma espécie de "arca da aliança" que está girando iluminada sob um altar atrás do púlpito.
O moço na tribuna falava sobre Dagom, o deus filisteu que se ferrou depois que recebeu em seu templo a Arca da Aliança Mosaica roubada da nação vizinha. Na história bíblica, os judeus nem precisaram se mexer em busca da Arca Perdida. O povo inimigo se consumiu em pestes, hemorróidas e tumores até devolverem o objeto sacro!
Conheço a história desde menino! Só não conhecia o aplicativo feito no microfone:
“Você quer vencer Dagom? Quer?
Então... Não se mexa para nada!
Sabe aquele dinheiro que você ia pagar para o advogado tentar tirar seu filho da cadeia?
Sabe aquele dinheiro que você ia usar para comprar o remédio que o médico receitou para a doença crônica?
Você vai trazer aqui na frente, diante da Arca Giratória!!" ("giratória" é expressão minha. Impressionou-me a alegoria. Mas todo o demais, eu ouvi como agora se lê...)
"Não pague o advogado, não compre a medicação! Pratique a fé!
Quanto você não daria para tirar seu filho da prisão? R$ 3.000,00? R$ 2.000,00? Ou não daria até muito mais?
Você não faria todo sacrifício que fosse necessário? Sim ou não?
Então vem trazer esse dinheiro aqui no Balcão de Negócios Divinos" (bom, confesso: “balcão de negócios divinos" ele não falou não... Eu que inventei... Mas juro que só inventei mais essa!)
"Quando você pagaria para ficar curado? Para ter saúde? Não daria até tudo que tem?
Então para que você vai dar esse dinheiro para o remédio se você pode dar para Deus?"
"Quem já tem a arca em casa (uma arca pequenina “dada” aos que exercitam a fé!) vem aqui na frente para nós oramos por você!"
Fiquei sentado com mais alguns poucos.
"Agora vem quem não tem a arca ainda."
Aí todo mundo se levanta e caminha para o altar matadouro. Já sabem que Deus só vai abençoá-los se permitirem que lhes arranquem o couro, a pelo, a lã... (Mas, tudo na vida tem seu preço, não é?)
Daí vejo a fila.
A fila.
Mães desesperadas. Doentes aflitos.
"Você pode ter a Arca da Aliança por R$ 90,00 – não menos que isso!"
(Dessa vez não inventei nada, o limite para levar o objetinho ordinário era esse mesmo!)
Só eu fiquei.
Fiquei só.
Eu, dois obreiros e meu dinheirinho do pão.
Saí.
Saí sem arca.
Saí inteiro...
Mas arrancaram minha alma logo cedo.
Dei as costas, que ficaram pesadas com a tristeza de ter visitado o templo de Dagom. O templo onde a Arca sequestrada gira em exposição, como amuleto!
Sim, eu fui ao templo de Dagon, onde a dádiva é comprada sob signos judaico-cristãos.
E saibam disso todos os seus adoradores: só existe um "deus" que negocia as respostas de oração em espécie - Lá o chamam de "Jesus", mas seu nome é Diabo!*
*O estelionato é de cunho espiritual, mas essa categoria de crime não consta na nossa legislação!
E isso não passa na Record.
Na Record é tudo legal.
Tem até novela com qualidade global.
DESABAFO: Então a gente nunca vai pegar esses caras, entendeu???!!! O dinheiro da Record está dentro da Arca! A Arca-Baú, a Arca-Cofre, a Arca Perdida num templo "cristo-pagão"!
Entretanto, há algo com que eles simplesmente não contam: Deus existe!
- Sim, o dono da Arca existe!
E Ele não obedece a Constituição. Ele ultrapassa a margem da legalidade. Ele é marginal.
E daqui a pouquinho essa Novela termina!
Os últimos capítulos já foram escritos e revelados: Como no registro bíblico, Dagom vai perder a cabeça de novo e a brincadeira de apetrechos bíblicos comercializáveis tem prazo de validade e logo logo logo vai acabar!
Ah! Vai!
"Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis..."
Outubro de 2007
Marcelo Quintela
Fonte:
http://www.caiofabio.com
16 de outubro de 2007
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